Evento promovido pelo curso de Letras da UFRN comemora Dia da Poesia

Poemas expostos no chão da entrada do auditório, propuseram rompimento com o comodismo e prestaram homenagem a artistas potiguares, como Fauves Silva. Foto: Wellington Rocha
Hoje, dia 14 de março, é o Dia Nacional da Poesia. Para celebrar a data, o Departamento de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) organizou, na manhã desta quinta-feira (14), no auditório B do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), o evento Lugar de Poesia é na Calçada. Com coquetel, sorteio de livros e recitais poéticos, a coordenação ficou a cargo da professora Cellina Muniz.
Voltado para alunos e simpatizantes de uma das sete artes tradicionais, o encontro visou destacar a importância da poesia no contexto atual, em que muito se fala da necessidade do estímulo à leitura, mas pouco se faz para alterar o cenário. “Literatura é luxo. Mesmo a elite intelectual não tem tanto acesso. Ela desconhece autores locais”, diz a professora de Letras, Cellina Muniz. A calçada seria o ambiente da poesia marginal, aquela cuja escrita e temática livre encontra respaldo em personagens erráticos, à margem da sociedade. “Livre de academicismos”.
Na programação, poetas de várias vertentes e gerações, como Fauves Silva e Jota Mombaça. No entanto, a atração principal da amanhã foi o minishow performático do músico e poeta Romildo Soares. “Mais que na hora de subir no palco para tocar, eu estou nervoso”, confessou minutos antes do número que ofereceu dez poemas próprios. Calcado no cinema, ele, que é músico há 35 anos, entende a função da imagem e da interpretação como incremento das palavras escritas. “Não sigo linha de pensamento. Gosto da marginalia total”.
Outro nome que agregou trabalhos à comemoração do Dia da Poesia foi Fauves Silvas. Veterano da cena natalense, ele é integrante do movimento Poema Processo, que chacoalhou meio mundo intelectual potiguar, em 1967, com inserção de imagens e a redução da quantidade de palavras para expandir o pensamento. “Isso foi em 1978. Naquele época, tinha muito poeta abusando das palavras, usando verbos em excesso para dizer pouca coisa. Como nós do Poema Processo éramos influenciados pelo cinema, isso foi transposto para a poesia. Natal é uma das poucas cidades que comemora o dia de hoje pra valer”.
Com poemas expostos no chão da entrada do auditório, o Lugar de Poesia é na Calçada propõem o rompimento com o comodismo e presta homenagem a artistas nativos, como João Gualberto, Sivan Medeiros e Carito Cavalcanti. “Poesia é todo dia. Tem que ler, escrever todo dia, toda hora”, diz Cellina Muniz. Para a professora, as expressões artísticas potiguares vivem, em sua maioria, de iniciativas isoladas.
Ao adotar um trecho de uma canção de Sérgio Sampaio (Cada Lugar é Sua Coisa), cantor e compositor capixaba influenciado por Franz Kafka, tido um dos malditos da Música Popular Brasileira, para nomear o evento poético, a professora quis valorizar àqueles que possuem talento, mas, de uma forma ou outra, mantiveram-se em guetos culturais. “Nessa música que tem a frase ‘lugar de poesia é na calçada’, pois é isso que queremos aqui: mostrar o talento da arte local”, finaliza Cellina.
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