Ex-alunos querem que prédio do Colégio Imaculada Conceição seja tombado

O Colégio Imaculada Conceição era considerado um dos mais tradicionais colégios particulares do Rio Grande do Norte

Segundo Anderson, objetivo é manter toda a estrutura ou parte dela, como a capela. Foto: Heracles Dantas
Segundo Anderson, objetivo é manter toda a estrutura ou parte dela, como a capela. Foto: Heracles Dantas

Um grupo de ex-alunos do Colégio Imaculada Conceição (CIC) – fechado no final de 2012 após 110 anos de funcionamento – liderados pelo historiador Francisco Anderson Tavares de Lyra e a Associação das Antigas Alunas Doroteias, entrou com um pedido de tombamento do prédio histórico, localizado na avenida Deodoro da Fonseca, no Centro de Natal.

O pedido foi amparado pelo Decreto Estadual nº 8.111, de 12 de março de 1981, que regulamenta a Lei Estadual nº 4.775, de 03 de outubro de 1978, que dispõe sobre a proteção do Patrimônio Histórico e Artístico no estado do Rio Grande do Norte. A Lei estabelece, no artigo 5º, inciso I, que o pedido de tombamento poderá ser dirigido a Fundação José Augusto por qualquer pessoa física ou jurídica. O documento foi entregue em mãos à secretária extraordinária de Cultura do Rio Grande do Norte, Isaura Rosado.

De acordo com Anderson Lyra, o objetivo é manter toda a estrutura ou parte dela, como o prédio central e capela, projetado pelo engenheiro Otávio Tavares e construídos entre os anos de 1937 e 1943. Ainda no início das atividades do colégio, há mais de 100 anos, o lugar abrigava o Sítio Cucuí, de propriedade do magistrado Oliveira Santos. De acordo com relatos históricos, o sítio foi comprado pelas Irmãs Doroteias – responsáveis pela administração do CIC ao longo dos anos – com a ajuda de comerciantes, de pais de alunos e do então governador Alberto Maranhão.

“Na avenida Deodoro, o casarão do comerciante Irineu Pinheiro e o antigo prédio do Hospital Infantil Varela Santiago já são tombados. Também está sendo iniciado o tombamento do Cine Rio Grande. Acredito que como o colégio foi fundado pela população natalense, as Irmãs Doroteias tinham que ter ido ao Governo, no caso à Fundação José Augusto, escutar o posicionamento deles e não partir para a comercialização do prédio. Foi o Governo e o povo que acreditaram no projeto pedagógico. Temos que preservar a estrutura para as futuras gerações terem o privilégio de conhecer. Todos que moram em Natal têm alguma ligação com o CIC ou conhecem alguém que já estudou no colégio. Entregamos o pedido de tombamento à secretária Isaura Rosado e no outro dia soubemos da comercialização do prédio”, lamentou o historiador.

O Colégio Imaculada Conceição era considerado um dos mais tradicionais colégios do Rio Grande do Norte e foi o primeiro colégio particular de Natal. A instituição de ensino encerrou suas atividades educativas no final de 2012, após dificuldades financeiras provenientes do alto índice de inadimplência. No entanto, os pais, alunos e ex-alunos, professores e funcionários promoveram diversas mobilizações na tentativa de manter as portas abertas da escola, incluindo passeata e abraço simbólico ao prédio histórico. As manifestações de carinho e amor à escola não foram suficientes para comover e fazer as representantes do Governo Provincial das Doroteias, com sede em Recife, mudarem de opinião e a atualmente a estrutura está em processo de comercialização.

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    • Sandra Silva

      Boa noite. Parabenizo a iniciativa e, como historiadora, penso que instituições como esta devem preservadas. Gostaria apenas de fazer uma observação. Ainda no século XIX, em 1895 (ou 1897) a cidade de Natal já contava com uma instituição particular de ensino, o Colégio Americano de orientação protestante e estabelecido por norte americanos. Assim, é possível asseverar que o CIC não foi o primeiro colégio particular da capital potiguar, uma vez que o Colégio Americano era privado.

    • Anderson Tavares de Lyra

      Verdade professora Sandra Silva. O Colégio Imaculada Conceição foi o primeiro estabelecimento particular de ensino religioso católico em Natal.

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