Ex-diretor da Petrobras é preso e tem US$ 23 milhões bloqueados na conta

Suíça bloqueou US$ 23 milhões que estariam em contas do ex-dirigente da estatal. Advogado afirma que seu cliente não possui contas no exterior

Com o rosto coberto, ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, retorna para a Superintendência da Polícia Federal, no Rio, após exame de corpo de delito no IML. Foto: Divulgação
Com o rosto coberto, ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, retorna para a Superintendência da Polícia Federal, no Rio, após exame de corpo de delito no IML. Foto: Divulgação

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa foi novamente preso preventivamente na tarde desta quarta-feira. A decisão foi proferida pelo Juiz Federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, com base em novas provas trazidas pelo Ministério Público Federal (MPF) de que o ex-diretor da estatal tem milhões de dólares em contas no exterior, bem como pelas razões que já haviam determinado a anterior prisão dele. As novas informações foram obtidas mediante cooperação internacional entre o MPF e o Ministério Público da Suíça.

Paulo Roberto Costa foi preso em casa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, por volta das 16h. Escoltado, ele foi encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá. Sem falar com a imprensa, permaneceu por 20 minutos no local, e foi encaminhado para o Instituto Médico Legal para exame de corpo de delito, praxe nestes casos, e voltou à superintendência por volta das 18h. De acordo com a PF, o ex-diretor da Petrobras passará a noite no local, numa cela improvisada para casos de emergência, e será transferido nesta quinta-feira para Curitiba, onde o caso tramita.

Em entrevista, o advogado de defesa Nélio Machado afirmou que entrará nesta sexta-feira com recurso para que seu cliente responda o processo em liberdade, já que nesta quinta o judiciário não vai funcionar devido ao jogo do Brasil. Segundo Machado, o caso não deveria estar correndo pela justiça federal do Paraná, e sim pelo Supremo Tribunal Federal, por envolver parlamentares, como o deputado André Vargas (sem partido-PR), e Cândido Vacarezza (PT-SP). O advogado criticou a iniciativa do STF de transferir os processos para a justiça federal do Paraná:

“Eu até me sinto desconfortável pela forma que o Supremo atuou. Havia uma petição pendente do julgamento, uma petição da defesa protestando por ter conhecimento da data do julgamento. Até porque permite ao advogado fazer a sustentação oral, usar a tribuna. Isso foi julgado pela segunda turma (do STF), no mesmo momento em que o meu cliente dava a declaração à CPI (da Petrobras), sem que o advogado fosse informado direta ou indiretamente pelo STF. Essa decisão do Supremo é totalmente questionável”, disse o advogado.

Ele também negou que Paulo Roberto Costa tenha contas no exterior e alegou também que o cliente não oferece perigo de fuga, já que seus passaportes brasileiros e portugueses foram entregues de forma voluntária:

“Essa prisão é açodada, é uma precipitação. Meu cliente vai apresentar sua defesa. A alegação de existir conta no exterior nada significa, mas meu cliente não tem conta no exterior”, declarou Machado, que disse ter sido informado da prisão do ex-diretor da estatal no velório do ex-governador Marcello Alencar.

A Justiça do Paraná confirmou hoje o bloqueio, feito pela Suíça, de US$ 23 milhões em contas que seriam movimentadas no exterior por Costa. Além disso, foram bloqueados mais US$ 5 milhões, em contas que estariam em nome de familiares de Costa e também do doleiro Alberto Yousseff.

A Justiça do Paraná começou a despachar hoje os processos que foram devolvidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com exceção dos autos referentes ao deputado petista André Vargas, que tem foro privilegiado.

Segundo a Justiça paranaense, o bloqueio das contas no exterior foi feito no início dessa semana, de acordo com documentos enviados pelo Ministério Público da Confederação da Suiça. A organização da Suíça informou que identificou 12 contas bancárias em cinco bancos daquele país, sob controle de Paulo Roberto Costa, de suas duas filhas, dois genros e de um funcionário do doleiro Youssef, somando os valores de US$ 28 milhões, sendo que US$ 23 pertenceriam ao ex-diretor da Petrobras. Ainda segundo o Ministério Público Suíço, os valores bloqueados são mantidos em nomes de contas de off-shores. Segundo as investigações, tais contas seriam alimentadas com recursos desviados durante as obras de construção da refinaria Abreu Lima.

Costa, que ficou preso na superintendência da Polícia Federal por conta da Operação Lava Jato, foi solto no último dia 19, beneficiado por uma decisão do ministro do STF, Teori Zavascki. Yousseff também foi beneficiado com a decisão do ministro, que voltou atrás e manteve em liberdade apenas o ex-diretor da Petrobras.

Fonte: O Globo

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