Ex-presidente Nicolas Sarkozy é o 1º na história da França a ser detido

Polícia investiga se ex-presidente da França ofereceu cargo a juiz em troca de informações sobre um caso em que ele era investigado

Ex-presidente chega à Assembleia Nacional, em Paris, no dia 25 de junho. Foto: Divulgação
Ex-presidente chega à Assembleia Nacional, em Paris, no dia 25 de junho. Foto: Divulgação

Detido no começo desta terça-feira, o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy foi formalmente indiciado pela Procuradoria de corrupção ativa, tráfico de influência e violação do sigilo profissional. É a primeira vez na História da república francesa que um ex-presidente é detido. Ele nega qualquer irregularidade.

Sarkozy ficou na Polícia Judiciária de Nanterre, nos arredores de Paris, mas foi liberado após 16 horas de detenção às 2h da manhã de Paris, 21h no Brasil. O ex-presidente de centro-direita poderia ficar à disposição dos policiais por 24h.

A custódia, inédita para um ex-presidente da República francês, complica ainda mais os planos de retorno de Sarkozy à vida política este ano, para retomar o controle de seu partido, a União por um Movimento Popular (UMP), de olho nas eleições para o Palácio do Eliseu, em 2017. Na segunda-feira, seu advogado, Thierrry Herzog, e dois juízes, Gilbert Azibert e Patrick Sassoust, haviam sido detidos por conta das mesmas investigações.

Escutas telefônicas feitas pela Justiça indicariam que Gilbert Azibert, juiz do Tribunal de Cassação, a mais alta corte judiciária para ações civis e penais do país, teria passado informações confidenciais a Sarkozy sobre as investigações no caso Liliane Bettencourt, a bilionária herdeira do grupo L’Oréal, em torno de financiamento ilegal de campanha.

Em troca, o magistrado teria solicitado que o ex-presidente Sarkozy usasse de sua influência política para que ele fosse designado como conselheiro de Estado no Principado de Mônaco. Sarkozy foi colocado sob escuta telefônica no ano passado, a mando de dois juízes, por conta das suspeitas de financiamento do governo líbio do ditador Muamar Kadafi para sua campanha presidencial de 2007.

O procedimento judicial acontece num momento especialmente delicado para o partido de Sarkozy que enfrenta uma crise sem precedentes por um escândalo de faturas falsas.

Fonte: O Globo

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