Ex-taxistas do Augusto Severo lutam para poder trabalhar em Parnamirim

Lei proíbe os profissionais de circular na cidade

Após desativação "surpresa" do aeroporto, mais de 30 taxistas estão sem poder trabalhar e pedem ajuda de políticos. Foto: José Aldenir
Após desativação “surpresa” do aeroporto, mais de 30 taxistas estão sem poder trabalhar e pedem ajuda de políticos. Foto: José Aldenir

Alessandra Bernardo

alessabsl@gmail.com

 

Pouco mais de um mês depois do Aeroporto Internacional Augusto Severo ter sido desativado oficialmente pela Infraero, a maioria dos taxistas que atuava no local continua sem trabalho e já começa a passar por dificuldades financeiras. Eles, assim como boa parte das pessoas que eram empregadas em vários estabelecimentos comerciais dentro do terminal, ainda não conseguiram uma nova colocação profissional e a categoria luta para tentar derrubar uma lei que os proíbe de circular em Parnamirim.

Segundo o presidente da Cooperativa de Taxistas do Augusto Severo (Cooptaxi), Altamir Bezerra, os 35 motoristas que estão nessa situação já participaram de audiências públicas na Assembleia Legislativa e Câmara de Vereadores e tentam até hoje, sem sucesso, conversar com a governadora Rosalba Ciarlini para mostrar a nova realidade pela qual estão passando, numa tentativa de sensibilizá-la e conseguir seu apoio para poderem voltar a trabalhar nas ruas.

“Estamos correndo para todos os lados, numa tentativa desesperada de derrubar essa lei e voltar a ter um emprego para sustentar nossas famílias, que também estão sofrendo muito com toda essa situação. Não pensávamos que o aeroporto fosse fechar tão rápido e o que está sustentando essas famílias são as reservas financeiras que cada um fez, mas um dia elas acabam… aí não sabemos de onde vamos tirar nosso sustento”, desabafou.

Altamir disse também que, apesar do grupo estar tentando de todas as formas sensibilizar os políticos do Rio Grande do Norte sobre a situação que estão enfrentando e de todos que perderam seus empregos no Augusto Severo, até o momento nenhum deles se manifestou sobre a situação ou se mostrou propenso a isso. “São 35 pais de família que estão desesperados”, enfatizou.

O desamparo pelos políticos potiguares também foi citado pelo presidente da Associação dos Lojistas do antigo terminal aéreo, Jesus Morquecho. Abalado, ele questionou o porquê do abandono a todos que perderam seus empregos com a desativação do aeroporto de Parnamirim e o silêncio que ronda o assunto. Ele disse ainda que não gosta de falar no assunto, porque é um tema que traz grande sofrimento emocional.

“A pergunta que nós fazemos é o que os políticos de Parnamirim e do Rio Grande do Norte fizeram ou podem ainda fazer por essas dezenas de pessoas que perderam seus empregos do dia para a noite, sem que nada fosse feito para impedir isso. Já falaram de tudo sobre esse assunto, mas os políticos continuam em silêncio, como se nada tivesse acontecido e, enquanto isso, todos nós sofremos”, desabafou.

Recomeçar do zero

Recomeçar do zero. Essa foi a forma encontrada por muitos ex-funcionários das lojas e motoristas de táxis (os que podem rodar em Parnamirim) após o fim do Augusto Severo. Entre eles, o taxista Marcos Medeiros, que voltou a pegar passageiros nas ruas da cidade para sustentar a família. Ele disse ter sido pego de surpresa pelo fechamento do local e também dos prejuízos materiais.

“Fomos pegos de surpresa, porque sabíamos que o aeroporto ia fechar com a abertura do de São Gonçalo do Amarante, mas não que seria tão rápido assim. Muitos perderam todo o investimento de uma vida na aquisição da concessão para explorar o ponto e na compra de um veículo novo, como era exigido pela Infraero, e meses depois viram tudo ir ralo abaixo, sem ao menos, serem informados disso. Com certeza, quem soubesse disso, não teria investido tanto”, afirmou.

Marcos citou o caso de um colega de trabalho que pagou cerca de R$ 130 mil na concessão e R$ 60 mil no veículo, mas perdeu tudo. “É uma situação desesperadora e, até hoje, ele não consegue tocar no assunto sem se emocionar. Felizmente já trabalhava há dez anos nas ruas antes de ir para o aeroporto e consegui voltar, mas muitos estão parados e até agora não conseguiram se reerguer da queda. Eu consegui levantar a cabeça e estou seguindo como dá”, enfatizou.

Compartilhar: