Executivo de empresa da Fifa que vende ingressos foi solto nesta madrugada

Desembargadora que expediu o habeas corpus alegou não ter motivo para a prisão de Whelan

O diretor-executivo da Match Services, Raymond Whelan, deixa a 18ª DP, após ter conseguido um habeas corpus durante a madrugada. Foto: Divulgação
O diretor-executivo da Match Services, Raymond Whelan, deixa a 18ª DP, após ter conseguido um habeas corpus durante a madrugada. Foto: Divulgação

O diretor-executivo da Match Services, Raymond Whelan, de 64 anos, foi liberado por volta das 4h50m desta terça-feira. Ele é acusado de ser integrante de uma quadrilha internacional de cambistas. A prisão foi considerada ilegal e arbitrária pela desembargadora do plantão Judiciário do Rio de Janeiro, Marília Castro Neves Vieira. O habeas Corpus foi concedido e expedido ainda durante a madrugada.

Whelan foi preso com 82 ingressos de jogos da Copa do Mundo enquanto tomava cafezinho no saguão do Copacabana Palace, onde está hospedado. A Match Services é uma empresa associada à Fifa que tem exclusividade para a venda de pacotes para o Mundial.

De acordo com um dos advogados do caso, Fernando Fernandes, o passaporte do britânico foi acautelado.

“Nós (os advogados) propusemos a entrega do documento. Esse foi um gesto simbólico de que ele está à disposição da Justiça”, explicou, ressaltando a ilegalidade da prisão.

Ao ser liberado, o britânico seguiu direto para o hotel onde está hospedado, sem falar com a imprensa. Ele deverá ser intimado para prestar depoimento, mas ainda não há data prevista.

Whelan ficou preso por cerca de 12 horas. Inicialmente o diretor-executivo da Match Services ficou detido em uma cela especial da 18ª DP (Praça da Bandeira). Depois que o habeas corpus foi concedido, ele aguardou a chegada do oficial de Justiça numa sala comum.

Segundo um dos advogados Whelan, a desembargadora que expediu o alvará de soltura alegou não haver motivo para a prisão.

Aparentemente surpreso, o britânico negou qualquer ligação com o argelino naturalizado francês Mohamadou Lamine Fofana, preso na semana passada sob acusação de integrar um esquema de venda ilegal de ingressos para a Copa.

Whelan, que estava vivendo no país há dois anos, não explicou porque o número de seu aparelho celular, cedido pela Fifa, aparecia na memória do telefone de Fofana com o nome de Ray Brasil. As investigações mostram que o franco-argelino trocou em torno de 900 telefonemas e mensagens de texto com Whelan, que seria o responsável pelo repasse de parte dos ingressos negociados no mercado paralelo por Fofana.

A prisão de Whelan fez parte das investigações que já haviam prendido 11 pessoas, inclusive Fofana. Acusado de cambismo e formação de quadrilha, Whelan teve a prisão preventiva decretada nesta segunda-feira pela Justiça com base no Estatuto do Torcedor.

De acordo com o inspetor Vicente Barroso, que acompanhou a prisão do britânico, o executivo estava hospedado no 5º andar do Copacabana Palace, juntamente com integrantes do alto escalão da Fifa. Na suíte do estrangeiro, os policiais apreenderam US$ 1,3 mil, aparelhos celulares, cem ingressos (inclusive para a final), um computador e documentos que serão analisados.

“Já solicitamos todas as imagens do circuito interno do hotel desde o início da Copa e talvez venhamos também a solicitar as ligações feitas a partir da suíte do britânico. O objetivo é reunir elementos que provem a ligação do suspeito com Fofana e outros integrantes do grupo”, disse o inspetor.

Fonte: O Globo

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