Executivos da Apple discutem aplicativos médicos em relógio inteligente

A Apple tem demonstrado um grande interesse na tecnologia de monitoramento de saúde, que pode poderia acabar no lançamento antecipado…

Desenho-conceito do iWatch, segundo rumores que circularam em fevereiro do ano passado. Foto: Reprodução
Desenho-conceito do iWatch, segundo rumores que circularam em fevereiro do ano passado. Foto: Reprodução

A Apple tem demonstrado um grande interesse na tecnologia de monitoramento de saúde, que pode poderia acabar no lançamento antecipado de um “smartwatch” –relógio inteligente.

Um grupo de executivos sênior da Apple se encontrou com diretores da FDA (agência que regula alimentos e remédios nos EUA) em dezembro para discutir aplicativos médicos para dispositivos móveis, de acordo com o calendário público da instituição que lista participantes de reuniões.

Entre os participantes da Apple estava Jeff Williams, vice-presidente sênior de operações; Bud Tribble, vice-presidente de tecnologia de software; Michael O’Reilly, que entrou na empresa em 2013; e um funcionário do departamento de assuntos governamentais.

No lado da FDA estavam Jeff Shuren, diretor do centro para dispositivos e saúde radiológica da agência, e Bakul Patel, que redigiu o guia de orientação para o aplicativo médico da FDA e é um defensor da segurança do paciente quando se trata de apps e gadgets médicos.

Mark A. McAndrew, sócio do escritório de advocacia Taft Stettinius & Hollister, que trabalha com clientes de saúde e ciência, foi o primeiro a notar o encontro durante a navegação nos calendários públicos da agência.

Ele disse, numa entrevista por telefone, que dada a notoriedade das pessoas presentes na reunião de ambos os lados, governo e Apple, a conversa não foi em vão.

“Ou eles estão tentando reconhecer o terreno para vias regulatórias de dispositivos e aplicativos médicos e esta foi uma reunião inicial”, disse McAndrew, “ou a Apple está tentando empurrar algo através da FDA e eles têm se reunido”.

Steve Dowling, um porta-voz da Apple, negou-se a comentar o assunto. Representantes da FDA também não responderam aos pedidos de comentários sobre as reuniões.

Bob Mansfield, vice-presidente sênior para tecnologia da Apple, que anteriormente trabalhou com engenharia de hardware, tem estado fortemente envolvido na exploração de dispositivos, sensores e tecnologias dentro da empresa que possa monitorar a saúde das pessoas e se conectar com o iPhone, de acordo com um funcionário da companhia que não foi autorizado a falar publicamente. Mansfield está diretamente envolvido com o hardware do relógio inteligente da Apple, disse a fonte.

Outro funcionário que pediu para não ser identificado disse que Kevin Lynch, o ex-executivo da Adobe que se juntou à Apple no ano passado, estava envolvido no desenvolvimento de software para o relógio.

Como o “The New York Times” publicou no ano passado, a Apple tem trabalhado num relógio inteligente de tela curva que pode se conectar a um smartphone. O dispositivo pode rodar uma variação do iOS e poderia ter aplicativos. A empresa deve anunciar o produto ainda este ano.

É amplamente esperado que o relógio tenha um foco no monitoramento de saúde. A Apple contratou no ano passado uma série de pessoas com experiência em sensores médicos, incluindo O’Reilly, o ex-diretor médico da Masimo Corporation, que produz dispositivos de monitoramento médico.

No mês passado, funcionários do Google também se encontraram com a FDA para discutir possíveis aplicativos médicos, de acordo com a “Bloomberg”. Num post de um blog no site da companhia, o Google disse que tem trabalhado numa lente de contato que pode monitorar níveis de glicose em pessoas com diabetes.

Timothy D. Cook, executivo-chefe da Apple, tem prometido uma nova categoria de produto da empresa desde o começo de 2012. Nesta semana, ele reiterou que novos gadgets serão lançados em breve pela companhia.

Dada a quantidade de trabalho acontecendo dentro da Apple, e as reuniões com oficiais de alta importância no governo, é que possível que a companhia esteja trabalhando em outros dispositivos além do relógio inteligente que se focam em cuidados de saúde, indústria de US$ 1,6 trilhão, de acordo com estimativa do censo dos Estados Unidos. O iPhone e o iPad da Apple já suportam aplicativos usados por profissionais da medicina há vários anos.

 

Fonte: Folha de São Paulo

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