F1 volta aos velhos tempos, se reinventa e promete temporada emocionante

Principal categoria do automobilismo resgata motores V6 e numeração fixa, acaba com favoritismo de Vettel e transforma campeonato, que começa nesta quinta, em incógnita

Ferrari de 2014 de Fernando Alonso. Foto:Divulgação
Ferrari de 2014 de Fernando Alonso. Foto:Divulgação

Começa na noite desta quinta-feira na Austrália aquela que promete ser a mais emocionante temporada da Fórmula 1 dos últimos anos. Visando aumentar a disputa dentro da pista, resgatar a atenção dos torcedores e, por que não dizer, conter a hegemonia de Sebastian Vettel, a principal categoria do automobilismo mundial se reinventou.

Novos carros, novos motores, novo sistema de pontuação e numeração fixa desenham para este ano uma competição totalmente diferente da de 2013, quando a F1 experimentou queda mundial de audiência na TV e viu o alemão da Red Bull conquistar com o pé nas costas seu quarto título consecutivo.

A mudança, no entanto, é um tiro no escuro e pode se mostrar um fiasco na prova de abertura, em Melbourne. Isso porque as mudanças nos carros foram tantas que especialistas cogitam até que nenhum deles complete o GP da Austrália.

“O desafio será operar como uma orquestra o motor turbo e os sistemas de recuperação. Seriam necessários mais dois ou três meses e fazê-lo durante três testes de inverno. Com apenas 12 dias no total foi uma missão realmente impossível. Em Melbourne poderá acontecer de nenhum carro terminar, pois todas as equipes enfrentaram graves problemas nos testes”, analisa Roberto Dalla, chefe da Magneti Marelli, empresa responsável por fornecer a eletrônica à F1.

Possíveis problemas à parte, as alterações no regulamento fizeram todas as equipes começarem seus trabalhos do zero. Na prática, significa que o Mundial 2014 começa sem o favoritismo evidente de Vettel. O alemão, inclusive, teve sérios problemas com sua Red Bull na pré-temporada e ,ao menos por ora, não é candidato ao penta. As Mercedes de Lewis Hamilton e Nico Rosberg pintam como principais candidatas ao título, ou ao menos a vencer as primeiras provas.

Para os brasileiros, a grande notícia é a possível volta por cima de Felipe Massa. Após assinar com a Williams, equipe que penou no último campeonato, o ex-piloto da Ferrari parece ter tirado a sorte grande e tem hoje um dos carros favoritos à vitória em Melbourne.

O primeiro treino livre para o GP da Austrália será realizado às 22h (de Brasília) desta quinta-feira. A sessão classificatória está marcada para 3h de sábado. A corrida, para 3h do domingo.

O que muda nos carros?

Os carros de 2014 são bem diferentes daqueles do ano passado. A principal mudança está no motor, que a partir desta temporada é chamado de unidade de energia (power unit, em inglês). Estas unidades são compostas de três partes: o motor principal, V6 turbo de 1,6 L e 15 mil rpm, que substitui o V8 de 2,4 L e 18 mil rpm. Os turbos, que giram a 125 mil rpm; e o ERS, Sistema de Recuperação de Energia (Energy Recovery Sistem, em inglês), uma evolução do KERS, que promete dar aos pilotos 160 cavalos extras para tentar ultrapassagens durante 33s em cada volta.

As asas foram modificadas em nome da segurança. Os aerofólios traseiros foram diminuídos de 22 cm para 20 cm. Os dianteiros, de 180 cm para 165 cm e a altura do bico em relação ao solo foi de 55 cm para 18,5 cm.

Já os freios serão eletrônicos. O sistema reconhece a pressão que os pilotos aplicam nos pedais. Qualquer falha de leitura aqui pode fazer o carro frear mais ou menos que o desejado, provocando acidentes.

Os câmbios terão oito marchas, mas a principal novidade é que cada equipe poderá escolher apenas uma relação de marchas para a temporada inteira. Na prática, o mesmo câmbio utilizado em circuitos rápidos como Monza e Spa-Francorchamps deverá estar presente nas travadas ruas de Mônaco.

Por fim, os pilotos deverão administrar o consumo de combustível em seus carros. Ao contrário do ano passado, quando era permitido gastar 160 kg de gasolina por hora, em 2014 serão somente 100 kg, o que obrigará todos a tirarem o pé do acelerador em algum momento. A medida foi criticada por Fernando Alonso, que falou que se sente como “um taxista”.

Numeração fixa

Para aumentar a identificação do público com seus pilotos favoritos, a F1 adota a partir desta temporada um sistema de numeração fixa. Ou seja, cada piloto teve a oportunidade de escolher um número entre 2 e 99 que irá carregar pelo resto de suas carreira. O 1 ainda fica reservado para o atual campeão, se ele desejar. E Sebastian Vettel assim o quis.

Pontuação dobrada na última prova

De olho em manter a emoção em alta e o campeonato aberto até a 19ª e última etapa do Mundial, a Fórmula 1 decidiu dobrar a pontuação desta prova derradeira, que será realizada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Assim, em vez dos tradicionais 25, o vencedor levará 50 pontos para o campeonato. O segundo colocado ficará com 36 em vez de 18; o terceiro, 30 no lugar de 15; e assim por diante.

Fonte:IG

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