Fábio: “Robinson e Fátima Bezerra têm o perfil que eleitor espera para o RN”

Deputado federal do PSD diz que pessedista e petista são "nomes fora das famílias tradicionais" do Estado

Alex Viana

Repórter de Política

 

Vice-presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Fábio Faria (PSD) disse que há uma tendência natural de uma aliança política entre o PT e o PSD para as eleições deste ano ao Governo e ao Senado. O parlamentar, que é filho do pré-candidato do PSD a governador, vice-governador Robinson Faria, disse que tanto Robinson, quanto a deputada federal Fátima Bezerra, pré-candidata do PT ao Senado, “têm o perfil que o eleitor espera para o RN” e são “nomes fora das famílias tradicionais”.

As palavras de Fábio Faria foram proferidas na manhã desta sexta-feira, um dia após a reunião entre PT e PSD, na sede do diretório estadual do PT. Na oportunidade, lideranças das duas legendas conversaram durante três horas consecutivas. Uma nova reunião entre PT e PSD ficou agendada para o próximo dia 24. “A reunião foi muito boa. Há uma tendência a uma aliança. Vamos conversar com outros partidos aliados de Dilma e avalizar com a nacional através dos presidentes nacionais”, afirmou Fábio Faria. “A tendência é natural. O PSD quer o governo, o PT o Senado”, completou.

A possibilidade de aliança entre as duas legendas surgiu da exclusão delas da chapa que vem sendo montada no estado pelo PMDB. Essa aliança contemplaria partidos que são adversários do PT em nível nacional, a exemplo do PSB, que lançará a candidatura de Eduardo Campos, o DEM e o PSDB, que terão como candidato a presidente da República o senador Aécio Neves (PSDB). Durante esta semana, lideranças do PT local confirmaram a exclusão da sigla. A posição do PMDB, de preferir o PSB, foi comunicada oficialmente ao PT em reunião, há duas semanas.

A partir dessa constatação, o PT passou a admitir aliança com os partidos que estejam na base de apoio à presidente Dilma Rousseff e que irão apoiar à reeleição da presidente. Nesse contexto, o PSD se destaca, haja vista fazer oposição à governadora Rosalba Ciarlini e ser um dos principais parceiros em nível nacional do PT. No Rio Grande do Norte, o PSD desponta com a pré-candidatura de Robinson ao governo. Como o projeto do PT é lançar Fátima Bezerra para o Senado, as duas legendas decidiram se juntar.

A força da possível aliança entre PSD e PT é justamente o fato de entre eles haver convergência de projetos. Segundo Fábio Faria, tanto Robinson, quanto Fátima “são nomes com viabilidade e estão juntos a Dilma”. “Robinson e Fátima são nomes novos, que têm o perfil que o eleitor espera para o RN. Com muita coragem e vontade pra propor e fazer o que o RN precisa. Nomes fora das famílias tradicionais”, afirmou.

 

Robinson Faria e Fátima Bezerra se reuniram ontem com lideranças de seus partidos para discutir formação da aliança. Foto: Divulgação
Robinson Faria e Fátima Bezerra se reuniram ontem com lideranças de seus partidos para discutir formação da aliança. Foto: Divulgação

 

COSTURA

A aliança em apoio a uma possível chapa Robinson governo e Fátima Senado não se restringirá a esses dois partidos. Petistas e pessedistas decidiram no encontro desta quinta iniciar um processo de costura de alianças com outros partidos. Partidos que fazem parte da base da presidente Dilma serão convidados a integrar a aliança. “Vamos conversar com os partidos da base de Dilma. São 14. Não cabem todos os partidos em aliança. Isso é natural. Todos estão conversando com todos”, afirmou Fábio.

Fábio tem mantido contatos diários em Brasília com lideranças nacionais tanto do seu partido, o PSD, quanto do PT e outras legendas da base governista com vistas à formação do palanque oposicionista a Rosalba no RN. Para ele, para os líderes desses partidos, a aliança PT/PSD “é muito bem-vinda por se tratar de dois partidos que já anunciaram que estarão juntos em 2014. E que existe um grande respeito entre eles. E por se tratar de uma aliança com apenas um presidente da República”, frisou, em referência indireta à aliança que está sendo articulada pelo PMDB no Rio Grande do Norte, que contempla PSB e PSDB, partidos que têm pelo menos duas candidaturas presidenciais: Eduardo Campos e Aécio Neves. Por conta desse cenário, segundo Fábio, as direções nacionais de PT e PMDB têm “grande torcida” para que a aliança PT e PSD com Robinson para o governo e Fátima para o Senado aconteça.

 

“Queremos apoio do PDT à chapa Robinson e Fátima”

Juliano Siqueira explicou que durante a reunião do PT com o PSD, de três horas, foi feito um levantamento geral do quadro político do RN e avaliando a conjuntura. “Avançamos no sentido de marcar novas reuniões, para estreitar posições, e discutir com partidos da base de apoio à presidente Dilma Rousseff, principalmente o PDT e o PC do B”.

Pelo calendário, segundo Siqueira, a definição será breve, até o final de março. “Isso é uma decisão a nível nacional”. “Nesse momento, contamos com o PSD como aliado preferencial. No momento, o Robinson é o único que se lançou candidato a governador.

E Fátima é nossa candidata ao Senado. Se os dois forem candidatos, considero uma ótima chapa. Agora, tem que se viabilizar. Por isso que temos que conversar com os partidos do campo popular, mas nesse momento não diria que é uma ótima chapa apenas, mas a única que existe. Wilma diz que não sabe. Henrique diz que não é candidato. Garibaldi idem”.

Ainda de acordo com Siqueira, PT não participará de palanque de três cabeças. “É o palanque que o PMDB quer montar, que reúne gregos, troianos e até romanos, gente que apoia Aécio Neves, apoia Eduardo Campos.

Para nós tudo começa com o apoio à reeleição de Dilma”, reforçou o petista. “Existem chances concretas de formalizarmos a aliança com o PSD, mas não será uma aliança exclusiva do PT com o PSD. Vamos discutir com outros partidos do campo popular”.

 

Juliano Siqueira: “Fernando Bezerra fez confissão prévia de derrota”

O presidente do PT em Natal, Juliano Siqueira, disse que o nome do PMDB cotado para disputar o governo do Estado, Fernando Bezerra, fez uma confissão prévia de derrota, ao afirmar, em entrevista esta semana à Rádio Cidade, reproduzida em O Jornal de Hoje, que não tem estatura político-eleitoral para enfrentar a ex-governadora Wilma de Faria numa disputa ao governo do Estado.

“Fernando Bezerra diz que o PMDB é refém de Wilma e que só é candidato se ela não for. É o mesmo que o America dizer que só disputa a competição se o ABC não disputar. Isso não é candidato. É uma confissão prévia de derrota”, analisou o petista, crítico mordaz da aliança costurada pelo PMDB em nível estadual.

Segundo Siqueira, o PT não participa da articulação do PMDB, por estarem envolvidos partidos inaceitáveis para os petistas, como DEM, PSDB e PPS. “São partidos que há 12 anos desenvolvem uma política sistemática contra o nosso governo e consequentemente contra o povo brasileiro. São responsáveis para crise no RN e o processo de desgaste do governo. Como admitir que os que afundaram o RN, de uma hora para outra vão se transformar nos salvadores?”, disse.

Para o petista, “essa falsa generosidade do PMDB em relação ao DEM e ao PSDB não passa de tentativa de reviver no RN a prática condenável de acordões, familiares e oligárquicos, que se reúnem e combinam como vão tomar os postos do poder”. E completa: “O povo está excluído do processo. São os mesmos atores de uma velha tragédia”.

O dirigente partidário afirma que o projeto político desenhado pelo presidente da Câmara, Henrique Alves, e pelo ministro da Previdência, Garibaldi Filho, visa a colocar todas as forças num mesmo palanque. “Estamos fora. A política do PT é clara. Nos sentimos hoje recuperando espaço, recuamos da candidatura própria buscando um entendimento com o PMDB, e eles imaginaram que nós estávamos nos colocando como refém do PMDB. Na maioria dos estados não temos coligação com o PMDB. E do jeito que as coisas estão andando, está claro que não temos nenhuma perspectiva de coligação com o PMDB. Então, o PMDB que monte o acordão, faça o palanque, reúna aliados, e nós vamos montar o nosso, que será claro e nítido de apoio à reeleição da presidente Dilma”, afirmou.

Para Siqueira, “um palanque que tem três candidatos a presidente da República foge completamente da nossa principal meta política: a reeleição da presidente Dilma”. “Aqui no RN tem articulação do PMDB com o objetivo de excluir o PT da chapa majoritária e nós não aceitamos isso. E se o PSB da vice-prefeita Wilma de Faria concorda com isso, nós não vamos com palanque que não é nem bipolar, é tripolar”, ironizou.

Ainda segundo Siqueira, ainda há muita confusão no palanque articulado pelo PMDB. “O PMDB não tem candidato nem a senador, nem a governador. O PSB não sabe se vai para o governo ou Senado”, disse. “Já no campo de Dilma, os fatos concretos são as candidaturas de Robinson e Fátima, que colocam para a opinião pública que não escolhem adversários”.

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