Fake, a besta – Rubens Lemos Filho

Nas tragédias deliciosas de Nelson Rodrigues, havia o bilhete ardiloso e a carta anônima. Irmãs invejosas criavam e denunciavam adultérios…

Nas tragédias deliciosas de Nelson Rodrigues, havia o bilhete ardiloso e a carta anônima. Irmãs invejosas criavam e denunciavam adultérios de belas e dóceis mulheres a namorados que se jogavam sob trens ou lotações, como eram chamados os ônibus de antigamente. As frustradas triunfavam silenciosas e sua caligrafia sintetizava o fel da perfeição.

O fantasma- anjo-cruel e genial com uma máquina Olivetti, também escreveu histórias sobre telefonemas misteriosos. Casamentos marcados eram desfeitos quando Ofélia ou Dagmar, dentre tantas personagens, avisava, lenço ao bocal do telefone, que Obdulinho, o noivo, estava de sirigaita nova, mantida com quitinete e Simca Chambord.

Luíza, a noiva de enxoval pronto, da pureza literária em vários contos de Nelson Rodrigues, tomava Formicida Tatu, encerrando sua dor pranteada pelo caluniado. A autora do telefonema ria, sorrateira.

O anonimato para o mal é o veneno das serpentes de moral invertebrada. Modernizou-se, como tudo na vida. Se há carros, casas, prédios, aparelhos de som e televisão, nomes diferentes, há novos métodos para os que trouxeram na formação, a deformação de caráter como estampa e figurino.

O bina telefônico, o identificador de chamadas, amenizou a criatividade das candinhas de catálogo. Hoje, trabalham usando orelhões facilmente detectados por modernos equipamentos policiais. Descobre-se tudo e o trote, que já separou marido de mulher, causou suicídios e infortúnios, deixou de ser um punhal tão perfurante.

Surgiu o e-mail, que é a carta eletrônica. Rápida e eficiente. Nelson Rodrigues já estava morto há quase duas décadas quando a internet chegou para atiçar egos e democratizar a mediocridade. Começou a onda de e-mails anônimos. O sujeito comprava um carro e o invejoso escrevia para o jornal dizendo que era fruto de roubo. Com nome falso, porque fake quer dizer falso. Em inglês.

O cabloco arrumava uma namorada bonita e o frustrado, que não descolava ninguém, nem o pior bagulho, a acusava em longas listas de ser prostituta. Tudo escondido. O falso institucionalizado, que utilizava o e-mail já começou a levar bordoadas. A tecnologia, que parece antipatizar os covardes cibernéticos, criou o descobridor de IPs, na linguagem da informática, o DNA do computador de onde saem as podridões.

A Justiça, se for acionada, pode revelar a máscara dos apócrifos e o agredido, empanturrá-lo de processos. A pena é que deveria ser forte, pois a emboscada contra a honra dói no atingido e em sua família.

O fake, em sua marcha dionisíaca, descobriu o twitter. A febre que vicia inteligentes e asnos. Mulheres interessantes e pueris. Gente digna e pústulas. São criados perfis falsos que achacam, agridem e insultam quem que não seja simpático a(ao) sociopata capaz de utilizar palavrões e caluniar a vida alheia.

Observo homens e mulheres, pais e mães de família alvejados pelas costas. Pelas costas sim. Mesmo no twitter, onde todo mundo se vê numa foto apelidada de avatar, joga-se baixo como quem atira por trás, como os lacaios a soldo. Levei bordoada de fake. Não respondi. Dei-lhe um bloqueio, que é uma espécie de bordoada virtual.

Fake, além de falso, é burro. Seu conteúdo é a maldade do seu rosto que se apresenta em público. No estilo da escrita, na expressão literal do desprezo. Na Inglaterra, um político multiplicava sua face oculta em vários nomes mentirosos, agredindo seus adversários. Foi descoberto. Bateu num inimigo a milhas de distância, na Califórnia, onde o Tribunal irá julgá-lo. Que seja condenado e o exemplo seguido no Brasil.

O fake é a face pantanosa do subconsciente criminoso. O seu rosto é uma máscara, sua vida é uma farsa, sua infelicidade é um deserto, seu grau de perversidade é o refúgio do seu próprio fracasso. Há pessoas que não podem se olhar no espelho. O fake é o seu clone físico e doentio.

O ABC

O ABC está em namoros justos com o lateral-direito Renato. E que jogador ele é. tem que se falar todo dia nele. dane-se que se machuca um bocado. Quando joga, faz todo mundo babar de adoração. Tanto elogio e Renato não me desminta esta noite. Jogo que sacode alvinegros das quintas aos condomínios da Getúlio Vargas. O Frasqueirão é democrático. É do povo.

O América

O América tem sofrido com contusões excessivas e banais. O goleiro Andrey foi um exemplo sucedido pelo próprio sucessor, Fernando Henrique. Andrey está retomando o prumo, tem personalidade e, em forma, é um dos melhores goleiros do Brasil. Sim, do Brasil, que não tem ninguém para você chamar de Taffarel, Barbosa, Gilmar dos Santos Neves ou Carlos Castilho, a Leiteria.

Alarme de consultor

A Pluri Consultoria, especializada em finanças do esporte, aponta um prejuízo de quase um bilhão de reais naqueles que listou como os 27 maiores clubes brasileiros. Imagine se fosse verificar a situação dos Cururipes e Macapás da vida.

Depressão

O futebol está depressão moral pelo vexame na Copa do Mundo e financeiro pelos altos custos, incluam-se salários astronômicos pagos a nulidades, violência nos estádios e entornos e preços segregadores expulsando o torcedor. Sem falar em jogo marcado para dez da noite e o nível “defuntório” das peladas de luxo.

Choradeira

O último ano marcou uma piora quase generalizada dos números e indicadores consolidados dos balanços dos 27 clubes de maior faturamento do País. Como é tradição nos clubes brasileiros, um menor volume de receitas não foi empecilho para um aumento das despesas, que subiram 20,2% e atingiram R$ 3,8 bilhões, o que gerou um prejuízo líquido de 445,6 milhões no exercício (contra um lucro de R$ 5,3 milhões em 2012).

Em queda

Foi o 2o maior déficit da história do futebol Brasileiro. Nos últimos 8 anos, os clubes já perderam R$ 2,42 bilhões. É isto que precisa ser urgentemente estancado. A principal falha da atual Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte (LRFE) é não limitar os prejuízos dos clubes, razão dos elevados endividamentos.

Contrapartidas

Concentrar as contrapartidas em pagamentos de salários e tributos não é suficiente para garantir o equilíbrio das contas dos clubes. É preciso limitar a última linha do balanço. É o que pensam os sábios consultores.

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