Falta de coleta agrava situação das feiras livres

Não é novidade que as feiras livres de Natal funcionam com péssima estrutura e pouca higiene. E apesar de a…

Não é novidade que as feiras livres de Natal funcionam com péssima estrutura e pouca higiene. E apesar de a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) ter iniciado, em junho deste ano, o Projeto de Padronização das Feiras, parece que nada mudou até agora. O projeto prevê a renovação das tendas, instalação de banheiros químicos, melhoria de iluminação, a segurança, padronização de lixeiras e uniformização dos feirantes. Se a falta de higiene já é comum, a paralisação dos terceirizados que prestam serviço de coleta de lixo nas feiras, agrava ainda mais a situação.

A fim de obter, principalmente, ervas, frutas, verduras e legumes frescos por um preço mais baixo, os natalenses têm um antigo hábito de frequentar feiras livres. No entanto, este passeio já não é nada agradável aos olhos. Peixes sem conservação, carnes expostas às moscas e animais circulando em meio aos alimentos, são apenas alguns dos problemas das feiras livres de Natal.

A falta de limpeza e a higienização das feiras tornam o ambiente sujo, podendo ser prejudiciais à saúde dos feirantes e dos clientes. Atualmente, não há banheiros químicos nas principais feiras da cidade, e os feirantes e clientes dependem da boa vontade dos moradores vizinhos das feiras para se ‘aliviarem’, e quando não podem contar com eles, o jeito é utilizar os postes e muros ao redor.

A feira do Carrasco, que é a segunda maior feira livre de Natal com 232 bancas e cerca de 144 feirantes, é um exemplo da falta de estrutura. O feirante Cosme Silva, reclama do esquecimento da Prefeitura para com a feira, que já foi uma referência em Natal. “A feira do Carrasco foi esquecida faz tempo, está tudo bagunçado. Não era assim, antes a feira era um modelo para toda a cidade, e muita gente vinha aqui de todas as partes da cidade. Não tem limpeza, não tem banheiro e nem bancas descentes. Algumas estão caindo aos pedaços. Quando chove, é quase impossível permanecer aqui embaixo”.

Em torno da feira há ruas sem saneamento, nas quais o esgoto está à céu aberto e quando o mau cheiro do esgoto se mistura ao das vísceras e restos do corte de carnes e de legumes, verduras, frutas jogados no chão, o resultado é um odor insuportável que incomoda aos próprios feirantes.

Entretanto, este não é o único problema. Para a feirante Telma Maria Lima, outro grande problema da feira do Carrasco é a falta de segurança. “Aqui acontecem vários assaltos, eu mesma já sofri tentativa de assalto aqui na minha banca. Uma feira desse tamanho devia ter policiais circulando para ver se está tudo bem. Assim fica difícil trabalhar com tranquilidade. Não podemos nos afastar nunca, nem pra trocar dinheiro para dar o troco do cliente”, disse Telma Maria.

Para agravar ainda mais a situação que já é comum aos feirantes, cliente e vizinhos das feiras, a paralisação dos funcionários terceirizados da SS Serviços, que prestam serviços de coleta de lixo nas feiras livres para a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) torna o problema da falta de higienização das feiras ainda mais visível. Enquanto os terceirizados não voltam ao trabalho, a Companhia de Serviços Urbanos de Natal (Urbana) está realizando a limpeza, mas para os feirantes e vizinhos, o trabalho está sendo muito superficial.

Para o técnico em segurança do trabalho, José de Morais, que é cliente assíduo e vizinho da feira do Carrasco, a tentativa da Prefeitura de camuflar o problema não muda nada. “A Urbana vem e limpa a feira antes de começar, como fizeram ontem. Mas quando acaba, o mau cheiro é insuportável e quem mora perto sofre muito com isso. A Prefeitura devia disponibilizar água encanada para higienização na feira. Os comerciantes pagam por este espaço e não são devidamente atendidos. Eu gosto de feiras livres e frequento sempre que posso. A feira do Carrasco melhorou em alguns aspectos, mas ainda há muito o que fazer”, disse José de Morais.

Até que recebam os salários atrasados desde maio, os terceirizados responsáveis pela limpeza manterão suas atividades paralisadas e não as retomarão até que o pagamento dos salários atrasados seja efetivado. Em virtude disso, os próprios feirantes estão realizando mutirões de limpeza ao término das feiras, pois a limpeza que a Urbana faz é eventual. No próximo dia 5, a SS Serviços e a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur)  estarão em audiência de conciliação para negociar o pagamento da dívida aos terceirizados.

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