Fase do Condor – Rubens Lemos

Ando pela fase do Condor. Esqueça a grafia e acompanhe a pronúncia. Com dor de cabeça, com dor lombar, com…

Ando pela fase do Condor. Esqueça a grafia e acompanhe a pronúncia. Com dor de cabeça, com dor lombar, com dor de impaciência, com dor de agulha de injeção. Condor sem asas para voar. Aos 44 quase feitos, o que convém garantir a fortaleza do calibre. Tomara que sim.

Estou, grosso modo, tentando cumprir determinações médicas e afetivas para corrigir males de saúde produzidos pelo estresse, o cansaço e a idade do corpo que não acompanha à do cérebro. Pela primeira vez, sinto receio de pifar subindo dois lances de escada. Culpa minha, triturador silencioso dos meus cacos de vidro emocionais.

Passei a percorrer clínicas, a esperar em recepções de consultórios lotados de gente e ansiedades. Faço parte do meio-campo da segunda mencionada. É nos apetrechos eletrônicos e seus adereços providenciais quando precisamos e detestáveis quando acionados para mensagens inúteis, que vou me atualizando enquanto os especialistas avaliam minhas taxas de crédito fixadas pelos laboratórios de análises clínicas.

Gosto um bocado de vasculhar por remexer papeis antigos. Consultórios médicos são mausoléus de revistas e jornais desatualizados. Ou não. Mudam as figuras e algumas vezes o modus operandi. Esprema o conteúdo que a vida é previsível e igual até nas hecatombes. Reencontrei ontem, desprezado, um exemplar de cinco anos passados da pernambucana Continente Cultural, das melhores que já li na minha vida.

É questão de gosto – bom ou mau – fato é que a Continente Cultural sempre me agradou pela sofisticação discreta de seu layout e a qualidade dos seus textos. A turma realmente entendida do riscado da literatura, do cinema e da pintura, com sua corriqueira humildade e falta de ego, está liberada para achar que eu não entendo nada de cultura.

Eu sou um curioso. Não nego e estiro o dedo (polegar) solenemente para os chatos de conhecimento ensovacado. São aqueles que vivem com um livro debaixo do braço para demonstrar erudição.

O fato é que nenhum deles conseguria escrever uma nota de falecimento seguindo os bons critérios editoriais da velha Continente Cultural, humilhada, achincalhada junto a uma porcaria sobre novela chamada Contigo. A Contigo muito mais manuseada, disputada pelos tensos na expectativa da sentença de jaleco. Contigo sem uma linda atriz na capaz, por exemplo, a bela loirinha Fernanda Rodrigues.

Dar uma passada rede social está um porre no período de campanha política. E de ressaca incurável dos 7×1 da Alemanha. O que tem de gente confundindo crítica com desrespeito, trucidando o idioma talvez na cegueira do ódio e xingando quem vai aplaudir e bajular quando estiver eleito é um absurdo. Irrita mais que zoada de muriçoca, pior que a picada. São os ossos da decolagem do Condor de motor avariado.

Estava mesmo era disposto a falar sobre Dunga, o que não é agradável de jeito nenhum. Dunga voltou menos grosseiro na aparência, mas as entrelinhas desnudam sua intolerância e atraso de mentalidade. Gostaria de comentar sua declaração para a Rede Globo sobre as categorias de base no futebol.

Dunga disse love, cantaria Caetano. Criticou os técnicos que esquematizam e brutalizam crianças de 13, 14 anos. Dunga disse que menino dessa idade tem é que driblar, driblar muito. Logo ele que vive a impedir e tolher a arte patenteada por Mané Garrincha, muito irresponsável para ser escalado em time treinado pelo sempre chateado treinador.

Dunga disse love ao enaltecer o drible. Pode até vir o arrependimento e ele pedir direito de resposta, emitir uma nota de esclarecimento escrita por Galvão Bueno. Problema é que ele fala e não faz. Igual a mim, que esqueci das minhas cautelas, priorizei os outros e estou aqui, folheando traças, jogando conversa fora pra você suportar. Conversa não, Condor. Com eme. No fim, de forma nenhuma.

Segurar no início

O ABC – por vários desfalques e falta de opções maiores – deve manter a filosofia de contra-atacar amanhã contra o Novo Hamburgo pela Copa do Brasil. Se conseguir fazer um gol logo de início, pode levar o anfitrião ao desespero e tocar a bola. Tocar a bola. Eis a questão, sem um meia-armador em boa fase.

Técnico gripado

O técnico Itamar Schulle, do Novo Hamburgo, não comandou as atividades do clube dois dias antes do jogo contra o ABC, quarta-feira no Rio Grande do Sul. Está gripado e poupado para o confronto. O Novo Hamburgo jogou de razoável para bem na derrota por 1×0 em Natal e terá de volta o meia Preto, no jogo decisivo da Copa do Brasil.

América contra o Santa Cruz

O técnico Oliveira Canindé deve escalar sábado, jogo importante contra o Santa Cruz (PE) na Arena das Dunas o seguinte time do América: Fernando Henrique, Marcelinho, Cléber, Roberto Dias e Wanderson; Márcio Passos, Val, Fabinho e Jefferson; Rodrigo Pimpão e Isac.

Alecrim

O que será feito do Alecrim? O silêncio berrante parece ser intimidador. O Alecrim é patrimônio de Natal. Têm que viver.

Treinador no bolsa-atleta

Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 7575/14, do Senado, que destina 10% do valor da Bolsa-Atleta ao treinador do beneficiário. Pelo texto, para receber o dinheiro, o técnico deverá ser formado em Educação Física e não poderá receber salário de entidade de prática desportiva. Além disso, deverá estar vinculado ao atleta bolsista por no mínimo um ano. De acordo com o autor da proposta, o ex-senador Expedito Júnior, os treinadores têm sempre “lugar decisivo” na manutenção da prática desportiva.

Referência

“Não só o treinador representa uma referência determinante nas emoções, pensamentos e comportamentos do atleta, como o atleta também procura nele a segurança que necessita”, sustenta. Criada prioritariamente para financiar atletas de alto rendimento em modalidades olímpicas e paralímpicas, a Bolsa-Atleta possui seis categorias.

Tramitação

Nas duas primeiras – atleta de base e estudantil – são destinados R$ 370 por mês aos bolsistas. Na categoria atleta nacional, o valor pago é de R$ 925, e para atleta internacional de R$ 1.850. Para atleta olímpico e paralímpico, a quantia sobe para R$ 3.100.

Teto de 15 mil

Já atleta de pódio recebe R$ 15 mil mensais. Em regime de prioridade e em caráter conclusivo, o projeto será analisado pelas comissões de Esportes; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

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