Fatos e bastidores
> A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário (PT-RS), propõe a apuração do envolvimento de José Maria Marin na prisão do jornalista Vladimir Herzog, morto sob tortura na fase mais perversa da ditadura militar. À época, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol era da bancada da Arena na Assembleia Legislativa de São Paulo. Marin, velho integralista, governou o estado (maio de 1982 a março de 1983) e atuou no movimento político-empresarial de Caça aos Comunistas.
> Tucano do Paraná, Álvaro Dias afirmou ontem, no Senado, que o ministro Guido Mantega (Fazenda) “Veio para confundir, não para explicar”. Foi rebatido pelo líder do governo na Casa, Eduardo Braga (PMDB-AM): “A agenda macroeconômica do nosso país está sendo atendida com responsabilidade e bom senso.”
> Há algum tempo, o PPS sinalizava que ficaria fora da órbita do PSDB. A partir da próxima semana, a legenda começa a tomar rumo. Definição, porém, só no fim deste ano, quando realizará seu XVIII Congresso. São três as vertentes de opinião. Um grupo prefere aliar-se ao projeto do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB); outro, ao da ex-senadora Marina Silva, a acriana que tenta criar o partido Rede Sustentabilidade. O terceiro, bem menor, defende candidatura própria à Presidência da República, em 2014. Nos três blocos, há torcedores de uma hipotética fusão, para abrir janela que ampare parlamentares insatisfeitos em outras siglas.
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Discurso à elite
Em São Paulo, Eduardo Campos não se fez de rogado.
Reunido com cinco dezenas de empresários (*) – grandes e médios –, o governador de Pernambuco falou como “muito provável” candidato ao Palácio do Planalto, segundo um dos presentes.
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Campos fez comentários interessantes, sempre insistindo na necessidade de renovar a política e de se fazer mais pelo País. O birô da coluna selecionou quatro. Seguem sem aspas, porque as afirmações não são literais:
1. O projeto político que ajudei a eleger não tem condições de dar passos adiante;
2. É preciso ouvir os críticos. Fazer crítica não é ser adversário;
3. Popularidade vai e vem. Popularidade é garantia de voto;
4. Há problemas na economia e na administração. O Brasil corre o risco de perder o ano, se apenas forem privilegiadas as composições político-eleitorais.
???
(*) A reunião-jantar, há dois dias, foi na casa do ex-deputado Flávio Rocha, diretor do Grupo Riachuelo.
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Golpe é manjado
Esperteza quando é demais vira bicho e come o dono.
O adágio cai bem como referência à ação política de Gilberto Kassab (foto), ex-prefeito de São Paulo e, desde a refundação, presidente nacional do PSD.
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Trata-se do conhecido jogo duplo; aliás, triplo.
Kassab corteja o governo, quando declara apoio à reeleição da presidente da República; insinua-se à oposição, ao admitir uma conversa aprumada “no tempo certo”; e banca independência, se o assunto é o comportamento das bancadas do peessedê no Senado (dois representantes) e na Câmara (48 deputados).
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- Cássio Cunha Lima (PSDB) lidera as intenções de voto para voltar ao Executivo da Paraíba. Conforme pesquisa assinada pelo Instituto Consult, o senador social-democrata, fosse hoje a eleição, bateria o governador (recandidato) Ricardo Coutinho (PSB). Percentual do placar: 37,5 a 27,7.
- Em maio, Renato Pereira estreia como marqueteiro do PSDB federal.
- Informa o IBGE: a capital da República tem o maior índice nacional de habitantes empregados do governo regional: 5%. No Rio Grande do Norte (16º lugar), 1,7% da população.
- José Fortunati sucede a João Coser na presidência da Frente Nacional de Prefeitos. Fortunati (PDT) governa pela segunda vez consecutiva a capital gaúcha. Coser (PT) administrou Vitória (ES) durante oito anos.
- O potiguar Paulo Davim (PV) integra a comissão de senadores que vai propor alternativas para o financiamento da saúde pública. O presidente do colegiado é Vital do Rego (PMDB-PB); o relator, Humberto Costa (PT-PE).
- Bom fim de semana e até terça-feira. Segunda, Joaquim Pinheiro redige e edita a coluna.
- Para refletir: “O que parece o auge do absurdo numa geração, muitas vezes torna-se o auge da sensatez na seguinte” (Adlai Stevenson, político estadunidense).


