Fecomércio e governo não crêem em frustração econômica na Copa

Emprotur diz que impactos positivos podem durar

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Marcelo Lima

Repórter

Para representantes do trade turístico e órgãos governamentais da área, o retorno do investimento feito para Copa do Mundo está dentro da expectativa. Apesar disso, desde o início da Copa do Mundo em Natal, artesãos, locadoras de carros e bugueiros reclamam de frustração no movimento esperado para este período.

Na opinião do coordenador da Câmara de Turismo da Fecomércio/RN, George Gosson, os empreendedores que não acompanharam de perto a preparação da cidade para o evento é que não tiveram suas expectativas correspondidas. “As pessoas que estão acompanhando esse planejamento e as informações sobre o evento tiveram suas expectativas atendidas”, considerou.

A sazonalidade (variação no movimento de turistas) na ocupação dentro do período do evento é uma dessas informações que evitou surpresas no setor hoteleiro. “Um estudo da FOHB [Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil] mostrou que na copa da Alemanha [2006] e da África do Sul [2010], houve sazonalidade dentro do próprio evento. No Brasil, está acontecendo da mesma forma”, comentou.

Segundo o coordenador da Câmara de Turismo, no intervalo entre um jogo e outro, a ocupação dos hotéis caem porque “as pessoas estão acompanhando os jogos pelo país”. Para exemplificar essa situação, ele apresentou números de hotéis administrados por sua família em Natal (Holiday Inn e Praia Mar), onde a ocupação do dia 20 ao dia 22 deste mês a ocupação foi reduzida a aproximadamente 45%. “A média esperada de ocupação do evento todo é de 75%”, acrescentou.

Ainda conforme Gosson, os preços na rede hoteleira de Natal foram reajustados, de acordo com a demanda, depois que a operadora da Fifa devolveu os leitos reservados. Depois do fim do mundial, também será feito um levantamento das outras operadores que não trabalham diretamente com a Fifa, mas identificá-las com o intuito de manter o fluxo de turistas enviados por elas. “Acho que pode ter de repente alguma expectativa frustrada na área de passeios de buggys, mas os demais estão dentro do previsto”, avaliou.

Para constatar de forma mais precisa se as estimativas pré-copa se confirmarão, o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC), da Fecomércio/RN, está em campo. Segundo Gosson, o objetivo é verificar aspectos como o tempo de permanência, hábitos de consumo e demais informações sobre esse tipo turista.

Chuvas podem ter atrapalhado negócios

O presidente da Empresa de Potiguar de Promoção Turística (Emprotur), Alexandre Mulatinho, acredita que as chuvas podem ter atrapalhado as metas de empreendedores que esperavam mais desse momento. “Você tem que ver que tivemos uma temporada atípica de chuvas”, argumentou.

De acordo com o levantamento pela Emprotur, 100.800 ingressos para os quatro jogos foram vendidos para turistas, sejam eles estrangeiros ou brasileiros. O Ministério do Turismo tinha uma estimativa de 172,3 mil turistas na capital potiguar durante o período da Copa.”A hotelaria foi muito bem com até 90% de ocupação. Os shoppings também tiveram grande movimentação principalmente em lojas de material esportivo, o setor de restaurantes também. Agora nem todo mundo vai ter 100% de aproveitamento”, ponderou Mulatinho.

O presidente da Emprotur classifica o momento como “o melhor já vivido pelo turismo do Rio Grande do Norte”. “Estudos internacionais mostram que uma Copa traz impacto para o turismo por até 10 anos”, acrescentou.

Mulatinho citou o estudo feito pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo, onde foi apontado que o turismo cresceu sua parcela de contribuição do Produtor Interno Bruto (PIB) nos últimos quatro países que sediaram o mundial. “Isso mostra quanto a Copa impulsiona e fixa o turismo no país”, declarou.

Na contagem da Emprotur, os países que mais enviaram turistas para Natal foram os EUA (23 mil, considerando apenas os que compraram ingressos), Japão e México (cerca de 20 mil cada). “Além disso, tem o aspecto midiático do evento”. Segundo o Ministério do Turismo, a Copa do Brasil terá 3,6 bilhões de telespectadores pelo mundo vendo por meio de dispositivos móveis, computador ou televisão. “A repercussão do primeiro jogo dos EUA em Natal foi a primeira página em todos os periódicos”, disse. Para o coordenador da Câmara de Turismo da Fecomércio/RN houve uma surpresa positiva com o público norte-americano, que é qualificado e agora virou alvo do setor turístico do Rio Grande do Norte.

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