Federação de Umbanda e Candomblé quer construir Largo para Iemanjá

Estátua foi alvo de vândalos durante o Carnaval

Frequentadores da Praia do Meio lamentam depredação do braço esquerdo da imagem. Foto: Wellington Rocha
Frequentadores da Praia do Meio lamentam depredação do braço esquerdo da imagem. Foto: Wellington Rocha

Na manhã desta quinta-feira, os frequentadores da Praia do Meio, na zona Leste de Natal, lamentavam a depredação da estátua de Iemanjá, que teve parte do braço esquerdo destruído durante o período do Carnaval. A Polícia Militar acredita que a ação aconteceu na madrugada da última quarta-feira (5). Não é a primeira vez que o monumento religioso é alvo de vandalismo. Em janeiro de 2012, a estátua teve as duas mãos arrancadas.

O almoxarife Ivanildo Lima contou que quando soube da depredação fez questão de ver de perto o ocorrido. “Vi no jornal e fiquei indignado. Além da religiosidade, também tem a questão turística e é lamentável que isso ocorra em pleno Carnaval, época que tem uma maior quantidade de turistas em Natal. Mais uma vez nossa cidade vai passar algo negativo. Isto é coisa de vândalo e mesmo que fosse um ataque de pessoas de outra religião, teria que ter respeito”, disse.

O pedreiro Francisco Lopes também reprovou a ação e acredita que deveria haver mais policiamento na área durante períodos de maior circulação de pessoas, como o Carnaval. “Com certeza esses bandidos agiram quando tiveram uma oportunidade. Aqui tem policiamento, há certa fiscalização, mas neste período sabemos que o reforço de policiais é muito maior no interior e não na capital”.

Já o ambulante José Ribeiro, que trabalha há mais de 20 anos na Praia do Meio, disse que a ação de vandalismo foi para retirar da mão esquerda da estátua moedas e cordões de ouro oferecidos por devotos. Na umbanda, a Iemanjá é a orixá considerada a rainha e protetora dos mares. “Isso foi a bandidagem que tentou roubar a oferenda, pelo menos é o que estão dizendo. Realmente é uma pena, até porque não é a primeira vez que isso acontece”.

De acordo com Maciley Maciel, presidente da Federação de Umbanda e Candomblé do Rio Grande do Norte – entidade que mantém o monumento feito de concreto e ferro e que ao longo dos 15 anos de existência acumula vários sinais da ação do tempo, como rachaduras e ferrugens – o sentimento é de mágoa e indignação. “É uma grande falta de respeito. Independente da religiosidade, esta também é uma agressão a um ponto histórico e turístico. Muitos turistas vêm de outros estados para ver e reverenciar Iemanjá. Não sabemos quem fez, quem viu, mas isto é uma ação de vândalos”.

Ainda segundo Macieley, desde 1995, a Federação luta pelo isolamento da área onde está situada a Iemanjá e pela construção de um largo. “Esta é uma bandeira da nossa federação em parceria com a União Espírita e desde a gestão passada solicitamos uma audiência para pedir o isolamento da área, com 100 metros à esquerda e 100 metros à direita. É necessário este isolamento tanto pela questão da segurança e principalmente nas épocas mais festivas, como fim de ano e início de ano, até o Carnaval, quando, muitas vezes, não há como fazer a oferendas. Aquele poste em frente à Iemanjá não tem iluminação e se colocarmos luzes de LED corre o risco de roubo. Vamos continuar na luta pela construção do largo de Iemanjá. Já solicitamos uma audiência com a Semsur, vamos também atrás do Estado e da União, através dos ministérios da Cultura e de Políticas Públicas e Igualdade Racial. Também iremos conversas com o setor privado para iniciar este isolamento”, disse.

A Federação de Umbanda e Candomblé do Rio Grande do Norte anunciou que irá fazer a restauração da estátua e que há planos de construção de uma imagem maior. Na próxima segunda-feira (10), no período da tarde, também será enviada uma equipe de engenheiros voluntários para a Praia do Meio, que fará uma avaliação técnica da estrutura da estátua antes das intervenções previstas. “Iremos fazer um monumento bem maior do que a atual. A imagem mais conhecida de Iemanjá, com vestido azul e cabelos longos, é a uma característica da Umbanda, mas no candomblé os orixás são negros. Iremos fazer uma imagem grande, mas na base, haverá imagens menores, de cerca de 1,2 metro, se apresentando de acordo com o que a Iemanjá representa para as nações africanas”, completou Macieley.

De acordo com o comandante do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), major Carlos Macêdo, a fiscalização através das câmeras presentes na Praia do Meio não captou a ação dos vândalos. “A câmera fica distante da área e quando começamos a ver a imagem ficou impossibilitada a visualização. Achamos que foi na madrugada da quarta-feira. Estamos preparados para mostrar o material que temos, mas ainda estamos no aguardo da solicitação da delegacia da área, o que ainda não aconteceu”.

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