Federação Trabalhadores na Indústria do RN externa preocupação com demissões‏

Federação homologou 514 demissões na sede de Natal e mais 189 casos na sede de Mossoró nos 7 primeiros meses do ano

Joaquim Bezerra de Menezes Neto, presidente da FTI-RN. Foto: Divulgação
Joaquim Bezerra de Menezes Neto, presidente da FTI-RN. Foto: Divulgação

O setor da indústria do Rio Grande do Norte tem sofrido com aumento das demissões, inclusive demissões em massa e até mesmo fechamento de empresas. A Federação dos Trabalhadores na Indústria do RN tem registrado homologações diariamente, mas, também tem registrado o não cumprimento dos direitos dos trabalhadores por parte das empresas, o que tem gerado preocupação. Até julho deste ano, foram mais de 700 demissões.

No mês de agosto, por exemplo, uma mineradora localizada na cidade de Jucurutu fechou as portas e demitiu 22 funcionários, sem, no entanto, pagar os direitos trabalhistas. Isso fez com que o departamento jurídico da Federação entrasse com uma ação coletiva, de número 0001025-35.2014.5.21.0006, junto ao Tribunal Regional do Trabalho.

“Além de ingressar com a ação, entramos com uma liminar para que os trabalhadores possam receber pelo menos o FGTS e o Seguro Desemprego de imediato”, comenta Joaquim Bezerra de Menezes Neto, presidente da FTI-RN.

De acordo com ele, nos sete primeiros meses de 2014, a Federação homologou 514 demissões na sede de Natal e mais 189 casos na sede de Mossoró, somando mais de 700 demissões em apenas sete meses. Ainda segundo Joaquim Bezerra, os dados são de apenas parte do setor da indústria que é representado pela Federação e não incluem áreas como construção civil e têxtil, que também têm registrado demissões.

Em igual período de 2013, de janeiro a julho, a FTI tinha homologado 457 demissões. Ao longo de todo o ano passado foram 797 demissões registradas na Federação. Já em 2012 foram 761 casos e, no ano de 2011, 687 demissões. “Ou seja, nos últimos anos temos registrado aumento e, neste ano de 2014, em apenas sete meses, já estamos próximos ao total do ano passado”, ressalta.

Fechamento de indústria é reflexo da falta de política de incentivo fiscal

Na semana passada, a fábrica de calçados Alpargatas fechou mais uma unidade, desta vez, na cidade de Santo Antônio. O anúncio do fechamento pegou de surpresa os trabalhadores e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria dos Calçados no Rio Grande do Norte. Aproximadamente 200 pessoas foram dispensadas da empresa.

Marcones Marinho da Silva, secretário geral da FTI-RN e representante do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria dos Calçados, ressalta que é essa não é a primeira vez que isso acontece. Em 2008, a Alpargatas fechou a unidade da cidade de São Paulo do Potengi e, em 2012, a de Natal, no bairro de Neópolis.

“Infelizmente, nós e os trabalhadores só sabemos do fechamento no dia em que a fábrica é fechada. Então, todos são pegos de surpresa. Além disso, é de extrema preocupação o que tem acontecido no Rio Grande do Norte. Sabendo disso, o Sindicato tem tentado reunião com o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, mas sem sucesso”, revela.

De acordo com Marcones, os trabalhadores buscam entender como tem funcionado o relacionamento entre o Governo do Estado e as indústrias no Rio Grande do Norte. “Isso porque, ao contrário do que possa parecer, a Alpargatas, por exemplo, de acordo com a revista Exame, teve uma receita líquida de R$ 1,747 bilhão, de janeiro a julho deste ano, com elevação de 9,5%, o que vai na contramão do fechamento de uma unidade por suposta crise no setor”.

Para o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria dos Calçados no Rio Grande do Norte, o que falta é política de incentivo fiscal para indústrias que atuam em solo potiguar. “Outros estados do Nordeste, como Paraíba e Ceará, têm atraído cada vez mais empresas. Inclusive, coincidentemente, a própria Alpargatas, teve expansão de suas atividades na Paraíba, nos últimos anos”, destaca Marcones.

Joaquim Bezerra de Menezes Neto, presidente da FTI-RN alerta: “se os gestores não pensarem uma política de incentivo fiscal que vise curto, médio e longo prazo, projetando o futuro da indústria no Estado, a situação tende a se agravar e as demissões e fechamento se tornarem cada vez mais constantes”.

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