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Felipe Maia garante: “Projeto do DEM é reeleger a governadora Rosalba Ciarlini”

Data: 12 janeiro 2013 - Hora: 18:56 - Por: Portal JH

Escolhido como o melhor parlamentar de 2012 pela revista Veja, por sua atuação em defesa de um país “mais moderno e competitivo”, o deputado federal Felipe Maia (DEM) não esconde sua insatisfação com o governo federal. Em ascensão na Câmara, o democrata cobra mais planejamento e fiscalização da gestão Dilma Rousseff (PT). Segundo Felipe, o país precisa aumentar seus investimentos em infraestrutura, mas, para isso, será necessário reduzir o custeio da máquina administrativa. O parlamentar também demonstra preocupação com as obras voltadas para a energia eólica no Rio Grande do Norte. Para o deputado, o governo federal precisa construir ao menos uma linha matriz para a distribuição da energia pelo país.Sobre o RN, Felipe Maia defendeu o governo Rosalba, detalhou os pontos positivos dos primeiros dois anos da sua aliada, mas disse que tem consciência “que governo tem criado algumas lacunas nas expectativas da população, como é o caso da saúde”. Com relação ao futuro, admitiu que vai disputar um novo mandato de deputado federal em 2014 e acrescentou que o projeto político do DEM para o próximo ano é “reeleger a governadora Rosalba Ciarlini”. Confira abaixo a entrevista completa.

 

O JORNAL DE HOJE – A revista Veja lhe elegeu como o melhor parlamentar do Brasil em 2012. Como o senhor recebeu esta notícia?
FELIPE MAIA – Isso é o resultado de um trabalho que vem sendo levado a sério nos meus últimos sete anos de mandato. Ou seja, ao longo dos meus dois mandatos. Estamos fazendo política com espírito público, utilizando o mandato para pensar o Brasil e buscar soluções para que possamos ter um Brasil competitivo e moderno. E isso se passa por alguns requisitos, como a redução da carga tributária, a redução do tamanho da máquina, a transparência no pagamento de impostos. Um Brasil que cresça não em cima do consumo, mas sim do investimento na infraestrutura, na remuneração dos profissionais que são essenciais para o crescimento de um país como é o caso dos professores. A Veja tirou uma foto justamente em cima desses pilares, que são os que eu defendo ao longo dos meus dois mandatos. Não existe o melhor deputado da Câmara. Existem deputados que trabalham, aqueles que trabalham na média e outros que não tem tanto espírito público. Mas não existe o melhor da Câmara, existe aquele que defende determinada bandeira. Eu recebo com muita humildade esse prêmio, essa nota 10 na Câmara.

JH – O que falta para o Brasil se tornar um país mais competitivo?
FM – Falta planejamento e fiscalização. Segundo é preciso diminuir o tamanho do custeio da máquina para que sobre dinheiro para o investimento, e investir na infraestrutura do país, nisso me refiro a portos, aeroportos, estradas, linhas de transmissão de energias. Isso é investimento em infraestrutura, isso é planejamento e fiscalização. O que falta é isso. Está aí a obra da transposição do Rio São Francisco, o carro chefe do governo federal, do PAC, que estava estimada em R$ 4,5 bilhões e hoje está em R$ 8,2 bilhões e apenas 40% da obra está concluída. Isso é o retrato do governo federal. Um governo que não planeja e não fiscaliza e deixa que o dinheiro público seja gasto sem grandes responsabilidades. Eu aplaudo os acertos do governo, mas eu tenho obrigação como legislador e fiscalizador do governo de denunciar e levantar os pontos que não concordo, como esse gasto em uma grande estrutura governamental de 39 ministérios, de milhares de cargos comissionados, de grandes gastos com cartões corporativos e com a falta de fiscalização no controle dos gastos com investimentos. Tudo isso resulta na diminuição na capacidade do governo federal em investir no país e consequentemente na não intenção do setor privado em investir no país. Qual empresário vai querer investir no país se não tem opção de escoar sua produção? Que tem insegurança jurídica nos contratos que firma com o governo federal? Esse é o resumo das dificuldades que o Brasil enfrenta para crescer e consequentemente gerar emprego e renda e ter um crescimento sustentável em cima do investimento no país, não no consumo. Não sou contra, por exemplo, o Bolsa Família, mas acho que o governo precisa oferecer uma porta de saída do programa para que essas pessoas possam ajudar o país a crescer de forma sustentável. Não adianta crescer a economia através do consumo do Bolsa Família se aquela pessoa não tem sua geração de fonte de renda. Isso é uma bolha que o PT criou, que iludiu a população economicamente e que começou a estourar agora, com o pífio crescimento do PIB. O crescimento que era estimado em 5%, vai fechar em 1%.

JH – O Brasil um dia vai conseguir chegar no patamar de um país moderno e competitivo ou isso não passa de um sonho?
FM – Não é sonho. É preciso a conscientização dos governantes. Se tivermos a consciência que o governo tem que ser exercido não para se ter um retorno político eleitoral e sim para se investir no país, seja em saneamento, seja em educação, seja em linhas de transmissão, ou seja, não precisa usar o poder para conquistar votos, é preciso governar e votos é uma consequência. O Brasil é um país muito rico, é possível voltar a crescer de forma sustentável e um dia atingirmos o patamar de um país moderno e competitivo. É preciso mudar a consciência dos governantes, poderemos ser um país competitivo.

JH – Com relação a situação da energia eólica no RN. Quem é o culpado pela não construção das linhas de transmissão: Estado,  bancada do RN ou governo federal?
FM – Planejamento e fiscalização são duas palavras chaves. Uma estrutura de eólica é construída em dois anos, uma estrutura de transmissão é construída de 3 a 4 anos. Não se pode licitar um contrato de eólica e depois construir a linha de transmissão porque ela demora mais a ser construída. Mas foi o que foi feito. O que eu acredito é que o governo deveria investir em infraestrutura. Talvez a solução fosse construir uma espécie de linha mestre, uma matriz, em que as eólicas joguem energia nessa linha. Seria um grande investimento, mas solucionava de uma vez todo o problema. Defendo um estudo e planejamento para expansão do sistema. É preciso estudar o mapa para descobrir onde pode colocar essa linha e no contrato da licitação já colocava a responsabilidade para o empreendedor que vai colocar os cata ventos. A culpa não foi do governo do Estado, nem da bancada federal. Nós vamos ao ministro Edson Lobão após o recesso para cobrar a ele a execução do cronograma por parte da Chesf dessa linha de produção, mas seria a solução de um problema pontual, e para as demais plantas. Essa sugestão é uma solução definitiva, não é paliativa. Cabe aos especialistas fazer os estudos dessa linha matriz, que resolveria a geração de energia limpa. Eu não tenho dúvida que a bancada federal, encabeçada pela governadora Rosalba e por nosso coordenador João Maia, vai se reunir e cobrar do ministro as providências para o cumprimento desse contrato.

JH – O país passa por uma nova crise no seu sistema de energia e se fala em novo racionamento. Como analisa esta situação, quando o país sofre ameaça de mais apagões enquanto energia renovável é desperdiçada no Nordeste?
FM – Falta planejamento do governo em utilizar um grande potencial de vento do Nordeste brasileiro, uma energia limpa, para tornar o país livre de uma ameaça de racionamento de energia elétrica. Os reservatórios de energia estão no ponto crítico, se chover a média dos últimos 30 anos, vai haver um risco real de faltar energia novamente e nós estamos falando de especialistas. A presidente da república é especialista no assunto, entende da área energética, não falta conhecimento técnico, ela é cercada por pessoas que entendem da área. Não sou eu que vou apresentar uma solução, mas estou apresentando uma ideia, que resolveria a questão das linhas de transmissão da energia eólica, cairia no colo do empreendedor a responsabilidade para jogar essa geração energética na linha matriz.
JH – Deputado, a governadora Rosalba Ciarlini passa por uma crise administrativa, sendo alvo constante de críticas. Como o senhor analisa esta situação?
FM – Rosalba teve oportunidade nesses dois primeiros anos de mandato de definir algumas marcas do governo. Uma delas é a seriedade na conduta dos gastos públicos, é uma marca do governo Rosalba o respeito no dinheiro público, nos gastos, na execução dos contratos. A ONG Contas Abertas tirou o RN do 25º lugar para 11º em termos de transparência pública, ninguém contesta a seriedade desse governo. Além disso, este governo tem investido em obras estruturantes, que muitas vezes não se vê em um primeiro momento. São várias estradas, no saneamento o objetivo é elevar de 27% para 65% a cobertura no estado. É uma obra que ninguém vê, mas que sentirá as consequências favoráveis no futuro. Hoje, 12 hospitais estão em obras simultaneamente no RN. A governadora tem investido em segurança com aquisição de armas, veículos. São alguns pontos que destacaria do governo. Mas eu sou consciente que governo tem criado algumas lacunas nas expectativas da população, como é o caso da saúde. Eu analiso com cautela essa situação. Os médicos merecem todo o respeito, mas sempre há os bons e os ruins, existem os que querem dar o plantão e os que não querem. A governadora é médica e tenho certeza que não há outra área que ela tenha maior consideração. Eu tenho o maior respeito por esta categoria profissional e tenho certeza que a governadora está tendo toda a atenção com esse assunto. Agora, o governo está buscando atingir as expectativas da população, tem se dedica a obras importantes para o futuro do RN, é marcado pela seriedade e conta com todo o meu apoio como deputado federal. A governadora nesses dois primeiros anos teve que suprir a necessidade dos hospitais municipais, que estavam em colapso e toda a demanda foi recebida pelo Walfredo Gurgel. Eu faço votos de sucesso ao novo prefeito e espero que ele ajude o governo do Estado a diminuir esse movimento para que a população possa ter melhor qualidade no atendimento.

JH – Diante dos altos índices de desaprovação do governo, o senhor ainda acredita que a governadora tenha chances de vitória em 2014?
FM – Acho que a governadora tem todas as condições de chegar com condições de competitividade em 2014. Ela tem enfrentado várias dificuldades, consequência que todos os gestores têm enfrentado no país, devido a má divisão do bolo fiscal, além das benesses que o governo federal dá com os recursos dos estados, como a redução do IPI. Mas eu acredito que a governadora Rosalba chegará em 2014 bem avaliada, o que irá viabilizar a disputa da reeleição. Mas acho que hoje ela não pensa nisso, ela está dedicada ao trabalho que precisa realizar e sabe que precisa chegar ainda mais perto das necessidades da população.

JH – Qual o projeto político do DEM para o RN no próximo ano?
FM – O projeto do DEM é reeleger no RN a governadora Rosalba Ciarlini.

JH – Muitas notícias e especulações apontam para o afastamento do PMDB da base aliada de Rosalba. Como está a relação do DEM com os peemedebistas? Há perigo?
FM – Não acredito que PMDB vá se afastar da governadora. O que existe nesse momento e o que eu estou entendendo é que havia uma falta de diálogo, mas isso é muito fácil de se resolver. Basta uma conversa para que os dois lados possam entender as respectivas pretensões. Inclusive, hoje (sábado, dia 12), está sendo realizado um almoço com a governadora e todas as lideranças do PMDB, o que mostra que o partido está afinado com a governadora Rosalba Ciarlini. O encontro é motivado, inclusive, por lideranças do PMDB. Ou seja, neste momento não há o que se falar em afastamento do PMDB do DEM. As lideranças do PMDB estão solidárias e companheiras da governadora.

JH – Diante desta realidade e da continuidade da aliança com o PMDB. Quais os melhores nomes para compor a chapa ao lado da governadora Rosalba como candidatos a vice-governador e a senador?
FM – É muito cedo para falar quem seria o companheiro de Rosalba na eleição, assim como quem seria o senador. Fala-se em alguns nomes para o Senado, como os deputados Henrique Alves e João Maia, assim como se fala em alguns nomes para vice, como Walter Alves. Mas não me cabe fazer essa análise. Estamos na metade do mandato e até a eleição muitas coisas podem acontecer. Mas eu acho que alguns nomes já aparecem na base do governo para compor essa chapa com Rosalba em 2014.

JH – Como será sua relação com o prefeito Carlos Eduardo Alves, já que não o apoiou na campanha?
FM – O prefeito de Natal deve saber que faço um mandato acima das questões políticas. Eleição são três meses. Quem me elegeu foi o povo do RN e em grande parte o povo de Natal. Não posso de forma alguma está distante da cidade de Natal e dizer ao prefeito que não estou a disposição da cidade, ainda mais sabendo as dificuldades estruturantes que o município enfrenta em todos os segmentos. Estou a disposição para com meu mandato trazer os recursos que a cidade precisa. Temos que unir forças para garantir os recursos necessários a Natal.

JH – Com relação ao seu futuro político, o senhor pensa em continuar como deputado ou quer alçar voos maiores?
FM – Meu projeto em 2014 é a reeleição para deputado federal. Na política você tem que estar fazendo um bom trabalho para ser lembrado para cargos maiores. Eu não faço política pensando em qual vai ser meu próximo cargo, eu penso no próximo passo para ajudar Natal e o RN.

JH – Foi noticiada a possibilidade do DEM se afastar do PSDB para se aproximar do PMDB e do PSB, o que teria sido decidido após uma reunião entre os líderes do partido. Existe essa possibilidade?
FM – A reunião contou com as principais lideranças do partido. Estavam o prefeito de Salvador (ACM Neto), o prefeito de Aracaju (João Alves), o senador José Agripino e vários deputados do DEM em diversos estados, além de lideranças como o ex-prefeito do RJ César Maia. Na reunião foi feita uma análise sobre 2014, qual a nossa perspectiva de eleição de deputados federais, candidatos a senado e ao governo. Também foram discutidos nomes de alto nível que estão admitindo se filiar ao DEM, pessoas que poderão disputar governos e até a presidência. Não houve intenção nem defesa do afastamento do PSDB, houve entendimento em torno de abrir diálogo com partidos que buscam o DEM para conversar política. Neste momento não estamos dizendo que vamos juntar com A nem se afastar de B. Neste momento está se delegando ao senador Agripino a legitimidade de falar em nome do partido com outros presidentes de outras agremiações nacionais. Mas são diálogos extra-oficiais, ninguém está se afastado de Aécio ou de Serra nem se aproximando de Eduardo Campos, está se criando apenas uma autorização para abrir diálogo com outros partidos.

JH – O Democratas então não possui nenhuma posição definida para a disputa nacional de 2014?
Não. Nós definimos essa resolução e pensamos no partido. O DEM não tem mácula na sua imagem, é um partido que expulsou o ex-governador do Distrito Federal após denúncias de corrupção e retirou o senador Demóstenes Torres após sua relação com Carlinhos Cachoeira. É um partido sem mancha na sua imagem, mas que muitas vezes a opinião pública não assimila essa ideia, de uma legenda que não convive com malfeitos. Fizemos uma análise desse ponto.

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