Felipe VI é proclamado oficialmente nesta quinta, o novo rei da Espanha

A cerimônia foi de proclamação, não de coroação, porque na Espanha não se faz o gesto de coroar um rei desde a Idade Média

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Felipe VI assumiu nesta quinta-feira (19/06) o trono da Espanha defendendo um estreitamento dos laços culturais e econômicos com a região ibero-americana. “Além do afeto e irmandade, estamos unidos nas por interesses econômicos crescentes e visões cada vez mais próximas sobre o global”, afirmou. Após jurar a Constituição, Felipe de Bourbon foi proclamado rei em cerimônia realizada na Câmara dos Deputados, que contou com a presença dos parlamentares, autoridades do Estado e representantes do Corpo Diplomático.

Felipe VI assume o reinado após a abdicação de seu pai, Juan Carlos I, que havia anunciado no dia 02/06 a decisão de deixar o trono em nome para dar espaço a um ‘’tempo de impulso e esperança’’. Durante discurso, ele apontou prioridades de seu reinado em diversos setores, entre eles a política externa, defendendo uma presença mais ativa da Espanha nas relações internacionais. Felipe VI expressou seu desejo de ser um chefe de Estado “leal e disposto a escutar, a compreender, advertir e aconselhar, e também a defender sempre os interesses gerais”. O novo Rei afirmou que a monarquia parlamentar “deve estar aberta e comprometida com a sociedade à qual serve” e também considerou que “a independência da Coroa, sua neutralidade política e sua vocação integradora perante as diferentes opções ideológicas lhe permitem contribuir para a estabilidade do sistema político espanhol”.

União dos espanhóis
Também proclamou sua “fé na unidade da Espanha”, da qual a Coroa é “símbolo”, e explicou que essa unidade não é “uniformidade”, é algo que engrandece e fortalece e onde “cabemos todos”. Felipe VI pediu para que as forças políticas cheguem a um acordo sobre “interesses gerais” e olhem para frente para construir “juntos” o país. ”Cabem as diferentes formas de se sentir espanhol, porque os sentimentos, mais ainda nos tempos da construção europeia, não devem nunca enfrentar, dividir ou excluir, mas compreender e respeitar, conviver e compartilhar”, destacou.

Dedicou, além disso, um lugar relevante de seu discurso a transmitir sua “proximidade e solidariedade com todos aqueles cidadãos sobre os quais o rigor da crise econômica se abateu duramente, até serem feridos em sua dignidade como pessoas”. ”Temos o dever moral de trabalhar para reverter esta situação e o dever cidadão de oferecer proteção às pessoas e às famílias mais vulneráveis; e temos também a obrigação de transmitir uma mensagem de esperança – especialmente aos mais jovens -, de que a solução de seus problemas” e “a obtenção de um emprego” seja “uma prioridade” para o Estado, argumentou.

Sucessão
A cerimônia foi de proclamação, não de coroação, porque na Espanha não se faz o gesto de coroar um rei desde a Idade Média. Isto ocorre pois a coroa atual, fabricada em prata e veludo vermelho no século XVIII, não foi feita para ser vestida, ao ter uma largura superior ao tamanho da cabeça – já que se trata de um símbolo.

Antes da cerimônia no Congresso, Juan Carlos de Bourbon transferiu ao seu filho a faixa que simboliza sua nomeação como capitão geral do Exército ou chefe das Forças Armadas. No ato de proclamação, Felipe VI vestiu uniforme de gala do exército e com ele passou em revista as tropas, que lhe renderam honras. Já a rainha Letizia vestiu um tailleur branco. Após a proclamação, o casal real se deslocou em carro aberto pelas ruas do centro de Madri até o Palácio Real.

Milhares de pessoas se reuniram ao longo do percurso para saudar o novo rei, que permaneceu de pé durante todo o trajeto para responder ao afeto dos cidadãos, muitos dos quais agitavam bandeiras da Espanha, que tinham sido distribuídas pela prefeitura de Madri.

 

Fonte: Época

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