Fernando Bezerra admite que PMDB é refém do posicionamento de Wilma de Faria

Ex-senador afirma que decisão da ex-governadora vai definir rumos do PMDB e Garibaldi pode ser candidato

Bezerra disse que Wilma afirmou que telefonaria hoje para o Jornal de Hoje para desmentir as palavras do deputado estadual Nélter Queiroz. Foto: Divulgação
Bezerra disse que Wilma afirmou que telefonaria hoje para o Jornal de Hoje para desmentir as palavras do deputado estadual Nélter Queiroz. Foto: Divulgação

Alex Viana

Repórter de Política

 

O empresário Fernando Bezerra, nome do PMDB para disputar o governo do Estado, disse nesta quarta-feira, em entrevista a 94 FM, que sua candidatura depende da decisão da vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), de aceitar disputar o Senado numa aliança com o PMDB. Bezerra destacou que o prazo dado pelo PMDB para Wilma aceitar a aliança é “meados de março”. E confirmou que o ministro da Previdência, Garibaldi Filho (PMDB), poderá se desincompatibilizar do Ministério até o dia 5 de abril para disputar o governo, caso a aliança com o PSB não dê certo. Ainda na entrevista, Bezerra disse que Wilma afirmou que telefonaria hoje para o Jornal de Hoje para desmentir as palavras do deputado estadual Nélter Queiroz (PMDB), que ontem, em entrevista ao jornal, disse que Wilma não gostaria de ser candidata ao Senado num palanque com Bezerra candidato ao governo, “porque Fernando puxa para baixo”. Até o fechamento desta edição, Wilma não telefonou para o jornal. E Nélter manteve sua palavra. Confira a entrevista com Fernando Bezerra.

 

O senhor já decidiu? Será o candidato do PMDB a governador?

Estou há muito tempo fora da política. A última eleição que disputei foi em 2006. Apesar de compreender fico de certa forma me questionando porque os outros não decidem. Vejo por exemplo a ex-governadora Wilma, que é constantemente interpelada pelos jornalistas, sobre sua decisão, e ela diz que ainda não decidiu será candidata a governadora ou candidata a senadora. E eu vejo apenas nesse contexto uma decisão clara e já antiga que é a decisão do vice-governador Robinson Faria. De modo que acho que não está fora de tempo nenhuma decisão. Se eu já tivesse tomado a decisão de não ser, eu já haveria comunicado, claro. Principalmente para não prejudicar o partido. Mas como eu entendo que essa é uma decisão de muita responsabilidade, essa decisão deve ser tomada de uma forma ponderada. Eu comando um grupo de sete empresas. Quais as consequências da minha ausência para essas empresas? Eu tenho uma família, pela qual eu tenho um grande apreço, e eu devo ouvir os meus filhos, a minha mulher, para que isso não venha também a alterar o quadro familiar que para mim é muito caro. Eu tenho que analisar o quadro eleitoral. É esse quadro eleitoral favorável? Que quadro eleitoral se apresenta? Quem será candidato a senadora numa chapa numa possível chapa comandada pelo PMDB para o governo? Seja eu, seja Henrique, seja Garibaldi, seja Waltinho, todos nomes de grande peso político e de estatura para ocupar o cargo de governador do Estado. Mas, neste momento, nós não poderíamos responder. É Fátima? É Wilma? Ou outro nome que poderá aparecer. Ontem, quando eu ia para casa, eu recebi um telefonema da ex-governadora Wilma. Indignada com a matéria que tinha saído no Jornal de Hoje, dizendo categoricamente que desmentia aquilo que estava lá posto como palavras do deputado estadual Nélter Queiroz, e que hoje daria uma declaração. Eu não tinha nem visto a matéria, eu disse Wilma, não se preocupe, os jornais dizem o que querem (no caso, o jornal reproduziu declaração do deputado Nélter). Ela disse que não disse e que vai desmentir. Eu não faria nenhum comentário se ela não tivesse me telefonado. Eu disse, olha, isso é uma opinião. Opinião de pessoas. Eu já ouvi comentário de que eu não teria carisma nenhum, vou diminuir a chapa… Mas é preciso que esses comentários sejam feitos diante de uma decisão que eu não tomei.

 

De que depende, afinal, sua candidatura?

De alguns fatores. Eu tenho que levar em consideração a ausência que eu tenho da política. São oito anos. Evidentemente, alguns prefeitos do RN não me conhecem pessoalmente. Estou ausente realmente; tinha tomado a decisão. Então, esse é um fator que tem que ser levado em consideração. Henrique me disse que ia percorrer o Estado ouvindo o que se convenciona chamar as bases do partido, a respeito do meu nome, tomando essa iniciativa, sem saber sequer, que apesar de tudo isso eu possa dizer ‘não, eu não vou ser candidato’, porque eu tenho problema de saúde; porque tenho problemas familiares; porque minhas empresas não prescindem da minha presença e que agora existem outras formas que eu possa ajudar o estado. Mas eu quero dizer a você, que nossas conversas avançaram. E tive com Henrique e com Garibaldi, aliás, eu tenho insistido muito na candidatura de Henrique ou de Garibaldi. São dois homens de peso político que estão vivendo o momento político presente. Henrique desfruta hoje de um prestígio nacional incontestável, como presidente da Câmara dos Deputados, e como líder, ele tem se destacado nacionalmente, e aqui no estado ele tem o comando do partido. Garibaldi disse a mim que havia governado o estado duas vezes, que se sentia um pouco cansado, que não aceitaria em hipótese nenhuma ser candidato. Muito embora tenha se discutido, eu tenha ouvido dentro do partido, que se Wilma tomar a decisão de vir a ser candidata a governadora, Garibaldi, mesmo contrariado, seria a única alternativa, que o PMDB tem um nome à altura do enfrentamento do peso político que tem Wilma, um peso político evidente que faz hoje escolher, e todas das candidaturas, ou para o governo, ou para o Senado. Henrique acha que presta um serviço ao RN estando em Brasília, estando com Garibaldi, e é essa motivação que ele tem encontrado na tentativa de me convencer a aceitar ser candidato. Um candidato a governador do RN que contaria com o apoio do presidente da Câmara e de um ministro do Estado. Certamente, ajudaria na administração de um estado que hoje se encontra numa situação lamentável. Eu tenho dito que se há um atraso na folha de pagamento, não é deliberação do governo, é falta de recursos, demonstrando claramente a situação de calamidade que se encontra o RN. E isso faz qualquer candidato sério pensar se deve aceitar um desafio dessa natureza ou não.

 

O fato de Wilma não ter anunciado a posição dela, é o que está dificultando a sua decisão?

Veja bem. A posição do partido é quase unânime em torno do nome de Wilma para o Senado. É evidente que eu tenho colocado algumas premissas que me fazem não ser candidato. Uma delas é a seguinte. Eu não tenho estatura político- eleitoral para enfrentar uma campanha em que Wilma seja candidata a governadora. E coloquei de maneira muito franca e clara pra Henrique e Garibaldi, de que, na hipótese de Wilma vir ser candidata ao governo, eu não serei candidato a governador. Então, a sua pergunta acho que já respondi. Precisa que haja uma decisão de Wilma. O partido, o PMDB, espera uma decisão de Wilma. E essa decisão, segundo ela coloca na imprensa ontem, e Henrique também havia me dito, porque, o partido, de alguma forma, tem cobrado, internamente, uma candidatura, Henrique disse: ‘olha, você tem um tempo. Tem até meados de março, quando Wilma virá tomar uma decisão, você terá um tempo de decidir a respeito disso. Então, essa data, meados de março, é uma data que é factível para que se tenha a definição das candidaturas ao governo e ao Senado. Eu devo viajar com minha família para passar o carnaval fora, estarei de volta a Natal no dia 5 de março, e evidentemente até lá, eu terei tomado uma decisão. Eu queria que todos soubessem que eu não estou fazendo disso uma brincadeira. Se eu estou na expectativa de tomar uma decisão, é porque eu admito a hipótese de ser candidato. Porque seria uma irresponsabilidade de minha parte ficar sem tomar uma decisão já sabendo, previamente, que não serei candidato, prejudicando o partido, prejudicando a todos.

 

Então, está nas mãos de Wilma, não?

De certa forma, sim. Muito embora, veja bem… Eu não estou dizendo aqui que sou candidato. Eu estou dizendo que analiso diante de um contexto… Eu tenho que analisar as consequências disso nas empresas que eu dirijo, eu tenho que levar em consideração as ponderações familiares. Eu vejo pessoas dizendo: ‘ele não será candidato porque a esposa dele não quer’. Eu sou muito bem casado há 48 anos e apalavra da minha mulher é ponderável. Ela tem um peso pra mim. Mas não significa, que minha mulher dizer: ‘você não vai ser candidato’, não. Eu não recebo ordens. A gente que é casado negocia com a mulher o tempo todo. Como também ouvi dizer que: ‘não, ele deve obediência a Henrique’. Eu não devo obediência a Henrique. Eu tenho amizade com Henrique, ouço a palavra dele. Não tenho obediência. Como vi também num jornal, que eu era um candidato laranja, e que devia obediência a Henrique em determinado momento eu estou apenas guardando o lugar de Henrique. Eu bem que gostaria, faria isso com imenso prazer. Eu prefiro que Henrique seja o candidato a governador. Porque ele está nesse metier há muito tempo. É uma coisa que o pai dele sonhou. E sonha ser governador do Estado. E eu estou afastado da política. Tenho minha vida resolvida há oito anos que estou fora da política. Para mim é muito mais traumático voltar à política, do que Henrique ser governador. E eu tenho insistido com ele, colocando que essa é uma das últimas oportunidades que ele tem, e umas das melhores oportunidades. Que, se ele imagina que eu serei capaz de ganhar uma eleição, e ele imagina isso, e todos do PMDB imaginam isso também, com maior razão, Henrique, que hoje desfruta de um enorme prestígio, está presente permanentemente no RN, e na política do estado. E acho também, que é justo que Henrique pleiteie a renovação do seu mandato como presidente da Câmara. Mas haverá uma grande disputa. Acho que uma disputa que é mais difícil que a eleição dele para governador do RN. Essa é a razão de eu insistir. Mas evidentemente, por apelos que recebi dele e de Garibaldi, eu estou analisando com o devido cuidado, com grande responsabilidade, esta possibilidade da minha candidatura.

 

O PMDB confia na ex-governadora Wilma de Faria?

Confia, sim. Confia, tenho ouvido de forma enfática de Henrique e de Garibaldi, que Wilma, em várias oportunidades, que conversou com eles, ter dito que a preferência dela, apesar de ouvir várias manifestações por onde ela passa, de que ela deveria voltar ao governo, ela coloca que a preferência dela é para o Senado. E pedem que deem a ela um prazo até março. Esse prazo é um prazo dentro dos limites da possibilidade de um afastamento de Garibaldi para uma eventual candidatura. É preciso que se diga que quando se coloca em termos a candidatura de Garibaldi, não fazem como ameaça a Wilma. Fazem como um candidato a altura de combater uma força política como a força política que Wilma tem e se apresenta ao RN. Ela tem o privilégio de escolher, até que candidatura ela deseja. Ela será evidentemente uma forte candidata a governadora se assim o for. E será também, sem nenhum demérito de Fátima, por quem eu tenho apreço. Fátima é uma forte candidata ao Senado, e nós teremos um embate à altura das candidaturas que se apresentarão para o Senado. Eu quero dizer a você que não estou manifestando preferências por candidaturas ao Senado de Wilma ou de Fátima. Eu nunca fui procurado para uma conversa com nenhuma delas. E uma das condições que impus quando comecei a conversar com Henrique é que eu não participaria da articulação política da candidatura. Como de fato não tenho participado. Em verdade, eu tive uma conversa com Wilma, na casa do empresário Flavio Azevedo, uma conversa política. Ela me perguntou se eu seria o candidato, eu disse a ele que o PMDB teria um candidato, que não tinha uma definição, e perguntei qual era o rumo político que ela teria. E ela também ali como diz todos os dias nos jornais, me disse que a preferência política dela ser candidata ao Senado. E que aguardava de certa forma que o PMDB definisse uma candidatura. Me perguntou se eu gostaria de ser candidato, que ela achava que eu seria um bom governador, que o RN está precisando de alguém que fosse duro (risos). Estou até pensando que as pessoas me acham assim um carrasco. Mas não foi isso, ela disse que pela experiência de vida que eu tinha, e por não ter compromissos políticos, seria eu capaz de promover modificações que são hoje necessárias para que se administre o estado do RN. Foi uma manifestação simpática dela, apenas manifestando um desejo e dando uma opinião, que se eu viesse a ser candidato e fosse eleito, eu teria uma oportunidade maior do que eles que estão hoje inseridos na política, exatamente por não ter compromissos políticos, ter vivenciado uma experiência que poderia me levar a administra melhor o RN.

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