Festa de 18 anos pode ser feita em sex shop, mas mãe precisa autorizar

A estudante de RH Ana Caroline Meirelles queria organizar uma festa diferente para os seus 18 anos quando teve a…

A estudante de RH Ana Caroline Meirelles queria organizar uma festa diferente para os seus 18 anos quando teve a ideia de procurar um sex shop, em Duque de Caixas, no Rio de Janeiro, onde mora. Depois de convencer a mãe, que no início ficou em dúvida, mas depois apoiou o plano e até curtiu a iniciativa, reuniu dez amigas para comemorar a maioridade em um espaço reservado dentro da loja, em agosto de 2011.

Aos poucos, eventos do tipo começam a ganhar espaço nas lojas especializadas em artigos eróticos. São reuniões restritas, só para mulheres, com não mais que 15 ou 20 convidadas. E que atraem as meninas pela curiosidade e oportunidade de aprender mais sobre sexo, já que sempre há uma profissional por perto para explicar o modo de usar determinados acessórios. No caso da estudante, uma sexóloga foi recrutada para dar dicas sobre a primeira vez.

“Todo mundo amou a festa”, conta Ana Caroline. “Estávamos todas na idade de descobrir coisas novas: aprendemos sobre sexo e ainda ganhamos cupcakes com desenhos de espartilho”, diz.  O evento, com duração de três horas, teve um significado ainda mais especial.

Proprietária do Sedução Sexy Fashion, onde foi realizado o aniversário de Ana, a empresária Fran Perez conta que as festas de 18 anos na loja vêm crescendo, mas que ainda são minoria em relação aos tradicionais chás de lingerie para noivas. “Em dois anos, fizemos uns sete eventos do tipo”, diz.

A curiosidade, diz ela, é só um dos motivos de atração das meninas de 18 anos para as lojas do ramo. “Junto com a libertação da maioridade, vem o romantismo e a vontade de que tudo seja perfeito no sexo, principalmente na primeira vez”.

Nessas festas, explica Fran, o espaço é alugado com pacotes de serviços variados, com a presença ou não de uma sexóloga, por exemplo. Os preços variam entre R$ 300 e R$ 600 por duas horas e meia de festa para até 15 pessoas, numa área reservada. Bebidas e comidas são contratadas por fora e oferecidas por um bufê conveniado.

Menores de idade não entram nesse tipo de festa. E as comemorações precisam ser autorizadas pelas mães. “Organizamos essas festas em espaços fechados, sem acesso ao resto da loja e aos outros clientes”, diz Fran. “E eu chamo a mãe na hora de fechar o contrato”.

Entre as muitas cenas de confraternização familiar que já presenciou nesses eventos, a empresária não se esquece de uma avó que pediu que a neta recitasse uma poesia erótica durante uma brincadeira. “Outra mãe me disse que esperava encontrar uma ‘casa da luz vermelha’, mas que o sex shop era, na verdade, um clube da Luluzinha”, lembra.

Participação especial do bombeiro

Movida pela mesma vontade de ser original na hora de comemorar os seus 18 anos, a estudante de Publicidade Bianca Martines organizou, em março de 2011, uma reunião com 15 convidadas no sex shop Angelique em Santo André, São Paulo.

“Tive a ideia e fui lá com a minha mãe perguntar se podia alugar o espaço”, conta Bianca. “A expectativa foi grande desde o início, para mim e para as minhas amigas: fiz o convite com uma foto minha de pin up”.

A celebração foi das 19h às 22h e teve doces, salgados, sucos, refrigerantes e coquetéis. Com participação especial de uma funcionária da loja para explicar os produtos e de um gogo boy.

“Ele veio vestido de bombeiro, dançou e brincou com todo mundo”, diz Bianca. A mãe da estudante, que participou do evento, foi uma das que ajudaram a “agitar” o dançarino. “O meu aniversário repercutiu muito depois, fez sucesso”, conta. Tanto que inspirou uma amiga. “Para ser diferente, ela fez o evento dela no Clube das Mulheres”.

Dona do Angelique, Angélica Pretel explica que não cobra pelo aluguel do espaço em seu sex shop, mas apenas por eventuais palestras se isso for do interesse da anfitriã, com temas como dicas de sedução, por exemplo. Os preços variam de R$ 280 a R$ 400. Comida e bebida devem ser trazidas pela aniversariante também.

“As meninas se sentem realizadas”, afirma. “É uma oportunidade de dizer à sociedade que elas agora são mulheres”. A autorização das mães também é obrigatória.

Além de afirmar publicamente que já não são mais menininhas, as aniversariantes que optam por esses festejos também demonstram que querem ser mais felizes no sexo. “Elas querem se conhecer, aprender para depois praticar com os parceiros”, explica Paula Aguiar, presidente da Abeme (Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual).

“Como o sexo é importante para a felicidade de qualquer pessoa, acho muito positivo esse comportamento, um ato de libertação”, diz.

Fonte:UOL

 

 

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