Fieis lotam Catedral Metropolitana para a Missa dos Santos Óleos

Celebração reuniu quase 200 padres e diáconos, que renovaram as promessas sacerdotais

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Marcelo Lima

Repórter

Todos os sacerdotes católicos da capital estiveram reunidos na manhã desta quinta-feira Santa na catedral metropolitana bairro da Cidade Alta, para a participação na tradicional Missa dos Santos Óleos. Separados em seis recipientes diferentes, os óleos de oliva são usados para a unção de fieis no batismo, crisma e para enfermos até a Semana Santa do próximo ano.

De acordo com a Arquidiocese de Natal, 150 padres e 36 diáconos participaram da celebração. O padre Dalmário de Melo, assistente esclesiástico das novas comunidades católicas e renovação carismática, explica que a missa tem algumas particularidades. “Todos os padres são convidados a concelebrar com o bispo para renovar nossas promessas sacerdotais e também recorda a eucaristia, momento em que Jesus Cristos “Se fez pão e vinho”, explicou.

Os fiéis também compareceram em peso, lotando o templo com espaço para 4 mil pessoas. Muitos grupos de jovens de diferentes paróquias da cidade estiveram presente. O estudante de Educação Física Carlos Henrique Vieira, 22 anos, foi um dos que veio da paróquia de Santo Antônio de Pádua, localizada no conjunto Parque dos Coqueiros.

Pela segunda vez, Carlos participa da Missa dos Santos Óleos. O principal motivo da sua presença é o fato de ser um crismando. Isso significa que ele vai receber um sacramento de confirmação da sua fé em breve. “Antes eu quase não ia a Igreja. Em 2011, fui para a pastoral do Crisma e comecei a ter um vivência maior”, contou, lembrando o fato de ter sido um “católico não praticante”.

Para ele, um aspecto importante da missa dos óleos é a conservação de uma tradição bíblica. “Essa questão de ungir vem desde antigamente, quando os reis eram ungidos, como Saul e Davi”, explicou. Na sua ótica, a proximidade com a religião católica e os dogmas da religião o fez mudar. “Você aprende com a religião. Tem a questão de cultura também, vivência com outras pessoas, maturidade, formação moral, aprender a viver um relacionamento sério e dar mais valor a si próprio e as pessoas”, avaliou.

ÓLEOS E RITUAIS

A cerimônia religiosa, que foi iniciada às 08h durou cerca de três horas. Padre Dalmário explica que os ritos da bênção são mais demorados e cada sacerdote se coloca diante do bispo. De acordo com o ritual, o bispo torna-se o símbolo do próprio Cristo e por essa característica peculiar de reunir todo o clero da diocese, a Missa dos Santos Óleos também pode ser chamada de Missa da Unidade.

Além da renovação dos votos, há a benção dos óleos para serem usados no batismo e no crisma. “O óleo do batismo representa a força do cristo”, afirmou o sacerdote. O óleo do batismo também é conhecido como catecúmeno. Mas no momento do batismo, o óleo do crisma também é usado. A pessoa é ungida na testa primeiramente com o óleo catecúmeno e depois, no peito, com o óleo crismal.

Também há mais duas ocasiões nas quais são utilizadas o óleo do crisma: no sacramento da Crisma propriamente dito, que só pode ser realizado em pessoas batizadas e que já tenham realizado a primeira comunhão. E no momento de ordenação dos padres. “O óleo santo do crisma unge as mãos do sacerdote no dia da ordenação”, informou o assistente eclesiástico.

O óleo usado na unção dos enfermos é consagrado e não precisa ser utilizado necessariamente em pessoas que estão prestes a morrer. Muitos católicos rejeitavam esse tipo de unção porque era classificada também como “extrema unção”, dada a quem já estava na hora da morte. “Nós crescemos nessa compreensão. Não serve só para o perigo de morte, mas também de consolo, de cura para todo enfermo”, comentou o padre Dalmário. Esta unção pode ser dada em qualquer lugar, não necessariamente na igreja como os sacramentos que usam os demais óleos.

Os seis vasos com o óleo de oliva servirão para toda a arquidiocese Natal. Segundo o padre Dalmário de Melo, os sacerdotes usam apenas uma pequena porção no dedo para ungir ao fieis. Hoje à noite também haverá a missa do lava-pés na catedral e em outras paróquias pela cidade. Na sexta-feira, dia 18, às 15h, haverá celebração da Paixão e Morte de Cristo, seguida de procissão com a imagem do Senhor Morto, que percorrerá as ruas adjacentes à Catedral. Já no sábado (19), a Catedral só abrirá às 20h para a vigília pascal. No domingo, dia 20, serão celebradas missas às 7h, 11h e 19h.

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