Filho de Eduardo Coutinho será tratado pela polícia como criminoso comum

Questionado sobre a evidência de que Daniel teria praticado o crime devido a um surto de esquizofrenia, o delegado disse que a perícia judiciária é que poderá confirmar

Cineasta foi assassinado a facadas pelo filho. Foto:Divulgação
Cineasta foi assassinado a facadas pelo filho. Foto:Divulgação

Daniel Coutinho, filho de Eduardo Coutinho e apontado como responsável pela morte do cineasta, será tratado pela polícia como um criminoso comum, esclareceu o diretor da Divisão de Homicídio do Estado do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior. Acompanhado do inspetor psicólogo Gilvan Ferreira, Rivaldo disse nesta terça (4) que o depoimento dado por Daniel foi esclarecedor e que ele demonstrou arrependimento.

Segundo Rivaldo, o depoimento durou cerca de duas horas e Daniel estava lúcido e estável. Questionado sobre a evidência de que Daniel teria praticado o crime devido a um surto de esquizofrenia, o delegado disse que a perícia judiciária é que poderá confirmar. “É bom que se esclareça que não existe estudo que faça relação entre a doença mental e a prática de crime. O crime é um problema da sociedade como um todo. Qualquer coisa além disso é mero preconceito”.

A polícia vai esperar que Daniel tenha alta do hospital onde está internado para que seja encaminhado a um presídio. Ainda não há previsão de quando isso vai acontecer. Na prisão, o filho do cineasta deverá aguardar os processos judiciais –cabe à Justiça decidir se será considerado quadro de esquizofrenia e se haverá pena diferenciada. Segundo a polícia, não há comprovação de que Daniel use medicamentos controlados ou que tenha alguma doença já diagnosticada.

Para o delegado, Daniel queria se matar por ter muito medo da violência, mas não queria deixar os pais desamparados e, por isso, antes de tirar a própria vida, ele teve a ideia de matar os pais a facadas. De acordo com a versão da Polícia, Daniel, usando uma faca, tentou matar a mãe, que conseguiu se esconder, matou o pai e então tentou se matar. A mulher de Coutinho, Maria Oliveira Coutinho, continua internada no Rio de Janeiro.

Gilvan Ferreira disse que, para fazer qualquer diagnóstico sobre uma possível doença mental de Daniel, é preciso saber se existe algum histórico médico. “Depois que ele for liberado pelos médicos, ele virá para o nosso sistema para que seja preso. Ao ser preso, ele fará uma segunda avaliação médica. Desta vez será mais cuidadosa e prolongada, em razão do tempo que os profissionais terão. É prematuro afirmar que ele é esquizofrênico. Num primeiro momento, o mergulho que vamos dar no ambiente psíquico desse indivíduo é muito raso. De forma alguma pode-se fazer uma análise de que ele é esquizofrênico. Às vezes esse diagnóstico chega com anos”, avaliou.

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