Filho dos deuses, irmão do rei

De todos os craques dos anos de ouro do futebol, que o mundo teceu comparações com Pelé, nenhum foi mais…

De todos os craques dos anos de ouro do futebol, que o mundo teceu comparações com Pelé, nenhum foi mais amigo do atleta do século XX. Com Eusébio, a amizade de Pelé era maior do que com George Best, Sívori, Pedro Rocha, Tostão e até Garrincha.

A rivalidade em campo guardou para a história confrontos espetaculares, com Pelé dando ao Santos duas vitórias sobre o Benfica e Eusébio impondo uma humilhação numa partida de Copa do Mundo, em 1966, na cidade inglesa de Liverpool.

No jogo que Pelé deixaria a Copa em definitivo e Eusébio seguiria até à semifinal garantindo o título de “rei” do torneio e seu artilheiro, uma cena ficou congelada representando a amizade dos dois gênios. O português consolando o brasileiro.

A imagem mostra Pelé se contorcendo de dor após a entrada violenta do zagueiro Morais, enquanto Eusébio, de pé sobre ele leva a mão ao seu corpo tentando amenizar o sofrimento. Daquela Copa, várias fotos dos dois juntos ainda são publicadas hoje.

Não é verdade, como divulgou alguns canais de TV no Brasil, que o ídolo de Eusébio era Pelé durante sua infância em Moçambique. A diferença de dois anos nas idades depõe contra a tese. O craque mais badalado na África nos anos 50 era Di Stefano.

Mas, também não era o mito argentino-espanhol o verdadeiro ídolo da sua meninice. Três excursões internacionais da Portuguesa de Desportos naquela década, com direito à conquista de título e invencibilidade, expôs um jogador aos olhos do garoto Eusébio.

A Lusa tinha um timaço, onde se destacavam Julinho Botelho, Djalma Santos e Ipojucan, ganhando com eles duas taças do Torneio Rio-São Paulo contra Vasco e Palmeiras. No meio, o volante Nenê, que encantou o moleque de Lourenço Marques.

E ele adotou nas peladas do time “Os Brasileiros” o nome do meia do clube paulista, cabendo a um primo dele, já perto da Copa 1958, adotar o apelido “Pelé”. Também é menos verdade que o seu talento foi revelado ao mundo pelo são-paulino Bauer.

O meio-campista do tricolor e da seleção brasileira nas copas de 50 e 54 apenas testemunhou para a mídia nacional o que viu em Moçambique. Quem fez a arte de Eusébio eclodir foi um cara chamado Chico, do time peladeiro, e seu vizinho Hilário.

Chico abriu as portas para ele ser disputado pelos clubes locais, o Desportivo, filial do Benfica de Lisboa, e o Sporting Laurentino, filial do Sporting Clube de Portugal. E Hilário, já com contrato no país europeu, cuidou de fazer propaganda do jovem craque.

A fama de Eusébio chegou na metrópole portuguesa e logo ele era alvo dos quatro times mais importantes do país: Benfica, Sporting, Porto e Belenenses. O técnico húngaro, Bela Guttmann, foi mais rápido e o time rubro pagou 110 contos à mãe do rapaz.

Por problemas legais em Moçambique, embarcou para Portugal vestido de mulher e com o nome de Ruth Malosso. Tinha acabado de completar 18 anos. Ao chegar assustado no Aeroporto da Portela, apenas um repórter do jornal A Bola o aguardava.

Cruz dos Santos fez a primeira foto dele em solo europeu e escreveu a primeira manchete: “Chega o disputadíssimo Eusébio”, na edição de 17 de dezembro de 1960. Um ano depois, o Daily Express de Londres já estampava o apelido “Pantera Negra”.

O compatriota Mário Coluna, mais velho e maestro do Benfica e da seleção de Portugal em 1966, foi quem cuidou dele como um filho. Juntos fizeram prodígios dignos dos deuses da bola. Sem ambos, o futebol português não teria alcançado algumas glórias.

Quando derrotou o poderoso Real Madrid de Di Stefano, o jovem Eusébio não saiu de campo até conseguir a camisa do argentino. Admirava também os colegas geniais Puskas, Garrincha, Beckenbauer, Bobby Charlton, Gerd Müller e George Best.

Um dia juntou copos numa mesa e comparou com todos, inclusive ele mesmo. E disse ao repórter que tinham o mesmo tamanho, para depois incluir uma garrafa e chamá-la de Pelé. Na sua morte, o rei o chamou de “irmão”. Jamais tratou assim algum outro. (AM)

 

Ficha suja
A sociedade espera que o presidente da Câmara Federal, Henrique Alves, não aceite que um criminoso condenado por corrupção e lavagem de dinheiro continue exercendo a função parlamentar. O petralha João Paulo Cunha não pode continuar deputado.

Denúncia
Uma ação popular deverá chegar na Comissão de Ética do Senado, onde estarão anexadas gravações de uma conversa entre o senador José Agripino e o ex-deputado Carlos Augusto em que falam sobre doações de dinheiro para campanhas do DEM.

Pesquisas
O sentimento das ruas no RN é exatamente o oposto do que dizem todas as pesquisas temporãs. O político que for se aventurar, baseado nos números que representam uma minoria, irá quebrar a cara. São quase 80% dos potiguares sem candidato ao governo.

Uma bala
O PMDB só tem um tiro para dar na eleição majoritária de 2014. E esse tiro se chama Garibaldi Filho, único nome com força eleitoral capaz de encarar uma campanha para governador. A sigla tem outros nomes de peso político, mas não bons de urna.

Fé de aldeia
Missa, culto, novena, procissão… Quaisquer que sejam as manifestações religiosas no RN, o caráter provinciano contamina o jornalismo, que segue na velha escola de destacar as carrancas dos políticos muito mais do que as imagens santas dos eventos.

Protestos
Nem bem começou 2014 e as manifestações contra a Copa do Mundo e a corrupção em torno dela já estão sendo combinadas para a última semana de janeiro. Sem falar que a Polícia Federal vai parar se o aumento salarial não sair até abril, o último prazo.

Viva Kennedy
Nunca tive simpatia pela figura e pela história de John Kennedy. E desde os 22 anos, eu admiro os líderes republicanos dos EUA. Mas, em sendo verdade o que disse Elio Gaspari sobre os atos de JFK no período Jango no Brasil, o mito ganhou um ponto.

Padrão África
Desde a Copa de 1998 que a FIFA não tinha tanta dor de cabeça para organizar o torneio como está tendo no Brasil, principalmente pelo atraso nas obras. No momento, o ritmo brasileiro está empatado com o da África do Sul, outro país dito emergente.

Roda-gigante
O bairro de Botafogo, no Rio, vai ganhar uma roda-gigante permanente, de 50 metros de altura, ao lado da churrascaria Fogo de Chão. Com custos de R$ 7 milhões, será batizada de “Estrela do Rio”. Não é a primeira no mundo a imitar a London Eye.

Grande Nelson
O cantor Nelson Ned, morto no domingo, foi capa em vários jornais latinos, no Panamá, El Salvador, Equador, Paraguai, República Dominicana, México, Cuba e Nicarágua, países onde vendeu muitos discos e conquistou fãs. Quantas capas ele teve no Brasil?

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