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Filme da Semana: “A Viagem”

Data: 18 janeiro 2013 - Hora: 13:15 - Por: Newton Ramalho

Quando ouvi falar que o filme “A Viagem” fora dirigido pelos irmãos Wachowski, fiquei um pouco desconfiado. Afinal, embora tenham revolucionado o mercado com o surpreendente “Matrix”, em 1999, fizeram duas sequencias confusas, que não me agradaram. Mas, como o terceiro participante da direção foi o alemão Tom Tykwer, do excepcional “Perfume – A História de um Assassino”, fiquei bastante interessado em conferir o filme atual.

“A Viagem” é um grande filme, não apenas por suas três horas de duração, como pelo roteiro complexo, com seis histórias acontecendo em tempos diferentes, com frequentes correlações, e com uma filosofia de base que certamente agradará os simpatizantes da doutrina espírita. Por favor, não confundam com candomblé, macumba ou coisas do gênero.

Os alicerces do filme são de que vivemos várias vidas, e o que fazemos em cada uma delas influenciará a próxima. O filme discorre sobre isso de uma forma dinâmica, levando o espectador a acompanhar histórias que se passam desde o século 19 até um futuro pós-apocalíptico, numa época não definida.

No século 19, Adam Ewing (Jim Sturgees), um jovem advogado, é enviado pela família para negociar a compra de novos escravos. Na conturbada viagem de volta, afligido por uma doença de causa desconhecida, ele salva um escravo, Autua (David Gyasi), enquanto um ambicioso médico, Henry Goose (Tom Hanks), o acompanha. Suas agruras são registradas em um diário, que escreve para a mulher.

Em 1930, o jovem e talentoso compositor Robert Frobisher (Ben Whishaw), deserdado pela família por ser homossexual, ajuda o idoso músico Vyvyan Ars (Jim Broadbent). Enquanto busca a criação da música perfeita, Robert encontra o diário escrito por Ewing, em meio aos livros de Ars. Em meio aos conflitos com o patrão, Robert confia suas agruras nas cartas para o amante Rufus Sixmith (James d’Arcy).

Em 1970, a jornalista Luisa Rey (Halle Berry) conhece Rufus Sixmith (James d’Arcy) quando o elevador em que ambos estão quebra. Tempos depois, ele a procura para revelar que estão encobrindo uma série de falhas no projeto de construção de um reator nuclear. Quando ele é assassinado, ela recebe a ajuda inesperada de Isaac Sachs (Tom Cruise) e de Joe Napier (Keith David).

Nos dias atuais, Timothy Cavendish (Jim Broadbent) é dono de uma pequena editora, que lançou um livro que dificilmente dará retorno financeiro. Entretanto, a situação muda quando o autor do livro mata um de seus críticos, tornando-se uma celebridade instantânea. O problema é que Cavendish passa a ser perseguido por um bando de desordeiros e termina indo parar em um asilo de velhos, onde irá liderar uma divertida rebelião.

Em alguns séculos no futuro, na megalópole Nova Seul, Sonmi-451 (Donna Bae) é um clone que trabalha em um restaurante fast food. Ela foi programada para realizar todo dia as mesmas tarefas, sem manifestar qualquer reclamação, mas a situação muda quando ela é despertada para questionar sobre sua própria existência. Auxiliada na fuga pelo jovem rebelde Hae-Joo Chang (Jim Sturgess), ela encara a difícil decisão de tornar-se a líder espiritual da rebelião.

Em um futuro distante, após um evento conhecido como A Queda, as raras terras que sobreviveram à elevação dos mares são o palco para uma realidade pós-apocalíptica. Nesta época vive Zachry (Tom Hanks), de uma tribo que venera a deusa Sonmi, e teme a influência do demônio Old Georgie (Hugo Weaving), bem como os vizinhos canibais. Sua vida muda quando Meronym (Halle Berry), integrante de um grupo evoluído chamado Prescients, lhe pede para conduzi-lo até um lugar perigoso no coração da ilha.

O desenrolar do filme pode ser um pouco confuso para que estiver esperando uma história linear ou superficial, mas, para o espectador atento, é divertido acompanhar cada história, e, principalmente, tentar identificar qual ator está atuando, já que a maioria atua em quase todas sequencias. No final do filme, nos créditos, aparece uma breve imagem de cada personagem vivido por cada ator.
Embora não tenha profusão de efeitos especiais, à exceção da história em Nova Seul, as histórias são interessantes e prendem a atenção do espectador, a ponto de mal se notar as três horas de duração do filme.

As questões filosóficas não são muito exploradas, embora seja um filme que mereça ser revisto de vez em quando, tal a quantidade de personagens, situações e fatos apresentados. Claquete recomenda.

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