Fim do curso na Gama Filho deve atrasar formatura de quase dois mil médicos

Alunos temem que transferência signifique aumento de mais de 100% no valor da mensalidade

O MEC informou que não garante que as faculdades credenciadas para receber os alunos transferidos vão cobrar o mesmo valor das mensalidades. Foto: Divulgação
O MEC informou que não garante que as faculdades credenciadas para receber os alunos transferidos vão cobrar o mesmo valor das mensalidades. Foto: Divulgação

Cerca de 2.000 estudantes matriculados no curso de medicina da Faculdade Gama Filho, fechada pelo MEC na noite de segunda-feira (13), correm o risco de ter o sonho da formatura seriamente abalado. Além de um possível adiamento das aulas até que o MEC selecione as universidades que poderão recebê-los no programa de transferência assistida, eles estão preocupados com o aumento das mensalidades e a suspensão de estágios obrigatórios.

Rafael Collado, 26 anos, que representa os estudantes de medicina da Gama Filho junto à comissão do MEC que vai determinar as regras da transferência assistida, conta que seus colegas  temem um aumento muito grande nas mensalidades.

— Corremos o risco de termos que ir para universidades com preços muito elevados. Existem faculdades que cobram mensalidades de R$ 2.000 até R$ 8.000 no curso de medicina. Isso pode impedir muitos colegas de concluírem a graduação.

Quando anunciou o fechamento da Gama Filho e da UniverCidade, o MEC informou que não garante que as faculdades credenciadas para receber os alunos transferidos vão cobrar o mesmo valor das mensalidades.

Citando o estágio obrigatório de dois anos, Collado explica que os formandos estão receosos porque não sabem se poderão manter o estágio.

Fernanda Lopes Moreira, 30 anos, aluna do último semestre de medicina, contou que seus colegas residentes ainda foram recebidos no Hospital Salgado Filho nesta terça-feira (14).

— Temos uma promessa do MEC. Eles disseram que vão procurar a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro para garantir que os alunos que estavam matriculados continuem fazendo os estágios até serem transferidos.

Já Fátima Fernandes, 32 anos, que está no penúltimo semestre do curso de medicina e deveria pegar o diploma em setembro, lamentou o fechamento da universidade e disse que os alunos estão “revoltados e em choque”. Ela explicou que começaria um estágio na emergência do Hospital Carlos Chagas em janeiro, mas não conseguiu os documentos necessários na secretaria do curso de medicina.

— Liguei para a reitoria na semana passada e eles me garantiram que a Gama Filho tinha um plano de recuperação. A secretaria do curso de medicina deveria ter sido reaberta no dia 3 de janeiro, mas permaneceu fechada. Não tive acesso ao documento que preciso para fazer o estágio e não posso fazer nada para pedir transferência porque estou no final do curso.

Assim como Fátima, os estudantes que já concluíram 80% da grade curricular na Gama Filho não poderão pedir transferência por vontade própria. Eles terão que esperar a decisão do MEC.

 

Fonte: R7

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