Fim da barreira da aftosa beneficiará exportadores potiguares

RN foi confirmado como livre da doença pela Organização Internacional de Saúde Animal

5ty45y45y4y

Se não fosse pela Copa do Mundo, a entrada em funcionamento do novo aeroporto de São Gonçalo do Amarante e as obras de mobilidade, o anúncio ontem do fim da barreira contra a febre aftosa nos rebanhos, que tornou o RN oficialmente livre da doença mediante vacinação, seria a grande manchete do dia.

Hoje, o secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca do Estado, Tarcísio Bezerra, comentou as manifestações discretas que marcaram o fim da restrição, que durante a última seca fez com que Pernambuco e Ceará erguessem barreiras para impedir a entrada por terra de animais vindos do Rio Grande do Norte.

“Foram dias terríveis para nós e que felizmente não voltarão mais a acontecer”, comemorou Bezerra, que prevê uma grande Festa do Boi para este ano. “Teremos animais de todo o país podendo sair e entrar, eliminando a quarentena que liquidava com os negócios dos criadores”, lembrou.

A decisão da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) já era esperada desde o ano passado depois do Estado perder pelo menos 35% de seu rebanho bovino para a seca que durou por todo o ano de 2012, entrando pelo ano passado. Para o secretário Tarcísio Bezerra, a conquista é histórica e é uma chance para que selecionadores e criadores mostrem todo o potencial de seus planteis. E terá um reflexo direto sobre o crescimento físico dos rebanhos.

O plano do Ministério da Agricultura agora é ampliar o acesso da carne brasileira, tanto suína quanto de aves, no exterior. Embora esses benefícios atinjam num primeiro momento os maiores rebanhos localizados nas regiões Norte e no Centro-Oeste, Tarcísio Bezerra acha que o simples fato de poder receber e expor matrizes terá um efeito imediato sobre a atividade entre os criadores potiguares.

Com o reconhecimento obtido pelos oito estados ontem junto à OIE, sobem para 210 milhões o total de animais que estão em zonas livres de febre aftosa, ou seja, aproximadamente 99% do rebanho nacional de bovinos e bubalinos em 78% do território brasileiro. O governo investiu R$ 80 milhões em ações de sanidade animal, nos últimos quatro anos nessas regiões.

O país possui agora 23 estados e o Distrito Federal reconhecidos internacionalmente como livres de febre aftosa com vacinação e Santa Catarina continua sendo o único livre da doença sem vacinação. O próximo passo é alcançar a meta de um país totalmente livre da doença.

Para Tarcísio Bezerra, a mudança de status da aftosa é uma vitória que não pode ser debitada exclusivamente em ações de governo, mas à parceria entre produtores e autoridades. “Não foi fácil para ninguém manter aceitáveis os níveis de vacinação com o gado fraco por meses de uma seca cruel, mas no fim valeu a pena”, afirmou.

Perseguida há mais de uma década, desde 2006, com a criação do Idiarn, que executa a política de defesa animal e vegetal no Estado, por várias vezes se anunciou o fim da barreira como iminente.

Hoje, um dos maiores criadores do RN, José Bezerra Júnior, lembrou que o fim da barreira, além de beneficiar os selecionadores que sofreram muito nos últimos anos, terá um impacto positivo adicional sobre os exportadores de produtos primários, como frutas e camarão.

“Não somos exportadores de carne e sim de camarão e frutas, que por causa da simples existência de uma área de risco da aftosa perdiam na barganha comercial com os importadores de fora”, lembrou. “Isso agora deve acabar”.

Compartilhar:
    Publicidade