Foi uma farsa
Lance Armstrong ganhou dopado os seus sete títulos da Volta da França. Para quebrar o recorde da competição, o ex-ciclista fez uso de eritropoetina (EPO), realizou transfusões de sangue e tomou hormônios de crescimento. Foi isso que ele confessou na entrevista à apresentadora americana Oprah Winfrey, exibida na noite desta quinta-feira nos Estados Unidos e em todo o mundo. Sinônimo de superação ao vencer um câncer e responsável por feitos inéditos e até então impensáveis, o ciclista falava pela primeira vez depois de perder tudo – recordes, fama, dinheiro, reputação – graças ao doping. Agora, confirmado.
A entrevista começou com respostas “sim” ou “não”. As duas primeiras perguntas de Oprah foram “você já usou substâncias ilegais?” e “uma delas foi EPO [eritropoietina, utilizada para aumentar o nível de glóbulos vermelhos no sangue, aumentando a resistência]?”. As duas primeiras respostas foram “sim”. Mais: ele admitiu que consumiu todo o tipo de substâncias proibidas desde meados dos anos 90 até 2005 – ano de sua última vitória na Volta da França – e passou por transfusões de sangue para ocultar os rastros do doping. Inclusive na conquista dos sete títulos da Volta da França.
Durante a entrevista, foram mostrados para Lance diversos vídeos em que ele negava o uso de doping. Em um deles o ex-ciclista enxergou a arrogância que ele mostrava naqueles tempos: “aquela atitude, aquela arrogância, não dá para negar. Eu olho o vídeo e penso ‘que cretino arrogante!”. E isso não é bom”.
Questionado porque não admitiu antes o uso de doping, Lance não conseguiu responder: “essa é a melhor pergunta. Não sei se tenho resposta. É tarde demais para mim e para a maioria das pessoas. Eu construí uma grande mentira”, confessou, lamentando na sequência: “a história foi perfeita por muito tempo. Você supera uma doença, vence a Volta da França sete vezes, tem um casamento perfeito…é perfeito e mítico”, afirmou, relembrando que superou o câncer nos testículos.
Chamou atenção o momento em que Lance tratou com indiferença os momentos em que venceu as Voltas da França. Ele afirmou que tinha certeza da vitória em todas as sete oportunidades: “ao vencer as sete Voltas, eu sabia que ia vencer. Aquilo era, na minha visão, apenas parte do trabalho. Essa era minha visão e tomei minhas decisões”, contou ele, que não ficava alegre nos triunfos: “havia mais alegria no processo, na construção, na preparação. A vitória foi quase protocolar”, desprezou.
“Não era [o esquema de doping mais sofisticado que já teve]. Era profissional e inteligente, se quiser chamar assim. Mas era tudo conservador. Eu tomei as minhas decisões e estou aqui para reconhecer os meus erros e pedir desculpas”, afirmou Armstrong, à TV.
“Eu não compreendia a magnitude daquela devoção que tinham por mim, não sabia que era tão grande”, disse Lance, a Oprah. “Hoje, eu vejo a raiva nas pessoas, o sentimento é de traição. E são pessoas que acreditaram em mim. Elas têm todo o direito de se sentirem traídas. Vou passar o resto da minha vida tentando recuperar a confiança e pedindo desculpas às pessoas. Pelo resto da minha vida.”


