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Folha: Empresa de assessor de Henrique recebeu R$ 1,2 milhão por obras no Estado

Data: 14 janeiro 2013 - Hora: 15:23 - Por: Portal JH

O deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB) é, mais uma vez, alvo de denúncias na imprensa nacional. Depois de ser acusado de contratar uma empresa de laranja em seu gabinete para fornecer carros alugados, agora as denúncias envolvem as emendas e a liberação de recursos federais sob influência do peemedebista.

Segundo a Folha de São Paulo em sua edição desta segunda-feira (14), Henrique teria destinado emendas parlamentares e conseguido R$ 1,2 milhão por meio do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) para prefeituras do interior do Rio Grande do Norte administradas pelo seu PMDB. Ao todo, foram seis municípios beneficiados.

Curiosamente, todos contrataram a mesma empresa para realizar as obras, a Bonacci Engenharia e Comércio Ltda., que tem como sócios o próprio assessor parlamentar de Henrique, Aluízio Dutra, e o irmão do deputado estadual Hermano Morais (PMDB), Fernando Leitão de Moraes Júnior. Hermano foi o nome peemedebista na disputa pela Prefeitura de Natal em 2012, mas acabou derrotado pelo prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT).

Outro detalhe informado pela reportagem é que o Dnocs é administrado por aliados de Henrique desde 2007. Até o ano passado, o diretor do órgão era o ex-deputado estadual Elias Fernandes (PMDB), que saiu do cargo após denúncias de irregularidades. Hoje, a vaga é ocupada por Emerson Fernandes Daniel Júnior, ex-diretor da Codern, também indicado pelo parlamentar.

O Dnocs fez convênios com as cidades de Alto do Rodrigues, São João do Sabugi e Coronel Ezequiel, na área de combate a desastres. Diz o jornal que “em junho de 2010, a prefeitura do primeiro município fechou a contratação da empresa do assessor de Henrique Alves por R$ 630 mil para cuidar do convênio com o Dnocs, no mesmo valor, para a construção de 40 casas”.

Em São João do Sabugi os recursos do órgão foram usados para pagar R$ 420 mil à Bonacci para construir barragens. A empresa prestou o mesmo tipo de serviço para a Prefeitura de Coronel Ezequiel por R$ 142 mil, dinheiro que também saiu de um convênio com o Dnocs assinado por Elias Fernandes. Na ocasião dos convênios, os prefeitos das três cidades eram do PMDB, mesmo partido de Henrique Alves.

Já as cidades beneficiadas com emendas parlamentares de Henrique foram Campo Grande, Brejinho e São Gonçalo do Amarante. A primeira recebeu R$ 195 mil para construir a Praça das Crianças, enquanto Brejinho teve direito a R$ 92 mil para a pavimentação de ruas. Localizada na Grande Natal, São Gonçalo recebeu R$ 192 mil para também recuperar suas vias.

Assim como nos casos anteriores, os três municípios eram administrados por membros do PMDB na época em que receberam os recursos. Da mesma forma, contrataram a Bonacci para a execução do serviço. “Henrique Alves indicou o destino do dinheiro, o governo federal liberou o recurso, que voltou para o assessor lotado no gabinete da Câmara”, conclui a Folha.

Favorito

O deputado federal Henrique Alves é ataque de denúncias a cerca de duas semanas do pleito que decidirá o novo presidente da Câmara dos Deputados. Nos bastidores, antes das acusações, o nome do parlamentar era considerado definido para ocupar o cargo, já que detinha o apoio de ampla maioria dos membros da Casa.

Com as notícias negativas, ressurgem as esperanças dos dois outros candidatos colocados na disputa contra o representante potiguar. Os deputados Júlio Delgado (PSB-MG) e Rose de Freitas (PMDB-RJ) tentam reunir votos suficientes para que a disputa, ao menos, seja levada para o segundo turno.

A candidatura de Henrique está fortalecida principalmente pelo apoio do Palácio do Planalto, que decidiu cumprir o acordo para sucessão do atual presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS). Além disso, o potiguar conquistou apoios importantes até mesmo na oposição. O Democratas, por exemplo, fechou questão em torno do seu nome.

A expectativa agora é saber até onde chegarão as denúncias contra Henrique Alves e se o mesmo conseguirá resistir aos ataques. Em 2002, o mesmo deputado esteve muito perto de ser escolhido como candidato a vice-presidente na chapa de José Serra (PSDB), mas acabou desistindo da disputa também após denúncias nacionais. No período, a revista Istoé trouxe a informação de que o potiguar tinha uma conta de R$ 15 milhões fora do país, o que nunca foi comprovado.

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