Fonoaudióloga elogia novas regras do Inmetro para eletrodomésticos

Agora, os três tipos de eletrodomésticos têm que sair da fábrica com a classificação do nível de ruído

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Quem nunca ficou irritado com o barulho do liquidificador, do aspirador de pó e, até mesmo, do secador de cabelo, ligado, muitas vezes, tarde da noite ou de manhã bem cedo? Estes três tipos de produtos foram considerados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) extremamente barulhentos.

Os especialistas advertem que muito barulho dentro de casa ou no ambiente de trabalho pode contribuir para a perda gradativa de audição. O alerta, feito por médicos e fonoaudiólogos, é agora também uma preocupação dos órgãos públicos.

Acabam de entrar em vigor as novas regras para diminuir o ruído destes três eletrodomésticos. Liquidificadores, aspiradores de pó e secadores de cabelo são agora avaliados pelo nível de emissão de ruído, além da segurança elétrica, de acordo com portaria do Inmetro, que inclui a classificação de potência sonora no Selo Ruído que é afixado nos produtos.

Na indústria, a partir de agora, os três produtos deverão ser fabricados de acordo com as novas regras. O Inmetro classificou os decibéis de ‘1’ (mais silencioso) a ‘5’ (menos silencioso), no âmbito do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE). O Instituto promete controlar as importações desses eletrodomésticos para impedir a entrada no país de mercadorias irregulares. Para o comércio, o prazo de adaptação na venda dos produtos com a classificação de potência sonora vai até 20 de agosto de 2016.

“Com a medida, na hora da compra, basta o consumidor optar pelos modelos de eletrodomésticos mais silenciosos. A regra do Inmetro é importante para tornar o consumidor mais consciente, levando em conta que o barulho faz muito mal à sua saúde”, ressalta a fonoaudióloga Isabela Gomes, da Telex Soluções Auditivas.

Atualmente, o nível de ruído do aspirador de pó varia de 70 a 85 decibéis; do liquidificador, de 85 a 93 decibéis e, no secador de cabelo, o barulho pode chegar a 90 decibéis. “Qualquer som acima de 80, 85 decibéis pode causar danos à audição. A perda auditiva depende tanto da potência do som como do período de exposição ao ruído. Quanto mais tempo exposta aos altos ruídos, ao longo da vida, mais chances uma pessoa tem de sofrer problemas auditivos”, explica a especialista em audiologia.

A fonoaudióloga da Telex faz um alerta: “A questão é que, em casa, não nos damos conta do barulho a que somos submetidos. Os ruídos vão se somando: o aspirador de pó, o liquidificador, o rádio, a TV… E, quando temos um eletrodoméstico ligado, a tendência é aumentarmos ainda mais o volume de outro aparelho. Isso atrapalha a concentração, prejudica o sono. Com o tempo e, dependendo da suscetibilidade de cada pessoa, isso pode ocasionar em uma diminuição da audição”, explica Isabela Gomes, ressaltando que para as pessoas que suspeitam de perda auditiva ou já tem dificuldades para ouvir, o ideal é consultar um médico otorrinolaringologista e obter as orientações necessárias.

O Inmetro estuda agora a implantação da classificação sonora para outros eletrodomésticos, como máquinas de lavar e aparelhos de ar condicionado.

De acordo com Isabela Gomes, com o aumento da expectativa de vida, “temos de pensar não apenas em viver mais, mas em viver bem. A perda auditiva induzida por ruído é cumulativa. É lenta, progressiva e ocorre ao longo dos anos. Por isso, é importante estar sempre atento para moderar o volume dos aparelhos dentro de casa ou no ambiente de trabalho, já que, nas ruas, o convívio com o barulho cotidiano é difícil de evitar”, adverte.

O Selo Ruído, parceria entre o Inmetro e o Ibama, foi instituído pela Resolução Conama 20/1994 e faz parte do Programa Nacional de Educação e Controle da Poluição Sonora – Silêncio. Agora o Selo foi aperfeiçoado, com a tabela de classificação de ruídos.

“O objetivo é dar mais conforto às pessoas em casa. Como consequência das novas regras do Inmetro, esperamos que os produtos menos silenciosos sejam gradativamente melhorados ou eliminados do mercado à medida que as pessoas exercem a compra mais consciente, utilizando as novas regras do Selo Ruído”, conclui Marcos Borges, responsável pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE).

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