Football brésilien – Vicente Serejo

Michel Chandeigne, o maior livreiro-editor de autores portugueses e brasileiros na Europa, com sede em Paris, resolveu levar aos olhos…

Michel Chandeigne, o maior livreiro-editor de autores portugueses e brasileiros na Europa, com sede em Paris, resolveu levar aos olhos dos franceses uma pequena, mas criteriosa seleção de poemas dos nossos poetas. Percebeu que além dos dribles magistrais ainda seria patrimônio do Brasil a singularidade de alguns poemas sobre o futebol. Não imaginava, como, aliás, nenhum dos duzentos milhões de brasileiros, que o mais colossal nas belas arenas iria acabar sendo a derrota da seleção.

‘La Poésie Du Football Brésilien’ reúne, nas 127 páginas, uma antologia com mais de um poema de cada autor, além das notas e seus resumos biográficos, com pequenas ilustrações a partir de desenhos de Ianna Andréadis. Uma seleção e tradução de Max de Carvalho que teve o cuidado de incluir o poema ‘Maracanã’, de Armando Nogueira que não sendo poeta nem escritor de profissão tinha a poesia nas dobras da alma, e fazia seu texto jornalístico nascer de uma grande prosa poética.

Carvalho teve o cuidado de não nomear a seleção como antologia, provavelmente em razão de uma escolha tão restrita, mas teve o requinte de classificá-la de ‘épinicie’, uma espécie de ode ou de glorificação dos vitoriosos. Outro cuidado foi fazê-la bilíngue para que os leitores portugueses e brasileiros que dominam a língua francesa, possam comparar as soluções encontradas pelo tradutor, afinal traduzir pode ser recriar ou transcriar, mas também trair imagens e metáforas do poeta-criador.

O poema ‘Futebol’, de Carlos Drummond de Andrade, abre a seleção: ‘Futebol se joga no estádio? / Futebol se joga na praia, / futebol se joga na rua, / futebol se joga na alma’. Dele, do poeta de Itabira, há mais três poemas: ‘Aos Atletas’, ‘Prece do Brasileiro’ e ‘O Momento Feliz’, este sobre a Copa do México, no estádio de Jalisco, da bola ‘mosqueteira e caprichosa’, da dor da jogada perdida, como avisa o grande poeta de Minas a desenhar com ponta seca do verso a alegria do gol.

Depois, chegam os outros: Cassiano Ricardo que faz Martin Cererê jogar futebol e o pequeno vagabundo ‘que chutou a lua agora mesmo / por trás do muro e, de manhã, por trás do morro, / chuta o sol’. Já o poeta João Cabral de Melo Neto homenageia Ademir Menezes, a quem chama de um ambidestro do seco e do úmido, como em geral os recifenses: ‘Você, como outros recifenses, / nascido onde mangues e o frevo, / soube mais que nenhum passar / de um para o outro, sem tropeço’.

Fazem parte ainda do elenco Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Vinícius de Morais, Glauco Matoso, Nicolas Behr, e Mário Quintana. Tem uma crônica de Vinícius sobre a seleção de 1962 que o poeta diz protegida por ‘Nossa Senhora da Guia, nosso pai Xangô e seu Mané Garrincha. Olé!’. De Nicolas Behr: ‘Nem tudo / que é torto/ é errado / veja as pernas / do Garrincha / e as árvores do cerrado’. E Quintana, só assim: ‘O domingo é um cachorro escondido debaixo da cama’.

EFEITO – I

Ninguém se iluda: a posição do deputado Getúlio Rego não ficará com seus efeitos limitados às suas bases em Pau dos Ferros. Pode disparar consequências na região da Tromba negativas para Henrique.

HÚMUS – II

É que as lutas locais muitas vezes estão acima da luta estadual por questão de sobrevivência política. E é difícil saber onde as reações, muitas vezes não declaradas, poderão alterar as previsões eleitorais.

ALIÁS – III

Nesse sentido as articulações do candidato Henrique Alves têm de uma habilidade maior e bem mais discreta, principalmente para acomodar interesses, espaços e conflitos. A política é também uma arte.

AGENDA

Depois da primeira fase, de números divulgados logo após as convenções, caiu um grande silêncio em torno das pesquisas qualitativas, recebidas, lidas e guardadas a sete chaves como segredos vitais.

TEATRO – I

A Companhia das Letras manda às livrarias a segunda edição de ‘A Lata de Lixo da História’, peça de Roberto Schwarz, agora com a apresentação da triz Fernanda Torres e ilustrações de Zuca Sardan.

PARA… – II

Quem não lembra, a peça de Schwarz parte de Simão Bacamarte, o louco de Itaguahy, de Machado de Assis em ‘O Alienista’, para se transformar numa sátira à ditadura de 64 e que depois virou filme.

INCRÍVEL

Um brasileiro desviou R$ 2,3 milhões remetidos pela sede da Cruz Vermelha, na Suiça, para ajudar as vítimas de Petrópolis, no Brasil, e da Somália. A corrupção só faltava chegar à Suiça. E já chegou.

GETÚLIO

O biógrafo Lira Neto pode lançar em Natal, em outubro, durante a Feira do Livro e do Quadrinho o terceiro e último volume da biografia de Getúlio Vargas. 2014 que marca os 60 anos do seu suicídio.

PRESENÇA

Peregrino Júnior é o único imortal da Academia Brasileira de Letras entre os personagens de estórias no novo livro de Murilo Melo Filho. Já o historiador Rodolfo Garcia, com sua sisudez, não aparece.

BELOS

Os cataventos de Zé de China adquiridos pela Secretaria de Cultura – iniciativa da secretária Isaura Rosado – terão um belo destino: serão instalados em torno do lagoa da Cidade da Criança. Perfeito.

AGORA

São dois os homenageados na Flipipa: João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna, a grande estrela que viria abrir a Festa Literária de Pipa. Ele esteve algumas vezes em Natal a convite de Dácio Galvão.

HONRA

Este pobre homem da Rua da Frente agradece o carneiro magistral de Nídia Mesquita servido com o requinte da casa grande de Arvoredo e os cálices de Vinho do Porto molhado a nacos de pão-de-ló.

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