Fórum alerta sobre sinais de risco do autismo ainda na infância

Acompanhamento e estímulos devem começar ainda com um ano de idade

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O 1º Fórum Potiguar sobre Autismo ocorreu na manhã deste sábado (31), no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte (OAB/RN). O evento foi direcionado para profissionais de saúde, educadores e familiares de pessoas com o transtorno.

A neurologista infantil Celina Angélia Reis foi a primeira conferencista do evento. Segundo ela, há 2 milhões de pessoas com autismo no Brasil. “O número é muito alto e está aumentando cada vez mais”, analisou. Para que essas pessoas tenham a melhor qualidade de vida possível é preciso que médicos e a família estejam atentos para os sinais de risco na mais tenra infância.

Conforme Celina Reis, é possível verificar sinais que podem indicar o autismo já com um ano de idade. Porém, o diagnóstico só é fechado entre quatro ou até sete anos de idade, a depender de cada caso. “Aquela criança com muita irritabilidade, com dificuldade de interação com os pais, não olha nos olhos, não bate palma, não dá tchau, tem distúrbio do sono, é apática já deve ser estimulada e acompanhada”, disse a neurologista infantil.

As características acima não significam necessariamente que a criança tenha o distúrbio de desenvolvimento global. “Muitas vezes nem precisa do profissional, só a mudança da maneira como os pais lidam com a criança, ela já consegue interagir de outra forma”, disse.

De todo modo, os profissionais recomendam a estimulação sensorial e interacional da criança, mesmo que tenha dificuldades, mas que não seja autista. Caso a suspeita se confirme, o tratamento precoce melhora a adaptação social, a agitação, as estereotipias (como os movimentos repetitivos), o aprendizado é mais satisfatório e há uma considerável evolução da parte psicoemocional.

O autismo é um transtorno que ainda não há uma origem definida pela ciência. Segundo Celina Reis, há uma provável alteração genética que sofre influência de múltiplos fatores, como o ambiente e fatores psicológicos. Por esse motivo, o transtorno não possui cura. Não há justificativa formal para incidência majoritária no sexo masculino.

A neurologista infantil também orienta que as famílias devem colocar as crianças autistas na escola regular. “Ele deve ir para uma escola regular, mesmo quando o grau for mais avançado. Aí tem que ter uma maior flexibilização maior. A socialização é muito importante”, defendeu.

Na visão de Celina Reis, o ideal é pessoas com autismo fossem atendidas em centros de atenção especializada com equipes de trabalho interdisciplinar. No Rio Grande do Norte, esse trabalho ainda está longe desse ideal, sobretudo na rede pública. “Há centros que tem especialistas como fonoaudiólogas, psicólogas, terapeutas ocupacionais, mas não é uma equipe estruturada para atender de forma multidisciplinar, que se reúne e planeja. Cada um faz o seu”, informou.

Outro ponto importante que deve ser valorizado até mesmo como política pública é a divulgação dos sinais de risco. “Os pais, os profissionais de saúde precisam estar informados desses sinais e procurar a assistência o quanto antes”, acrescentou.

A promoção do Fórum ficou por conta da Comissão de Direito à Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte (OAB/RN). De acordo com Elisângela Fernandes, presidente da Comissão, o evento faz parte da campanha “Ensina-me de várias formas que eu consigo aprender”, que já realizou eventos abordando o transtorno e continua com a programação até agosto.

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