Fórum de Segurança para Educadores discute combate à pedofilia e aos crimes cibernéticos
Centenas de educadores lotaram o auditório do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (IFRN) na manhã deste sábado (16) para participar do primeiro Fórum de Segurança para Educadores. O Fórum, promovido pela Polícia Militar do RN, por meio do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), dando continuidade a um trabalho de conscientização quanto à segurança pública, foi desenvolvido como iniciativa voltada aos educadores e pais interessados em conhecer mais sobre os tipos de ameaça passíveis de ocorrer com as crianças e adolescentes, em especial a pedofilia e aos crimes cibernéticos.
Na plateia, além dos palestrantes Tânia Guerreiro, subtenente da Polícia Militar do Paraná, e especialista em estudos sobre combate à pedofilia, Marcelo Abdalla dos Reis, perito criminal federal especialista em crimes em ambiente virtual, estiveram presentes autoridades estaduais, operadores de segurança, conselheiros tutelares, educadores, estudantes universitários e representantes de igrejas.
A tenente coronel Margarida Brandão, coordenadora do Proerd no RN, explica que o Programa desenvolve inúmeras ações voltadas à comunidade escolar e o Fórum voltado para educadores é resultado de uma grande demanda dos próprios educadores que pediam, constantemente, dicas de combate a pedofilia. “Nós temos nas escolas uma caixinha de denúncias e grande parte das que chegavam eram justamente querendo saber informações sobre a pedofilia ou denunciando a violência sofrida. E diante dessa demanda, criamos esse Fórum trazendo uma grande especialista nacional, passando para os educadores como identificar os possíveis pedófilos e a quem recorrer. Outra grande demanda era em relação aos crimes virtuais muitos ligados à pedofilia. Para isso, trouxemos um agente federal que tratará sobre essa temática”, destacou a coordenadora do Proerd.
Pedofilia e crimes cibernéticos já eram temas tratados dentro do Programa, mas segundo a tenente coronel Margarida Brandão, os professores tinham a necessidade de se aprofundar nessa temática. “Existe muita denúncia a respeito do mau uso da internet, especialmente em relação aos adolescentes, como é o caso do buillyng e os casos de pedofilia. Infelizmente estes crimes acontecem com frequência, principalmente, no interior do Estado, como é o caso do município de Nísia Floresta, que recebemos uma grande demanda de informação a respeito do crime de pedofilia”, afirmou.
A especialista em crimes de pedofilia, a subtenente da Polícia Militar do Paraná, Tânia Guerreiro, traçou um perfil de quem é o pedófilo. “É importante que estes atores saibam quem é este homem, quem é esta mulher, que causa tanto mal as nossas crianças. Como eles agem, por que eles se atraem, quais os tipos de pedófilos que existem, qual é o papel dos pais, quais as legislações que tratam disso, pois pedofilia ainda não é tipificado como crime no Código Penal. Hoje, o pedófilo estupra uma criança e pega carona no artigo 213 ou 217 do Código Penal, que é violência contra vulnerável, e não pedofilia. A nossa luta, há 13 anos, colhendo assinaturas para mandar para o Senado Federal para que pedofilia seja tipificado como crime hediondo, com pena de 30 anos, pois entendemos que o pedófilo cumprindo no artigo 213, que pega de 8 a 15 anos, com os benefícios da legislação, reduz a pena dele e depois de ele liberto, o prazo para ele está estuprando e tocando de novo nas crianças é de 48 horas. Queremos que isso se torne crime com pena de 30 anos em regime fechado, para proteger as nossas crianças”, destacou.
Tânia Guerreiro disse que é necessária a criação de políticas públicas para prevenção de pedofilia e mais capacitação para os educadores, que possam identificar a criança vítima de pedofilia, já que 89% dos casos são registrados em ambiente doméstico. “Entendo que a única esperança das crianças está nos mestres e nos professores e eles sendo capacitados vão ter condições de olhar para a criança e saber se ela está sendo violentada e abusada, só pela maneira da criança agir, sentar, brincar. Quanto mais pessoas nos ouvir, menos crianças abusadas teremos. A prevenção de casos de violência é extremamente simples, pois o termômetro é a vítima, a criança. Se ela mudar de comportamento tem que se preocupar”, destacou a subtenente.
O perito da PF, Marcelo Abdalla, destacou a importância da internet na sociedade contemporânea, mas alertou para a segurança e o uso responsável dos meios virtuais, em especial pelas crianças e adolescentes. Marcelo deu dicas ao público presente alertando para o perigo que existe com uso indiscriminado da internet. “É necessário estabelecer um ambiente de diálogo e confiança mútua entre os pais e filhos. Os pais precisam educar seus filhos e mostrar que na internet, assim como na vida real, existem lugares que as crianças não devem ir. Feito esse ambiente de diálogo, é necessário o acesso supervisionado. Jamais se deve deixar uma criança acessar a internet de forma irrestrita e sozinha”, destacou o perito Marcelo Abdalla.
A coordenadora do Programa RN Vida, Sonali Rosado, disse que pensando em todos os problemas da sociedade moderna que atinge os jovens e as crianças é necessário que se crie políticas públicas voltadas para essa problemática. “É nesse contexto que o RN Vida surge para contribuir, junto com o Proerd, no combate aos crimes que afetam as crianças e adolescentes. Precisamos despertar a sociedade para um tema tão importante e fico feliz em ver esse auditório lotado de pessoas compromissadas com a luta em favor das crianças e adolescentes. Precisamos de mais ações de segurança pública para garantir a proteção de nossas crianças”, afirmou.
Durante o ano de 2013, conta a tenente coronel Margarida Brandão, o Proerd vai desenvolver outras atividades voltadas à comunidade escolar. A primeira ação já se inicia em abril, que é o Segurança Começa na Escola. “Inúmeras instituições, através do RN Vida, Polícia Militar, Polícia Federal, Polícia Civil, Guarda Municipal, essa rede inteira unida em combate às drogas e à violência”, destacou.
O Proerd hoje conta com 210 policiais, distribuídos em 46 municípios no Estado e mais de 500 mil alunos já passaram pela capacitação. “É importante que todos estejam, cada vez mais, unidos nessa luta contra as drogas, pois a cada dia percebemos que a demanda aumenta, o sofrimento também. O Proerd está pronto a ensinar as técnicas de prevenção àquelas pessoas que estejam interessadas em ser colaborador voluntário do programa”, afirmou a tenente coronel Margarida Brandão.
No próximo sábado (23), das 8h às 12h, no Sest/Senat, o Programa Educacional de Resistência às Drogas, estará realizando o II Workshop de Ações Preventivas. Este Workshop foi desenvolvido como iniciativa voltada aos educadores interessados em adquirir conhecimento através das experiências do PROERD, colaborando assim na ampliação da rede de prevenção ao Uso de Drogas e à violência no Estado. A expectativa é que cerca de 200 professores possam ser capacitados.
Notícias Relacionadas

