França busca ‘estúpido’ que comprou 2 mil trens maiores que estações

Ministra de Ecologia e Transportes Ségolène Royal exige os nomes dos responsáveis pela encomenda à Alston e Bombardier promete que eles vão pagar pelo prejuízo estimado em R$ 150 milhões

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Uma polêmica abalou o sistema público de transporte sobre trilhos na França após a descoberta de que dois mil novos trens encomendados à Alston e Bombardier são mais largos do que o espaço nas plataformas de 1,3 mil estações regionais por onde eles vão circular.

Agora as estações terão de ser todas reformadas e a ministra de Ecologia e Transportes, Ségolène Royal, exigiu os nomes dos responsáveis pela ‘estúpida decisão’.

“Descobrimos o problema um pouco tarde”, admitiu um envergonhado porta-voz do setor ferroviário.

O problema com a largura dos vagões alguns centímetros além do tamanho das plataformas foi denunciado em uma reportagem do jornal investigativo semanal Le Canard Enchaîné e confirmado pelas autoridades responsáveis.

Os trabalhos de reparação já foram executados em 300 plataformas, e outras mil estão na fila de espera.

A RFF, empresa responsável pela gestão dos trilhos do sistema de transporte regional, entregou as dimensões erradas para a SNCF, a operadora dos trens.

Os projetos foram executados por empresas de engenharia e a fabricação coube à francesa Alstom e à canadense Bombardier.

“Estou consternada por esta decisão tomada por dirigentes que estão fechados em seus escritórios em Paris e não têm contato com a realidade”, afirmou a ministra Ségolène Royal. Ela abriu uma investigação para determinar os responsáveis e afirmou que eles pagarão pelo erro.

“É um desperdício escandaloso de dinheiro dos contribuintes”, disse Jean-Claude Delarue, de uma ONG que defende a melhoria do sistema de transportes públicos.

Os novos trens foram encomendados para reforçar o sistema na França, país considerado um dos melhores do mundo em termos de transportes sobre trilhos.

O envelhecimento do sistema de transporte ferroviário regional da França chamou a atenção após o descarrilamento de um trem em julho passado nos arredores de Paris, acidente que causou sete mortes.

Investigadores culpam parafusos soltos e verificações de segurança inadequadas para o desastre, que deixou centenas de feridos.

O ministro dos transportes da França, Frederic Culliver, considerou o erro ‘absurdo’ decorrente da cisão do sistema em duas empresas há 17 anos. Uma consequência da falha poderia ser a fusão entre a RFF e a SNCF no futuro.

O ministro disse que uma lei de reforma do setor ferroviário está sendo proposta para acabar com a separação entre as duas empresas, mas, segundo ele, os sindicatos são contra o projeto.

O presidente da RFF, Jacques Rapoport, reconheceu em entrevista à rádio Europe 1 que as obras vão custar 50 milhões de euros, o equivalente a mais de R$ 150 milhões.

Ele negou, porém, que se trate de um erro e alegou que o gasto faz parte do projeto de renovação das estações, algumas com mais de 150 anos.

O líder do Partido Socialista, Jean-Christophe Cambadélis, cobrou responsabilidades pelo erro que “custa tanto dinheiro”.

 

Fonte: Estadão

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