Friboi enfurece vegetarianos e nutricionista pede desculpas

Propaganda que informa que "carne é essencial" é enganosa, afirma Sociedade Vegetariana Brasileira – para especialista, faltou cuidado na produção da peça publicitária

Nutricionista diz "carne é essencial", mas já pediu desculpas. Foto:Divulgação
Nutricionista diz “carne é essencial”, mas já pediu desculpas. Foto:Divulgação

As propagandas da Friboi continuam gerando polêmica. Depois de acertar em cheio criando um slogan que virou bordão nacional, neste ano a empresa desfruta de destaques que não parecem tão positivos.

O último evento tem a ver com um pedido público de desculpas feito pela nutricionista Roberta Ferreira. A nutricionista participou de um dos vídeos da campanha que circulou no ano passado. Na propaganda ela diz que “carne é essencial, é proteína” e na sequência afirma que é nutricionista – informação reforçada pela legenda adicionada à imagem.

Em novembro do ano passado a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) acionou o Conselho de Autorregulação Publicitária (CONAR) por propaganda enganosa. Na última semana, a nutricionista pediu desculpas formais à SVB. Por e-mail, Roberta afirmou que não decidiu as falas da propaganda e que não tinha se atentado ao que estava dizendo. Ela reconhece – diz saber – que há vegetais que oferecem proteína.

Após a polêmica, Roberta enviou e-mail para a SVB. “De maneira nenhuma quis ofender os vegetarianos, o que acontece é que eu não escolho a fala da propaganda”. Na mensagem, ela disse ainda que estava “muito nervosa em fazer a cena”. “De maneira nenhuma quis ofender os vegetarianos, o que acontece é que eu não escolho a fala da propaganda”, afirmou também.

Procurada, a empresa não quis se pronunciar. A assessoria de imprensa ressaltou que a propaganda já cumpriu seu ciclo e já está fora do ar. A Lew’Lara\TBWA, agência responsável pela publicidade da Friboi, também não comentou o caso. Procurado, o representante da SVB, Guilherme Carvalho, não foi encontrado até o fechamento desta reportagem, bem como a nutricionista Roberta Ferreira.

Para o professor de marketing da ESPM, Marcelo Toledo, faltou cuidado da empresa em se preparar para contrapor os grupos que possivelmente se sentiriam lesados com a afirmação. “Pelo que me parece, ela alega que descontextualizaram o que ela falou”, comenta. “Esse assunto transpõe a questão ética, é uma questão de cuidado com a imagem da empresa. Apresentar também o contraponto em um tema tão sensível é fundamental.”

Roberto Carlos também gerou polêmica

Neste ano, a empresa trouxe o cantor Roberto Carlos para a sua campanha, cuja música “Eu voltei” é a trilha principal. O cantor, que ficou muitos anos sem comer carne vermelha, participa de uma cena em que o garçom pergunta se ele voltou a comer carne quando pede um prato com uma suculenta fatia.

Desde que foi para o ar, a polêmica residiu na informação de que o Roberto Carlos era vegetariano. O diretor do comercial, Fernando Meirelles, ainda corroborou com a tese, afirmando que o cantor nem sequer tocou na carne.

O empresário do cantor, Dody Sirena, veio a público na segunda-feira (10) explicando, pelo Facebook, que Roberto Carlos não só comia carne desde 2006, como também investia em gado – e que ambas as informações eram amplamente divulgada. “Qual a surpresa com relação a de Roberto Carlos com carne e produção de proteína animal?”, questiona e o empresário.

Neste caso, no entanto, Toledo não questiona que há dois lados possíveis: o lado do prejuízo de imagem, mas o lado do frisson que o evento causa. “Todo mundo está falando da marca. O caso é ver se o objetivo da empresa era esse mesmo”, explica.

Para Toledo, o problema não foi a escolha de uma figura que passou tantos anos sem comer carne, mas a historia que foi contada na propaganda. “É uma pessoa pública, com uma imagem forte. Na propaganda essa pessoa apresenta uma ruptura de comportamento”, diz. “É como se de fato ele tivesse voltado a comer carne naquela situação. A história cristalizou dessa forma”, o que reduz em boa parte o esforço de Sirena em esclarecer a situação. “Ano passado a fórmula estava perfeita, mas neste ano, acho que eles avaliaram esse risco e quiseram bancar”, sugere o professor.

Fonte:IG

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