Frutas do sul da Ásia prometem avalanche de benefícios à saúde

Especialista alerta para cuidados com consumo em excesso e crença inconteste nos efeitos alardeados

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Conrado Carlos

Editor de Cultura

A cada temporada, pesquisas sobre a tríade saúde, estética e alimentação deixam consumidores confusos. “Comer ovo faz mal para coração!”. “Faz nada, só não pode exagerar”. “Pois eu soube que pode ingerir a vontade”. Seria mais ou menos assim a conversa entre dois interlocutores preocupados com o que levam para casa e botam para dentro do organismo. Em março passado, após um Globo Repórter que incluiu uma viagem ao Tibete, uma fruta com cara de uva passa vermelha, cultivada a milhares de anos na Cordilheira do Himalaia, virou a nova mania entre desportistas, praticantes de atividades físicas e pessoas com alguma doença alinhada com seus benefícios: o goji berry.

Na matéria televisiva, os malemolentes Mick Jagger, Madonna e Britney Spears foram apontados como adeptos do fruto que chega ao Brasil, principalmente, em sua forma desidratada – chineses, sempre eles, tomam chá da folha como estimulante e para fortalecer a imunidade. Segundo estudos de universidades americanas, seu alto poder antioxidante, com 50 vezes mais vitamina C que a laranja, atua no combate ao câncer, a arteriosclerose, a ansiedade e ao diabetes, regula a pressão sanguínea e ajudaria a turma cansada na alcova. “Eu comecei a tomar tem uns cinco meses e senti uma melhora boa na disposição para o dia a dia”, diz o jovem estudante de administração Marcelo Henrique.

Ele ouviu de amigos a ‘mágica’ prometida e resolveu investir na fruta, cujo preço do quilo pode ultrapassar os R$200,00 – também rica em vitamina A, betacaroteno, zinco, vitamina do complexo B e diversos aminoácidos, a ideia é de que estamos diante de uma ‘bomba’ trazida da terra do Dalai Lama. São os populares superalimentos, aqueles que apresentam variada quantidade de micronutrientes, tão em moda no momento, e motivo de preocupação de especialistas por possíveis empecilhos na tireoide. Como aminoácidos significam aumento na produção das proteínas, enrijecimento de músculos e redução da flacidez são outros fatores de sedução do goji berry.

“Depois que comecei a comer, estou mais trincado [densidade muscular]”, fala Marcelo na gíria de marombeiro. Nutricionistas recomendam, pelo menos, uma colher de sopa por dia (algo entre 30g e 45g), mas o futuro administrador ampliou a dosagem. “Eu como duas vezes. Uma antes e outra depois de malhar. Dá um gás da P…”. Além das versões in natura (mais rara) e seca, a fruta, assim como suas irmãs blueberry (também antioxidante, forte na luta contra os radicais livres e o envelhecimento) e o cranberry (inimigo das infecções, sobretudo urinarias), é comercializada em pó, em forma de cápsulas. Proprietários da loja de produtos naturais Papa Capim, na Avenida Prudente de Morais, Ana Valéria e João Manoel Carvalho confirmam a procura.

“Vem gente de todas as idades, tanto jovens que frequentam academia, como idosos com algum problema de saúde que quer baixar taxas. O preço assusta, mas eles compram mesmo assim e depois que veem que funciona, voltam para comprar mais”, diz Valéria. Com apenas um ano de funcionamento, a loja é frequentada por seguidores de uma alimentação saudável e bem informados sobre o que comer para garantir mais anos de vida. Foi a senha para o investimento na oferta de produtos com preço restritivo, quase todos trazidos do Sul-Sudeste do país – cerca de 3% dos alimentos orgânicos do estabelecimento é comprado de fornecedores potiguares. “Hoje os cliente são entendidos, sabem que uma má alimentação causa, por exemplo, câncer no intestino”, completa João Manoel.

A precaução com efeitos milagrosos é o alerta feito pela Dr. Neiva Lopes, nutricionista que costuma caminhar na aurora natalense e seguir à risca uma dieta bem equilibrada, excludente com alimentos doces, enlatados, gordurosos e condimentados. “Não faz muito tempo, a chia e a lichia era a moda. Muita gente aderiu e gostou. Mas teve gente que teve queda da pressão, como um dos efeitos colaterais. A dica sempre é ir devagar, não acreditar em todo santo que aparece. Os estudos sobre essas frutas vermelhas [de terminação berry] estão apenas no começo. Já foram confirmados alguns benefícios, como também malefícios, como atrapalhar remédios para trombose. O goji berry pode ser testado, mas com calma”.

 

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