Fuga moral

O último camisa 10 digno de usar a camisa na seleção brasileira foi Rivaldo em 1998 e 2002. No Penta,…

O último camisa 10 digno de usar a camisa na seleção brasileira foi Rivaldo em 1998 e 2002. No Penta, jogou melhor do que Ronaldo Fenômeno, dignificou a patente criativa nacional desde os tempos de Jair Rosa Pinto, o primeiro a levar nas costas o número consagrado aos melhores. Até 1938, não havia numeração.

A camisa 10, em Copas do Mundo, foi usada por Jair em 1950, Pinga em 1954, Pelé de 1958 a 1970, Rivelino em 1974 e 1978, Zico em 1982 e 1986. O nível caiu muito em 1990, na ridícula equipe montada pelo não menos boçal e caricato Sebastião Lazaroni.

Por sorteio, critério bem grotesco, o bom Silas, ex-São Paulo, ganhou a 10 que poderia sem sustos ter ido para o cabeça de área Alemão ou o goleiro reserva Acácio. Em 1994, Raí fracassou na Copa dos Estados Unidos pela apatia e acabou na reserva do lateral e volante Mazinho.

>>>>>>

Rivaldo deveria ter ido à Copa dos Estados Unidos. Estava em plena forma aos 22 anos depois de uma belíssima temporada pelo Corinthians em 1993, quando chegou de contrapeso do meia-atacante Válber e do ponta-direita Leto(ex-ABC), todos pertencentes ao Mogi Mirim(SP).

Em sua estreia, contra o México, Rivaldo, embora tímido, devolveu o brilho canhoto à meia cancha, que girava em torno das rodadas do talentoso Zinho, desfigurado pelo esquema tático de Parreira que o fez ganhar o apelido de Enceradeira.

Para manter a regra de técnico anda acompanhado da teimosia em sua bagagem de mão, Parreira preferiu a inutilidade de um atacante chamado Paulo Sérgio a Rivaldo. Já havia descartado, bem antes, o genial Denner, que não iria mesmo porque morreu sufocado pelo cinto de segurança do seu carro, na Lagoa Rodrigo de Freitas.

>>>>>>

A presença do camisa 10 Rivaldo garantiu a manutenção da espécie. Na Copa da França, ele foi um dos poucos a escapar, marcando gols decisivos como o que eliminou a Dinamarca pelas quartas de final. No título de 2002, enquanto Ronaldo Fenômeno balançava redes e era festejado pela plateia enlouquecida e influenciada pela mídia, Rivaldo fazia o papel de artesão.

Criando, lançando, cobrando pênaltis e fazendo gols de sem-pulo. Desmoralizando a Alemanha na final na sutileza dos seus toques influenciados pela alegria dos frevos de Capiba, herói da capital pernambucana, terra de Rivaldo.

Depois de Rivaldo, vieram Ronaldinho Gaúcho, vedete e humilhado por Zidane em 2006, sem um resquício do brilhante astro do Barcelona na época e depois, tenhamos paciência, Kaká e seus raros lampejos de jogador nota 6,75, espetacular para estrelar comerciais de televisão e hoje na segunda mão dos boleiros internacionais.

>>>>>>

Neymar veste a 10, mas não é um meia. Neymar é atacante das três posições. Deve vestir a camisa sagrada pela habilidade que é resquício em suas jogadas de molecagem atrapalhadas pelo individualismo excessivo que reorganiza as defesas adversárias a cada drible supérfluo.

O meio-campo já foi referência no Brasil. Quem sabia jogar um pouquinho, desejava ser meia-direita ou meia-esquerda, meia-armador ou ponta-de-lança. Os armadores são simbolizados na figura esguia e mítica de Didi, o homem da Folha-Seca e da elegância etíope no drible curto e nos passes de efeito.

Didi é o pai dos armadores. inspirador de Gerson, Canhotinha de Ouro, Ademir da Guia, o Divino Mestre, Rivelino quando foi recuado para assumir a criação depois da aposentadoria de Gerson, Sócrates, Falcão e luminares da inteligência e organização suave e destruidora.

>>>>>>

Em 2013, nenhum brasileiro foi incluído na disputa pelo título de melhor meio-campista do mundo. Mal comparando, seriam os Estados Unidos sem ninguém disputando o troféu de maior pivô de basquetebol do planeta. Nenhuma humilhação é tão significativa.

É a constatação lógica do triunfo dos brutamontes sobre os hábeis. É a institucionalização dos carrinhos de Dunga e seus adjutórios, um deles, chefe das divisões de base da CBF, Alexandre Gallo. Volante medíocre por onde passou, está transformando a formação de jogadores em treinamento militar.

Gallo disse em alto e bom som, tão logo assumiu, que a disciplina e a postura são mais importantes do que a categoria de um jogador, certamente porque categoria passou longe de suas chuteiras. São aberrações do tipo que explicam a mutilação cultural do Brasil bom de bola, improvisador e decisivo acima dos esquemas.

>>>>>>

Os meninos de Alexandre Gallo envergonharam a camisa amarela. Primeiro, ao tomar 4×1 dos Estados Unidos em torneio da empresa patrocinadora-mor de material esportivo. Levar de quatro a um de norte-americano em futebol é vexame.

Pior foi o que o time fez faltando cinco minutos. Para não apanhar mais, simplesmente estancou. De medo e incompetência. Parou, os jogadores não se mexeram, viraram estátuas inúteis enquanto os adversários também ficaram imóveis, perplexos.

O jogo acabou 4×1 e a cena do time em fuga moral é um duro golpe na história de quem encerrava seus jogos pondo os rivais na roda aos gritos histéricos de olé. Era o país dos meio-campistas, da camisa 10 bem vestida. Vencido pela covardia dos alunos de Gallo, cantar desafinado da mediocridade.

 

Rodrigo Silva
O desempenho de Rodrigo Silva foi de centroavante de primeira divisão. O ABC merece Rodrigo Silva que merece a independência financeira.
 
Copa do Nordeste
O Canal de TV Esporte Interativo anuncia promoções apostando alto na Copa do Nordeste, a grande sacada para o futebol da região, reacendendo rivalidades e oferecendo jogos de bom nível. Potiguar (campeão) e América (vice) este ano, representam o Rio Grande do Norte.

Deu certo
O campeonato do Nordeste deu tão certo que a Rede Globo também comprou direitos de transmissão. O ideal seria o Nordestão quatro meses, sem estaduais, substituídos por divisões entre os Estados.

Vitória
Adversário do América na estreia, o Vitória canta de galo por antecipação. Ótimo. Deixa o Vitória comemorar antes. Estimula o América. Que está se enchendo de volantes e ainda não contratou um jogador para organizar o meio-campo.

Alecrim
O Alecrim se reapresentou sem as festas explosivas do início do ano. É melhor ser discreto. Em campo, resultados foram ruins, exceto pela garotada do sub-20, que poderia ser a base no Campeonato Estadual.

Série
Lançados livros de São Paulo e Flamengo da série Memória do Torcedor com 20 jogos históricos.

Compartilhar: