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Fugazes orientais

Data: 24 janeiro 2013 - Hora: 18:05 - Por: Rubens Lemos Filho

A tietagem anda frenética no Corinthians por conta de uma pedalada, drible celebrizado onze anos atrás pelo ainda inocente Robinho, aplicada pelo chinês Zizao, tratado como estrela de primeira grandeza no céu opaco do futebol de um gênio apenas: Messi, e de um solitário craque brasileiro: Neymar.

O Corinthians tem história relacionada ao futebol oriental. O famoso drible do elástico, do qual Rivelino foi useiro e vezeiro foi ensinado pelo japonês Sérgio Echigo, jogador dos juvenis e aspirantes do Timão.

O elástico é humilhante. A bola é grudada no pé, jogada para o lado em que está o marcador enganado com um repentino toque por entre as pernas. A gordinha vai e volta colada  na chuteira do driblador.

Echigo encantou Rivelino e lhe passou a técnica que inventou pelo instinto. Rivelino, genial, aprendeu e passou a humilhar médios-volantes pelo mundo. O falecido Alcir, do Vasco, foi a vítima principal do golpe astuto.

Rivelino estancou à sua frente no Maracanã lotado. Transformou a chuteira em chiclete e Alcir travou a coluna, virando-se como se fosse quebrá-la ao meio. Rivelino só foi encontrado diante do goleiro argentino Andrada, a quem venceu com um toque de chapa, garantindo a vitória do Fluminense(a então Máquina Tricolor), por 1×0.

Zizao, na fase de primeiros dias de ano sem notícias que mata repórteres, colunistas e comentaristas, entrou na área do Paulista e balançou diante do zagueiro, passando as pernas sobre a bola e conseguindo imitar Robinho, na famosa decisão de 2002 contra o Corinthians, que passou de vítima a vilão.

Foi um drible bonito como todo drible deve ser, já que o drible é a superioridade comprovada de um jogador sobre o outro no futebol. Zizao está em êxtase. A pedalada, como o elástico, são frutos do futebol de salão por ocupar espaço curto e requerer, do autor, atrevimento e habilidade.

Esta semana, o time de futebol de salão(futsal para os tecnocratas e retranqueiros convictos), do Corinthians, foi inteiro cercar Zizao no campo de treinamentos, fazendo fotos com o assustado e alegre chinês a dar entrevistas e ser sutilmente gozado pelos jornalistas pela pronúncia confusa das palavras que domina como cabeça-de-bagre do idioma pátrio(português).

O Corinthians, codinome paixão, trata Zizao como ídolo carimbado e pronto. Foi somente um drible que o menino de olhos miúdos aplicou no tonto zagueiro do Paulsta. Zizao daqui a uns dias estará em todas mesas redondas da TV e Galvão Bueno o levará para o Bem, Amigos, da Sportv. Certamente fará o garoto cantar.

Zizao não deu certo em seu país e nem em Portugal. Foi trazido numa jogada empresarial e de marketing para o Corinthians. Jogou 13 minutos no ano passado pelo Campeonato Brasileiro diante do Cruzeiro. Passou despercebido como se estivesse numa multidão de compatriotas.

O lance de Zizao, é necessário pesquisar, se foi de sorte ou virtude natal. Por enquanto, Zizao está curtindo sua fama e a torcida, empolgada, pede sua permanência entre os titulares. Uma verdade: O balanço de Zizao, ainda que casual, foi belíssimo como o elástico de Sérgio Echigo.

Por falar em Sérgio Echigo, quebrou sua chuteira borralheira e nunca conseguiu brilhar. Dos aspirantes do Corinthians, seguiu para uma pequena turnê de cigano por pequenos times de São Paulo. Voltou ao Japão e, aos 67 anos, é comentarista esportivo. Detesta falar sobre o “elástico”. É consciente como o barítono que se mete a puxador de escola de samba.

Zizao, ontem, tomou um drible de gafieira contra a Ponte Preta, abrindo o pano de sua verdadeira identidade e do nível de relacionamento com a bola. Tomou o troco da fama e ainda assim foi cercado como um semideus ninja pelos torcedores mirins do Corinthians.

Rivelino aprendeu a lição de Sérgio Echigo e,  dela, tornou-se professor imitado por um garoto pobre de Buenos Aires, um certo Diego. Armando. Maradona. .  Rivelino jogava futebol acima da média mundial, além de exercer a arte plástica do gramado. Sérgio  Echigo e, talvez Zizao, a história provará, passarão como  fugazes malabaristas.

 

Cascata
Eis a verdade de quem é acima da média: Em 180 minutos de quase apagão, num átimo do passe longo e belo, Cascata resolveu a situação do América, cabendo a Rico a tarefa de finalizar. Cascata é o imprevisível. É o que já foi chamado de craque. E o craque decide.

Dida
A atuação impecável contra o ASA serviu para consolidar a posição do goleiro Dida como titular do América. Fez defesas monstrengas, até mesmo no derradeiro minuto. A torcida precisa olhar para Dida com mais confiança.

Bater e apanhar
Comentaram comigo após ASA 0×1 América: “A verdade é que Roberto Fernandes tanto bate em Leandro Campos quanto Leandro Campos apanha de Roberto Fernandes.” Equilíbrio né?

Salgueiro
Para chegar a ser chamado de ruim, o time do Salgueiro, próximo adversário do América no sábado, precisa piorar muito. São onze pernas de pau que tomaram um verdadeiro sacode do Vitória, um time absolutamente normal.

No Frasqueirão
Empate ruim em casa para o ABC. O time vai precisar, de todo jeito, pontuar fora de casa para recuperar o ponto perdido para o Bahia, um time sem nenhuma força maior.

Tarde demais
O ABC acendeu tarde demais. Melhorou com a entrada de Jean Carioca no meio-campo, tão criticado após um ano parado(eu mesmo bati duro nele). Nos poucos minutos em que esteve em campo, Jean Carioca jogou com agilidade, teve iniciativa, partiu para cima dos marcadores. Seria titularíssimo no elenco atual.

Sem criatividade
Raul e Walter Minhoca deram mais uma demonstração de que podem ser bons coadjuvantes e jamais protagonistas. Nunca serão jogadores que chamem a responsabilidade para uma jogada decisiva. Apenas andaram em campo.

Jeff
Com suas tranças que pareciam cordas de botar menino de fazenda nos eixos, Jeff Silva repetiu sua nulidade.

Em mim
A jogada de Neymar ontem foi tão desconcertante que até minha crise de tendinite no braço foi agravada.  Vai driblar assim na Europa, menino. Vai logo pro Barcelona ou para o Real Madrid. Aqui perdeu a graça.

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