Gabriel Medina briga para retomar a ponta do ranking do WCT nas Ilhas Fiji

Liderança da corrida pelo título mundial poderá até ser decidida por Medina em uma final contra o taitiano

Gabriel Medina

Em mais um dia longo com dezoito baterias disputadas em boas ondas de 4-6 pés em Cloudbreak já definiram os semifinalistas do Fiji Pro na quinta-feira na ilha de Tavarua, em Fiji. O fenômeno Gabriel Medina é o único que não perdeu nenhuma bateria e vai defender a invencibilidade contra o norte-americano Kolohe Andino, que impediu uma semifinal brasileira ao barrar Adriano de Souza num dos duelos mais adrenalizantes em Fiji esse ano. A outra vaga na grande final será disputada por outro norte-americano, Nat Young, e o taitiano Michel Bourez, que já assumiu a ponta do ranking no confronto direto com Kelly Slater pelas quartas de final que fecharam a quinta-feira na ilha de Tavarua.

Mas, Medina agora tem a chance de retomar a liderança da corrida pelo título mundial que poderá até ser decidida em uma final contra o taitiano. Bourez é o único que já tem duas vitórias computadas no ranking, na segunda etapa do Samsung Galaxy ASP World Championship Tour em Margaret River na Austrália e no Billabong Rio Pro nas ondas do Postinho da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Na etapa brasileira do WCT, ele decidiu o título contra Kolohe Andino, adversário de Gabriel Medina na segunda semifinal em Fiji.

Na quinta-feira, o fenômeno de Maresias começou o dia ganhando um duelo difícil contra Fredrick Patacchia, superando o havaiano por uma pequena diferença no placar encerrado em 15,63 a 15,10 pontos. Depois, garantiu passagem direta para as quartas de final derrotando o australiano Joel Parkinson e outro havaiano, John John Florence, por 15,10 pontos. Aí ficou assistindo a repescagem e viu o paulista Filipe Toledo ser eliminado por Michel Bourez, John John ganhar do australiano Taj Burrow e Adriano de Souza despachar Joel Parkinson numa bateria que já virou um verdadeiro clássico do Samsung Galaxy ASP World Tour.

Os últimos astros do esporte caíram nas quartas de final, que foram iniciadas logo em seguida para fechar a longa quinta-feira na paradisíaca ilha de Tavarua. Na primeira bateria, Nat Young pegou as melhores ondas que entraram para superar o tricampeão mundial Mick Fanning por uma larga vantagem de 14,27 a 7,50 pontos. A segunda valia a liderança do ranking para o vencedor e Kelly Slater não conseguiu achar boas ondas para mostrar o seu surfe espetacular, sendo batido pelo taitiano Michel Bourez por 13,33 a 8,90 pontos.

Aí vieram as baterias dos brasileiros e Gabriel Medina atropelou mais uma vez John John Florence, que vem sofrendo várias derrotas para o brasileiro neste ano. A vitória foi por massacrantes 14,20 a 6,34 pontos. Esta foi a segunda da quinta-feira sobre o havaiano, que praticamente não surfou, pois o duelo foi disputado numa hora ruim do mar. Medina liderou o ranking nas três provas da “perna australiana”, mas na etapa brasileira foi barrado pelo sul-africano Travis Logie ainda na terceira fase do Billabong Rio Pro e despencou para o quinto lugar na classificação geral das quatro etapas completadas no Rio de Janeiro.

“Eu estava me sentindo bem confiante, mas o John John (Florence) é sempre um adversário difícil de bater”, disse Gabriel Medina. “Nós já tivemos algumas boas batalhas e ele é um dos meus surfistas favoritos, então foi muito bom conseguir vencê-lo mais uma vez. Agora eu tenho a chance de liderar o ranking de novo, mas continuo só focado no meu surfe para tentar dar o meu melhor nas baterias. É sempre bom estar lá em cima, no topo do ranking, então vou tentar fazer mais uma final aqui para quem sabe recuperar o primeiro lugar na classificação”.

MELHOR DO DIA – Medina já foi finalista nas Ilhas Fiji em 2012, quando perdeu a decisão do título para Kelly Slater, que venceu as três últimas edições desta etapa. Neste ano, tudo indicava que a segunda semifinal seria verde-amarela. Isto porque Adriano de Souza vinha fazendo grandes apresentações nas esquerdas perfeitas de Cloudbreak. Na primeira bateria que disputou na quinta-feira, Mineirinho chegou bem perto do recorde de 18,70 pontos conseguido pelo taitiano Michel Bourez na quarta-feira.

Adriano totalizou 18,63 com as notas 9,33 e 9,30 das suas melhores ondas contra o australiano Adrian Buchan pela terceira fase e ainda jogou fora um 9,13 e um 8,63. Ou seja, com estes 17,76 pontos que descartou, Mineirinho poderia ter vencido quase todas as outras baterias realizadas na quinta-feira, menos uma, justamente a que ele foi eliminado pelo norte-americano Kolohe Andino no último duelo do dia.

Para chegar lá, Mineirinho teve que passar pela repescagem, pois na primeira chance de classificação para as quartas de final foi superado pelo próprio Andino por 13 décimos de diferença: 14,27 a 14,13 pontos. Depois despachou Joel Parkinson por 12,67 a 10,10 antes de fazer a bateria mais emocionante do Fiji Pro esse ano. O brasileiro começou bem com nota 8,5 e manteve a paciência para aguardar pelas melhores ondas, mas Kolohe Andino também foi brilhante ao conseguir notas 7,83 e 8,50, que depois trocou por 9,13 e 9,23 também em duas seguidas. Com elas atingiu 18,36 pontos e Mineirinho só conseguiu somar a nota 8,57 da sua última onda, sendo eliminado com 17,07 pontos.

“Hoje (quinta-feira) foi com certeza o dia que eu surfei melhor desde que entrei no WCT”, disse Kolohe Andino. “Eu consegui manter a calma na bateria e estou muito feliz por chegar nas semifinais pelo segundo evento consecutivo. Lá no Brasil eu ainda fui até a final e vamos ver aqui se consigo repetir isso. Estou apenas me concentrando em passar bateria por bateria e está dando certo, então vamos ver o que vai acontecer. Estou muito feliz também que o Nat (Young) está nas semifinais, pois ele é o meu melhor amigo no Tour”.

BATALHA PELA LIDERANÇA – Na chave de cima do Fiji Pro, o grande destaque foi a batalha pela liderança do ranking entre Kelly Slater e Michel Bourez. O taitiano está em grande fase e acabou com o reinado do maior ídolo do esporte que tentava o tetracampeonato consecutivo nas ondas de Cloudbreak e Restaurantes na ilha de Tavarua.

Bourez não tinha começado bem a quinta-feira, sendo mandado para a repescagem pelo norte-americano Nat Young. Mas, aproveitou a segunda chance de classificação para as quartas de final derrotando o brasileiro Filipe Toledo por 13,44 a 8,20 pontos na repescagem. E o placar da sua vitória sobre Slater nas quartas de final foi parecido, 13,33 a 8,90.

“Antes de vir para Fiji, eu só pensava que chegar nas quartas de final já seria um bom resultado”, confessou Michel Bourez. “Quando vi que minha bateria seria contra o Kelly (Slater), eu achava que ele ia vencer porque sempre surfa muito bem aqui. Entrei na bateria para aproveitar a chance de surfar contra o melhor surfista de todos os tempos, então fiquei muito feliz por ter conseguido ganhar dele. É bom fazer a semifinal, mas melhor ainda é fazer a final. Ganhar o título é o objetivo de todos e eu só tenho mais duas baterias para isso”.

Agora só faltam as semifinais e a grande final para fechar o quinto desafio do Samsung Galaxy ASP World Championship Tour 2014, que ainda tem prazo até o dia 13 para ser encerrado nas Ilhas Fiji. A primeira chamada para as semifinais foi marcada para as 7h30 da sexta-feira na ilha de Tavarua, 16h30 da quinta-feira pelo fuso horário de Brasília, com transmissão ao vivo pelo www.aspworldtour.com

 

Fonte: ASP

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