Galpão abandonado vira problemão para os moradores do Guarapes

Local onde funcionava Conselho Comunitário agora serve como banheiro e para o uso de drogas

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Além de conviver com lixo, falta de segurança e graves problemas sociais, moradores do bairro Guarapes, na zona Oeste de Natal, sofrem com o abandono do galpão onde era sediado o Conselho Comunitário local, situado na Rua Neópolis. Atualmente, o lugar vem sendo utilizado como banheiro e local de consumo de drogas.

Até meados de 1995, o galpão abrigava atividades recreativas e de utilidade para a comunidade, como cursos e aniversários. Na administração de uma ONG, o espaço abrigou biblioteca, aulas de teatro e de ritmos, como hip hop, mas depois de algum tempo, houve um abandono da estrutura, por falta de água e energia, decorrentes de dívidas, que somam mais de R$ 5 mil.

Célia Lima, agente de saúde e moradora do Guarapes, conta que tentou reocupar o espaço com outras atividades, mas o galpão não tem a estrutura mínima. “Tenho um grupo de caminhada, limpamos tudo e no final não deu certo, pois a composição do local é muito frágil, toda enferrujada e sem telhas” relatou.

Ela ainda afirma que a própria comunidade derrubou a parede de trás do espaço, e hoje, o galpão é palco para consumo de álcool, drogas e uso como banheiro. “Também colocam lixo na frente do espaço” disse.

Os próprios moradores vizinhos ao galpão realizam a limpeza do terreno que fica no entorno do espaço, por medo que animais e sujeira tomem conta do local e, consequentemente, possa atingir suas moradias.

A população procurou a administração municipal, mas a única resposta obtida foi a de que a Prefeitura não é responsável pelo galpão. “Fomos à Prefeitura e disseram que o local foi construído pela empreiteira que fez o conjunto e doou à comunidade e assim a administração pública não tem vínculo algum com o prédio” disse Célia.

Oficialmente, o local deveria abrigar a sede do Conselho Comunitário do bairro. Em 1994, a moradora do bairro afirma que veio uma verba para reforma da estrutura, mas acabou que o financiamento não teve o devido destino. “Deixamos de receber inúmeros projetos do Governo e da Prefeitura por falta de espaço adequado. O programa do leite deixou de ser entregue no bairro por falta de local cômodo. Antes, o leite era entregue em uma creche administrada pelo Estado, e com o fim, ficamos sem o projeto. A Prefeitura sabe a situação dos moradores do Guarapes, que são pobres. A juventude fica sem um espaço, que poderia funcionar para programas sociais”.

Célia ainda explica que uma boa opção é que fosse feita uma reforma no local ou, se houvesse a necessidade de derrubar a estrutura existente, poderia ser construída uma academia dos idosos para dar assistência à população local. “Também poderia abrigar cursos para adolescentes e grupos culturais do bairro”, destacou.

O titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Marcelo Toscano, se dispôs a receber os moradores do bairro para a resolução do caso. “Quero recebê-los para auxiliar na parte de recuperação e devolução da obra, que através de uma ação municipal conjunta, poderá ter uma destinação adequada” afirmou.

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