Garibaldi defende os Alves e critica discurso “maniqueísta” de Robinson

Segundo ex-governador, candidato do PSD foi preconceituoso ao falar da família Alves em discurso

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Alex Viana

Repórter de Política

O ministro da Previdência, Garibaldi Filho (PMDB), considerou as declarações do vice-governador Robinson Faria, candidato do PSD ao governo do Rio Grande do Norte, como “mesquinhas”, destacando que elas alimentam o maniqueísmo, a estigma e o preconceito. Na convenção do PSD, no domingo, Robinson afirmou que “o povo não suporta mais Alves e Maia no poder do RN”. Aliado do principal adversário de Robinson nessas eleições, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), Garibaldi disse que o povo espera um debate de ideias e propostas, “o que não se encontrou nas suas declarações”.

Garibaldi questionou a postura de Robinson: “Para representar a mudança, é preciso que o candidato possa renovar o debate. Como é que um candidato se diz mudancista e vem propor um debate, como li nas declarações do vice-governador Robinson, que alimentam o maniqueísmo, o estigma e o preconceito?”. Segundo o ministro, em suas declarações, Robinson se propôs a amaldiçoar as famílias Alves e Maia, pelo desempenho que elas tiveram na política do Rio Grande do Norte. No entanto, de acordo com o peemedebista, os Alves têm exemplos a dar no campo da política potiguar.

Para o ministro, ao amaldiçoar os Alves, o candidato do PSD precisaria consultar o povo para saber se é isso que a população pensa, por exemplo, do governo de Aluízio Alves, na década de 60. “Um governo tido como inovador, que trouxe a energia de Paulo Afonso para o Estado, o que aumenta a estranheza a respeito das declarações do candidato”, disse Garibaldi, que foi governador por dois mandatos (1995 a 2002). “Com relação a mim, o meu governo pode ter tido até falhas, erros, mas ele precisava saber que o meu governo foi absolutamente o maior pioneiro, diria assim, sem falsa modéstia, no que toca a uma política de recursos hídricos no Estado. E isso não está condizente com o que disse ele na convenção e que foi reproduzido na entrevista ao jornal”, contou Garibaldi.

De acordo com o ministro da Previdência, Robinson amaldiçoa a família Alves, ao declarar que “Alves e Maia afundaram o Estado e agora querem falar em mudança”. Disse Garibaldi: “Eu diria, também, sobre a maldição dos Alves que o candidato apregoa, que o prefeito Carlos Eduardo é Alves e está aí, recuperando a cidade, e realizando um governo que vem merecendo a aprovação popular, segundo pesquisas recentemente publicadas”. Para Garibaldi, o ex-prefeito de Parnamirim, atual deputado estadual Agnelo Alves, também deu contribuição positiva para o município. “É Alves também o ex-prefeito Agnelo Alves, que deixou a prefeitura de Parnamirim com 93% de aprovação”, ressaltou.

“Sociedade quer debate e não um salvador”

O ministro Garibaldi disse ainda que a sociedade, nessas eleições, espera por propostas, e não por um salvador da pátria. “Ora, é preciso que o vice-governador saiba que o debate que o povo espera deve ser de ideias, de propostas, o que não se encontrou nas suas declarações”, admoestou o ministro. “O debate precisa ser, me perdoe o vice-governador, em torno dos graves problemas da segurança, da saúde, que estão sendo apontados assim pelas pesquisas. A população espera de qualquer candidato, e veja que as manifestações ainda ecoam nas ruas, a sociedade espera propostas nessa direção. E não que alguém se proponha a ser um salvador da pátria”, afirmou.

Nesse sentido, o ministro defendeu um debate mais propositivo nestas eleições. “Eu pergunto ao vice-governador: será que ele não poderia se voltar para o verdadeiro debate que o povo deseja? E não o maniqueísmo de querer dizer que o bom é ele e os aliados dele, e os maus, são os que estão contra ele?”, provocou.

Segundo o ministro, o deputado Henrique Alves está fazendo diferente de Robinson, ao propor o debate de ideias. Ressaltando a “experiência parlamentar invejável” de Henrique, “de 11 mandatos”, e que, com a sua atividade parlamentar, “trouxe obras fundamentais para o estado, como é o caso do Aeroporto Aluízio Alves, como é o caso do início de ampliação da BR 304, e tantas outras obras”, o ministro finalizou fazendo um apelo a Robinson: “Eu faria um apelo final ao vice-governador: não deixe o debate derivar para esse tipo mesquinho de argumentação. Tenho certeza que a sociedade quer mudanças, como disse no início, mas a partir do debate”, frisou.

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