Garibaldi Alves: “A melhor solução para o RN hoje seria Fernando Bezerra”

Segundo Garibaldi, o retorno de Fernando Bezerra seria muito benéfico ao Estado, sobretudo pela experiência empresarial e bagagem política do ex-senador

Segundo Garibaldi, “da parte do comando do PMDB há um simpatia pelo nome do ex-senador”. Foto:Divulgação
Segundo Garibaldi, “da parte do comando do PMDB há um simpatia
pelo nome do ex-senador”. Foto:Divulgação

Alex Viana

Repórter de Política

O ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho (PMDB), voltou a admitir
hoje, em entrevista ao “Jornal da Cidade”, da FM 94, que o melhor nome hoje no PMDB para disputar as eleições de governador no ano que vem é o do empresário Fernando Bezerra (PMDB). Ele citou o passado de Bezerra, como senador peemedebista, líder dos governos Lula e FHC e ministro da Integração, como credenciais do empresário. Apesar disso, Garibaldi reconheceu “algumas dificuldades da parte” do ex-senador, que são apontadas por pessoas que não reconhecem em Fernando Bezerra a “melhor solução”. No entanto, segundo Garibaldi, “da parte do comando do PMDB há um simpatia pelo nome do ex-senador”.

“Eu não quero assumir uma responsabilidade, eu até ultimamente não
conversei mais com os peemedebistas, nem mesmo com o presidente Henrique Eduardo Alves, mas eu sei que há, da parte do comando do PMDB, uma simpatia pelo nome do ex-senador Fernando Bezerra. E isso já foi externado a ele”, declarou Garibaldi, que tem sido o peemedebista melhor situado nas sondagens de intenção de voto para as eleições de 2014, mas que abdica da possibilidade, afirmando não ser este o projeto dele para o ano que vem.

Segundo Garibaldi, Fernando Bezerra passa a ser um nome do PMDB, “diante do fato de que não há um candidato que tenha um passado”, ele diz. “Há realmente alguma dificuldade da parte dele e a gente tem que respeitar a opinião das pessoas, que dizem que a melhor solução não seria ele”, disse Garibaldi, se referindo ao fato de que Bezerra deixou a política em 2006, após ser derrotada pela atual governadora Rosalba Ciarlini (DEM), que naquela época era ex-prefeita de Mossoró e disputou contra o então senador candidato à reeleição a vaga do Estado no Senado Federal. Aquela vitória significou a ascensão de Rosalba rumo ao governo, com a vitória dela quatro anos mais tarde, e a aposentadoria de Bezerra, que nunca mais quis saber da política – inclusive abandonando centenas de prefeitos no interior do Estado que haviam contado com o ministro para obter verbas em Brasília.

No entanto, segundo Garibaldi, o retorno de Fernando Bezerra seria muito benéfico ao Estado, sobretudo pela experiência empresarial e bagagem política do ex-senador. “Para o Estado, para o Rio Grande do Norte, eu digo sem pestanejar, sem gaguejar, para ser mais claro, sem titubear: a melhor solução para o Rio Grande do Norte hoje seria o nome de Fernando Bezerra”,
disse o ministro, deixando claro, entretanto, ser esta a opinião dele. “É
uma opinião minha. Se é a do diretório, se é a da convenção, isso só o
tempo dirá”, afirmou.

Garibaldi, maior liderança eleitoral do PMDB, disse que “o Estado precisa
de um homem público, que é um empresário, mas que é um homem público pela relevância dos cargos que ele ocupou. No momento, pela experiência, pela militância que ele teve à frente da Confederação das Indústrias, à frente do Ministério da Integração, como líder do governo de Lula, como líder do partido no Congresso Nacional, eu aposto, eu acredito que ele seja uma solução para o partido”, afirmou, defendendo, entretanto, a necessidade de o PMDB aprofundar as discussões. “Temos que ter cuidado”, frisou.

ALIANÇAS

No tocante às alianças, Garibaldi disse que o PMDB não deverá excluir
ninguém. Nesse sentido, ele admitiu a possibilidade de aliança com o PSB da ex-governadora e atual vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria, mas disse também que o PT não deverá ser excluído. “Admitimos (aliança com Wilma). Eu acho que o PMDB admite. Não há nada previamente resolvido, mas não há exclusão de ninguém”, ressaltou Garibaldi, defendendo a necessidade de um “pacto de governabilidade” pelo Rio Grande do Norte.

“Antecedendo a esse pacto vai haver um pacto político e não vai querer se ter um, porque não vai haver candidato único, a verdade é essa. Mas aquele que puder ter uma situação mais favorável para partir para a disputa, que o tenha. É isso que o deputado Henrique está fazendo e que algumas pessoas não entendem, pensam que nós estamos com a preocupação de ter um chapão – eu até acho graça. Chapão não existe, porque o povo quer ver a disputa, quer ver o confronto. Agora, nós queremos somar”, disse.

“O erro pelo desastre do governo é da governadora”

Ao analisar o governo do Rio Grande do Norte, o ministro da Previdência
Garibaldi Filho atribuiu à própria governadora do Estado, Rosalba Ciarlini, a responsabilidade pelos problemas do Estado. Ele citou as razões que levaram ao rompimento do PMDB, frisando que, entre elas, estava o fato de que “o governo não estava voltado para as prioridades que tinham me levado à praça pública com a governadora Rosalba”, afirmou.

Segundo o ministro, a crise dele em relação ao governo se tornou profunda quando da saída do secretário Ramzi Elali da pasta de Turismo. Empresário do setor, Ramzi teve o nome avalizado pelo próprio ministro para o setor, uma das áreas que mais atenção recebeu durante o governo Garibaldi (1995-2002).
“Ramis entregou a pasta nos comunicando que não estava sendo prestigiado, não estava sendo ouvido. Ele não saiu atirando, quem está dizendo sou eu depois de muito tempo. Ele saiu tranquilamente dizendo somente que queria sair. Mas eu, pelo que ele me relatou, vi que o governo não estava voltado para aquelas prioridades que pelo menos tinham me levado à praça pública com a governadora Rosalba. Uma delas era o bom programa de turismo, que no governo nós fizemos alguma coisa pelo turismo”, disse Garibaldi.

Garibaldi disse que “o governo pecou, sobretudo, pela ausência do diálogo com aqueles que o ajudaram na eleição e que queriam participar mais do governo. O governo isolou-se muito”, afirmou, antes de citar a deficiência no secretariado estadual (“muito arredio a esse diálogo, com exceções”), não por culpa dos secretários, deixou claro o ministro (“não estou aqui criticando o perfil de ninguém”), mas por “erro na orientação do governo”. “O erro é na orientação do governo, da governadora”, declarou.

Ainda de acordo com a avaliação do ministro da Previdência, que no início da gestão Rosalba foi apontado como responsável por “abrir as portas do governo federal” para a gestão democrata, o governo Rosalba “passou a ser, como está sendo agora, um mero gestor da folha de pessoal”. Garibaldi criticou o fato de o governo deixar para pagar apenas no próximo ano (dia 10) o salário de 6,87% dos servidores estaduais.

“O Estado não tem capacidade de investimento. Esse aeroporto tem uma
história que é bem conhecida, que é a história da primeira privatização do
país, quer dizer, é uma parceria, é uma PPP entre o governo federal e a
iniciativa privada, atendendo a um apelo do deputado Henrique Eduardo
Alves”, disse o ministro, contrariando o discurso da governadora, que
aponta o aeroporto como obra da sua gestão.

“Eu não estou dizendo que o governo não tenha feito nada, não vou partir para um radicalismo dessa natureza, mas o governo deixou muito a desejar”, continuou o ministro, citando as pioras na saúde e na segurança pública, hoje os principais calos na gestão do governo. “A situação da saúde agravou-se muito no RN, a situação da segurança agravou-se muito. Então o governo se tornou um gestor da folha de pessoal. Eu acho que o governo bate palmas para ele mesmo e fica aliviado quando diz ‘até que enfim! Pagamos esse mês a folha’. Eu fui governador e passei por situações difíceis também, mas superando, para chegar ao final de uma maneira muito mais tranquila do que isso que está acontecendo aí”, disse o ministro, ressaltando terem sido esses os fatores que levaram ao rompimento do PMDB.

“Não rompemos antes porque nós esperamos que as coisas melhorassem. Como elas não foram melhorando, tivemos que deixar o governo, porque nós seríamos contaminados – nós somos políticos – pelo desgaste que a própria governadora admite. Ela não diz a dimensão, mas ela própria admite. Então é um retrato infelizmente lamentável e nós não quisemos fazer parte dessa fotografia até o final”, finalizou o ministro.

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