Garibaldi: “Na conversa com o PMDB, Wilma não falou em candidatura dela ao governo”

Para os analistas políticos, a declaração da governadora foi uma espécie de alerta ao PMDB. Especialmente, à ideia de o partido de lançar Fernando Bezerra

Ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho. Foto:Divulgação
Ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho. Foto:Divulgação

Alex Viana

Repórter de Política 

O ministro da Previdência, Garibaldi Filho (PMDB), voltou a falar com O Jornal de Hoje na manhã desta quarta-feira. O ex-governador foi abordado sobre a possibilidade de a vice-prefeita de Natal e presidente do PSB, Wilma de Faria, provável aliada do PMDB e suposta candidata da aliança ao Senado, desistir desta postulação para se candidatar ao governo. “Na conversa que nós tivemos com ela, ela não falou nada disso”, disse o ministro, fazendo menção ao suposto acordo do PMDB com a ex-governadora.

Tal acordo preveria um palanque estadual liderado pelo PMDB, com candidato a governador, e o PSB, com Wilma para o Senado. Entretanto, informações dão conta de que Wilma só aceitaria disputar o Senado se o candidato do PMDB for o atual presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, ou, então, o próprio ministro da Previdência. Diante da possibilidade – real – de o PT não fazer parte desta chapa – os petistas negociam com o PSD do vice-governador Robinson Faria a formação de um palanque oposto – Henrique poderá desistir de disputar o governo e o PMDB lançaria o ex-senador Fernando Bezerra, conhecido por conta dessa situação como “candidato laranja”. No entanto, afastado da política desde 2006, Bezerra não reuniria condições de competitividade, o que seria uma ameaça à eleição, tida como provável, de Wilma ao Senado.

Diante disso, Wilma já teria emitido sinais ao PT – e o PT já teria respondido afirmativamente – no sentido de uma aliança com Wilma para o governo e Fátima para o Senado. “Não tem novidade nenhuma. Não vou alimentar especulação. Na conversar que nós tivemos com Wilma, foi ventilado o Senado”, reforçou o ministro da Previdência.

Em entrevista ao Jornal de Hoje, na última segunda-feira, Wilma trouxe à discussão sua preocupação quanto a aliança com o PMDB apresentando Fernando Bezerra como candidato ao governo. Mesmo sem citar explicitamente o nome de Bezerra, Wilma disse que “o sentimento do povo tem que ser analisado cientificamente, através de pesquisas quantitativas e qualitativas”. Para os analistas políticos, a declaração da governadora foi uma espécie de alerta ao PMDB. Especialmente, à ideia de o partido de lançar Fernando Bezerra.

Há três semanas, o deputado estadual Nélter Queiroz (PMDB), que tem proximidade com a ex-governadora, disse que Wilma não aceitaria ser candidata ao Senado ao lado de Fernando Bezerra, porque “ele puxa para baixo” o palanque. Informações de bastidores indicam que Wilma teria pesquisas de opinião, advertindo quanto ao risco de derrota dela ao Senado, em caso de um palanque com Fernando Bezerra candidato ao governo. Ao externar a preocupação quanto às pesquisas, a intenção de Wilma seria mostrar essa incompatibilidade, e reagir a ela.

Reação

Neste sentido, o PMDB jogaria com todas as suas forças – e prestígio político em Brasília – para o que seria o projeto número um do partido: a candidatura do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, a governador. A candidatura de Henrique só se viabiliza, segundo diria o próprio, se não houver palanques adversários. Como está se desenhando um forte palanque opositor, com o vice-governador Robinson Faria (PSD) disputando o governo, e a deputada federal Fátima Bezerra (PT) o Senado, Henrique trabalharia junto à cúpula do PT nacional a retirada da candidatura de Fátima e a união do PT com o PMDB.

Na semana passada, circulou a informação de que o PMDB do Rio Grande do Norte teria uma reunião nesta terça-feira com o ex-presidente Lula, em Brasília. O objetivo seria convencer o PT a apoiar a candidatura de Henrique, para o que, o partido do deputado estadual Fernando Mineiro deveria abrir mão da candidatura majoritária, representada pela deputada Fátima Bezerra. O ministro da Previdência, Garibaldi Filho, porém, desmentiu esta informação. “Boato, por ora. Lula hoje não tem nem agenda aqui”, disse Garibaldi, no contato com a reportagem.

Salvação

A aliança com o PT, neste momento, é vista como a salvação da aliança entre PMDB e PSB, tendo como resultado a candidatura de Henrique a governador, que estaria condicionada a essa mega aliança – trazendo Wilma a reboque ao Senado. Na costura dessa aliança, o peemedebista já teria conseguido o mais difícil: o apoio dos partidos de oposição a Dilma a sua candidatura, representados no RN pelo DEM do senador José Agripino Maia e da governadora Rosalba Ciarlini, o PSDB do suplente de deputado federal Rogério Marinho e o PPS do suplente de vereador Wober Júnior, além de legendas satélites ao PMDB, como o PV, o PR e o PROS.

Para o palanque ficar completo, isolando qualquer possibilidade de candidatura adversária forte, faltaria apenas ao PMDB atrelar ao grupo suprapartidário o PSB de Wilma de Faria, o PT de Fátima Bezerra e o PSD de Robinson Faria. O PSB de Wilma já estaria “na agulha”, mas o palanque do PT com o PSD está assustando Henrique, que temeria enfrentar a chapa Robinson e Fátima – mesmo ao lado de Garibaldi, Agripino, Wilma – as três maiores lideranças políticas do Estado, e agregados de algum peso, como PROS e PR.

Instado a falar da intenção do PMDB de demover o PT e sua candidatura em prol de uma aliança com o PMDB e aliados, Garibaldi negou a intenção. Entretanto, manteve a posição de não descartar a possibilidade. “Absolutamente, ninguém vai mexer nada com PT. Como eu disse, com o PT tivemos aquela conversa, mas avançou mais a conversa com o PSB. Mas não está descartada (aliança com o PT), mas não está fechado”, disse o ministro Garibaldi Filho. Quanto às críticas do presidente do PT em Natal, Juliano Siqueira, ontem, no Jornal de Hoje, Garibaldi preferiu não responder. “Isso não vou dizer nada”.

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