General afirma que greve da PM é ilegal e representa uma ameaça à sociedade potiguar

Polícias e Bombeiros militares do RN têm reunião agendada com representantes do governo para esta tarde

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Diego Hervani

Repórter

A confirmação de que os Policiais e Bombeiros Militares, que estão acampados desde o último sábado (24) no Centro Administrativo, irão parar as atividades nesta terça-feira (27) por conta das reivindicações que não foram atendidas, não foi bem recebida pelo secretário de segurança do Rio Grande do Norte, o general aposentado Eliéser Girão Monteiro, que não poupou críticas contra a forma que os servidores tem atuado.

“Não podemos tolerar a maneira como a categoria vem agindo. Eles estão ameaçando não apenas o Governo, mas estão ameaçando a sociedade também. Isso nós não podemos admitir”, frisou Eliéser, que também informou que caso os militares realmente entrem em greve, irá procurar a justiça para que a paralisação acabe. “Não cabe o direito de greve para policiais e bombeiros militares. Se eles pararem, estarão fazendo isso de forma ilegal. Não foi o Governo que obrigou esse pessoal a ser policial ou bombeiro, eles que quiseram. Eles foram contratados para proteger a sociedade, mas agora estão ameaçando essa mesma sociedade”.

O presidente da Associação de dos Subtenentes e Sargentos Policiais Militares e Bombeiros do RN (ASSPMBM-RN), Eliabe Marques, afirmou que a categoria fez de tudo para evitar que a greve acontecesse, mas a falta de resposta do Governo levou até esse ponto. “Nós sabemos o quanto uma paralisação da Polícia é ruim, principalmente para a sociedade, que já passa por uma situação complicada com o atual momento da segurança, imagine com os policiais em greve. Sabemos do caos que o Estado fica quando os policiais resolvem parar. Não queremos isso, mas infelizmente o Governo não nos deu outra alternativa”, argumentou.

Para a paralisação desta terça-feira, os Oficiais da Polícia Militar se juntarão aos Praças. “Fizemos uma assembleia no domingo (25) e decidimos que também iremos participar dessa paralisação, já que as reivindicações atingem todos os policiais, não apenas os Praças”, frisou o capitão Antônio Moreira, presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar do RN.

De acordo com o presidente da Associação de Cabos e Soldados do Estado (ACS-RN), Roberto Campos, com a participação dos Oficiais, a paralisação deve mobilizar quase 100% da categoria. “Na paralisação do dia 22 (de abril), os oficiais participaram em apoio aos Praças, já que a principal pauta era a Lei de Promoção de Praças. Mas agora as reivindicações vão beneficiar a todos da corporação, desde os praças até o policial da reserva. Se a outra paralisação atingiu mais de 80% da categoria, agora eu acredito que vai chegar perto dos 100%”, afirmou.

Reunião pode evitar a greve

Com a possibilidade real de greve dos Policiais e Bombeiros Militares, o Governo do Estado resolveu agir e marcou uma reunião com os representantes das categorias para as 16h desta segunda-feira, na Controladoria Geral do Estado, que fica no Centro Administrativo, para tentar evitar a paralisação.

“Eu terei uma pré-reunião com a equipe do Governo às 12h30, para discutirmos alguns pontos. Sempre que nos reunimos com os representantes das categorias eles chegam com novas situações. Então vamos levar a equipe econômica do Governo para apresentar algumas situações para eles e mostrar o que o Governo tem feito para tentar atender algumas reivindicações deles”, destacou o secretário Eliéser Girão.

A categoria deu a entender que dependendo das respostas dadas pelo Governo na reunião, a paralisação pode ser cancelada. “Vamos sentar e conversar com o Governo. Saber o que eles têm para nos passar. Esperamos respostas desde a nossa última paralisação. Como eu falei, os policiais e bombeiros não querem parar. A situação atual é culpa do Governo e somente o Governo pode impedir que essa paralisação aconteça, mas para isso queremos respostas concretas e não apenas promessas”, afirmou Eliabe Marques.

Dentre a pauta de reivindicações, a categoria está cobrando o enquadramento dos níveis remuneratórios, revisão das Diárias Operacionais, revisão do Estatuto da Polícia Militar, assistência psíquica aos servidores, pagamento das promoções em atraso, revogação do Decreto 20663/2008, que altera as normas para o limite quantitativo das promoções dos oficiais e a causa prioritária que é a reposição do subsídio de 56,7% que há cerca de dois anos não vem sendo cumprida pelo Governo.

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