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Governadora Rosalba: “Mulheres têm que estar em pé de igualdade com os homens”

Data: 08 março 2013 - Hora: 18:39 - Por: Portal JH

Por mais que Rosalba Ciarlini enfrente uma desaprovação considerada alta em sua administração estadual, ela é uma personalidade política de destaque no RN. Foi prefeita de Mossoró em três oportunidades, além de ser senadora da República e governadora do Estado. Teve, inclusive, mais ascensão política que seu marido, Carlos Augusto Rosado, DEM, que chegou a ser “apenas” deputado estadual. Contudo, neste Dia Internacional da Mulher, Rosalba pregou a necessidade de igualdade entre homens e mulheres e, emocionada, pediu o fim da violência contra o sexo feminino e a aprovação da licença maternidade de seis meses.

O primeiro momento de homenagem as mulheres foi vivido na Polícia Militar, quando a governadora participou de uma cerimônia organizada às mulheres policiais. “Nós fazemos hoje uma homenagem a essas mulheres que no seu espaço e no seu tempo, com os potenciais que elas têm, vem fazendo as transformações para que possamos ter um mundo mais igual, para que homens e mulheres possam estar lado a lado contribuindo com seu trabalho, com sua força, sua luta, seus sonhos”, afirmou Rosalba Ciarlini.

Estando na PM, por sinal, Rosalba aproveitou o local para ressaltar o trabalho da mulher na Polícia Militar e na segurança pública do Rio Grande do Norte. “No início, de certa forma, eu tenho certeza que havia muitos preconceiros, mas a mulher está mostrando que na Polícia ela tem desenvolvido ações fundamentais, importantes, tem sido, inclsuive, orgulho para todos nos. Hoje nos temos mulheres comandantes, mulheres na Polícia Civil desvendando grandes problemas, grandes crimes. Estamso com realmente com as mulheres mostrando que são capazes sem jamais perder a ternura”, afirmou Rosalba Ciarlini.

Depois da Polícia Militar, Rosalba Ciarlini foi a cerimônia na Assembleia Legislativa, com o objetivo de homenagear as mulheres. E foi aí que, emocionada pelos discursos anteriores, a governadora do DEM falou que se dirigiria as mulheres mães e pediu, do Congresso Federal, a aprovação de seu projeto que regulamenta a licença maternidade de seis meses.

“Eu que sou mãe, pediatra, vi que isso vai ajudar e muito a formação dos nossos filhos. A mulher com a licença maternidade ela não fica menos produtiva, muito pelo contrário”, afirmou Rosalba Ciarlini, seguindo, depois, o discurso das deputadas estaduais que a antecederam e cobrando mais segurança e o fim de “todas as violências contra a mulher. Não apenas a física, mas também a no trabalho, na sociedade”.

Fátima: “Lutas feministas estão produzindo avanços”

Várias vezes candidata à Prefeitura de Natal, atualmente deputada federal e, para muitos, provável candidata ao Senado da República, Fátima Bezerra, do PT, acredita que hoje as mulheres colhem o resultado de muitos anos de esforço e lutas feministas. Contudo, a petista não esconde que, no começo da carreira política, enfrentou as dificuldades de adentrar em um “ambiente político fortemente dominado por uma cultura machista”.

“A maior dificuldade foi a desigualdade dessa disputa, porque além do poder econômico, o ambiente político era fortemente dominado por uma cultura machista, onde as referências são masculinas. Minha eleição, uma professora estadual, sem sobrenome poderoso, fora do circuito das famílias tradicionais, é um exemplo de que é possível enfrentar as barreiras e avançar na luta”, afirmou Fátima, relembrando a primeira vez que foi eleita deputada estadual, em 1994.

Fátima, porém, afirma que a militância iniciada no movimento sindical da educação fui beneficiada por um ambiente político mais aberto e com uma tradição de participação das mulheres diferenciada de outras categorias. “Isso facilitou minha ação política e de demais companheiras, principalmente porque serviu para adquirir força e experiência no enfrentamento da disputa eleitoral de 1994, quando fui eleita”.

A deputada federal, que é do mesmo partido da atual presidente da República, Dilma Rousseff, a primeira a ser eleita para o cargo na história do Brasil, é também um dos nomes favoritos para a disputa pelo Senado Federal em 2014. “A eleição da primeira mulher presidenta do Brasil foi de um simbolismo enorme para quebrar essa cultura machista, ainda mais quando a eleita faz uma gestão como a presidenta Dilma, aprovada por mais de 80% dos brasileiros”, ressaltou.

Porém, segundo Fátima, ainda existem situações em que mulheres são eleitas e realizam gestões tão ruins que acabam reforçando ideias machistas equivocadas sobre o papel das mulheres na política. “O efeito nesse caso passa a ser inverso. Ao invés de avanço, ocorre um retrocesso e, em consequência, passamos anos para desconstruir esse estereótipo”, avaliou a petista, que foi oposição a gestão municipal anterior, da prefeita Micarla de Sousa (PV) e é atualmente opositora do governo do Estado, Rosalba Ciarlini.

Para Fátima, ainda se está longe do fim do preconceito esta distante. “O preconceito está presente em todos os segmentos da sociedade. Os avanços são inegáveis, mesmo que lentos”, avaliou. A deputada federal afirmou que é preciso uma luta de décadas pela frente por igualdade de direitos, pelo fim da violência e discriminação de gênero. “Mas, vamos continuar avançando com novas conquistas. Muito já foi feito, mas o caminho é longo. Para isso, é preciso que as mulheres continuem mobilizadas e participem cada vez mais da vida política para transformar o Brasil num país de todos e todas”, acrescentou.

Deputadas homenageiam mulheres, mas cobram cumprimento da Maria da Penha

Presidência da República, Governo do Estado, vice-prefeitura de Natal, reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). As mulheres estão no poder político e administrativo da sociedade, mesmo assim, continuam sendo vítimas de violência e preconceito. Pelo menos, é o que avaliam – e denunciam – as mulheres que exercem cargos políticos de destaque no Rio Grande do Norte.

“A realidade ainda limita a liberdade da mulher para estudar, exercer cargos políticos ou se divertir”, afirmou a deputada estadual Márcia Maia, do PSB, em cerimônia de homenagem ao Dia Internacional da Mulher, realizada na Assembleia Legislativa do RN. Filha da ex-governadora de Estado e atual vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (também PSB), Márcia apresentou dados polêmicos, como o fato das mulheres estudarem mais, mas ainda ter menos espaço no mercado de trabalho ou ganhar menos que os homens.

A situação de violência contra a mulher, porém, foi o principal tema de reclamação de Márcia Maia e de outras deputadas na cerimônia da Assembleia. A Lei Maria da Penha, segundo a pessebista, apesar de importante, ainda não é buscada por todas as mulheres agredidas. “Entre as mulheres que denunciaram, não há registro de homicídio posterior, mostrando que a Lei Maria da Penha salva vidas”, afirmou Márcia Maia.

“Nós mulheres ainda amargamos tristes estatísticas”, avaliou Gesane Marinho, do PSD, outra que discursou no plenário da Assembleia Legislativa. “Para se ter uma ideia, um estudo da organização internacional de Saúde, apontou que 10% das mulheres contaram com foram forçadas a ter sexuais com os parceiros”, afirmou a pessedista, que é filha da nova prefeita da cidade de Canguaretama, Fátima Marinho.

HOMENAGENS

Na cerimônia na Assembleia Legislativa, foram homenageadas algumas mulheres de destaque da sociedade potiguar. Entre as homenageadas, a chefe da reserva marinha do Atol das Rocas, Maurizélia de Brito Silva, conhecida como a guardiã do lugar, a jornalista Michele Rincon, apresentadora da Intertv Cabugi, e a mossoroense Edith Fernandes, 77 anos, considerada uma mulher à frente do seu tempo e liderança política na cidade, mesmo sem nunca ter exercido um mandato eletivo.

“Desde o primeiro voto feminino, exercido por uma mossoroense, Edith está definitivamente inscrita na história política de Mossoró e do Rio Grande do Norte. Ela fez política, definiu rumos, sempre presente”, justificou Larissa Rosado, deputada estadual do PSB, filha da deputada federal Sandra Rosado.

 

ATUAÇÃO DA MULHER NA POLÍTICA DO RN

Governo do Estado
Liderado oficialmente pela governadora Rosalba Ciarlini, a administração direta do RN tem 25 cargos em primeiro escalão , mas apenas quatro são ocupados por mulheres: Jeanne Karenina Santiago Bezerra (defensora-geral); Betania Leite Ramalho (secretária Estadual de Educação); Kátia Cardoso Pinto (secretária de Infraestrutura) e Isaura Rosado (secretária para Assuntos da Cultura).

Prefeituras
O prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves, do PDT, tem como vice a ex-governadora e ex-prefeita Wilma da Faria, do PSB. Na administração direta, destaca-se Virgínia Ferreira, secretária de Planejamento; Justina Iva, secretária municipal de Educação; Ilzamar Pereira, secretária de Trabalho e Assistência Social; e Elequicina dos Santos, secretária de Mobilidade Urbana.

Assembleia Legislativa
Dos 24 parlamentares estaduais, a Assembleia Legislativa do RN tem cinco deputadas: Márcia Maia e Larissa Rosado, ambas do PSB, e Gesane Marinho, do PSD.

Câmara Municipal de Natal
Na Câmara Municipal, são 29 cadeiras de vereador, mas o número delas que são ocupadas por mulheres é maior: quatro. Professora Eleika, Eudiane Macedo, Amanda Gurgel e Julia Arruda são as representantes da classe feminina na Casa.

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