Governo do Estado assina contrato para construção da ZPE em Macaíba

Empresa fala em investimento inicial de R$ 30 milhões

Amaro Sales, da Fiern, sugeriu pressa as empresas que querem se instalar na ZPE. Foto: Wellington Rocha
Amaro Sales, da Fiern, sugeriu pressa as empresas que querem se instalar na ZPE. Foto: Wellington Rocha

O presidente da Unihope Imobiliária, Administração e Construção Civil, vencedora da licitação para a construção e administração da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Macaíba, Karim Khoury, disse hoje, durante a assinatura do contrato para construção da ZPE, que a empresa paulista pretende aportar R$ 30 milhões no projeto. “Se precisarmos de mais, colocaremos mais dinheiro”, acrescentou.

Como sempre acontece quando se fala em investimentos no Brasil, o dinheiro virá inicialmente de recursos públicos do Governo Federal via financiamento oficial do BNDES. A partir da ZPE, indústrias poderão se instalar na área se beneficiando de amplos incentivos fiscais, desde que assumindo o compromisso de exportar 80% de tudo que produzirem, deixando os 20% restantes para o mercado interno. Uma proposta hoje no Congresso quer ampliar a parcela dessa produção a ser comercializada no país para 40%.

Cercado pelos jornalistas na Escola de Governo para responder perguntas sobre sua expectativa de retorno do projeto, Karim Khoury, tentando superar dificuldades com a língua (ele é sírio libanês) limitava-se a responder: “Vai dar tudo certo, vai dar tudo certo”.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de ZPEs, Herson Braga, a partir da assinatura do contrato para a construção da ZPE, em Macaíba, “o Estado deu o primeiro passo para mudar completamente sua realidade econômica, em um processo com desdobramentos imprevisíveis para a economia local”.

A expectativa, de acordo com ele, é que no curto e médio prazo comecem a trabalhar na ZPE entre 5 a 10 mil pessoas. Numa das poucas informações repassadas pelo presidente da Unihope, várias empresas internacionais já teriam sinalizado interesse para se instalar na nova Zona de Processamento de Exportação – só não disse quais.

Presente a assinatura do acordo, o superintendente da Sudene, Paes Landim, definiu o momento como “emblemático”, já que, segundo ele, chega com atraso de muitos anos, junto com o novo aeroporto de São Gonçalo do Amarante, município aventado inicialmente para abrigar primeiro a ZPE. Essa especulação fez com que as terras próximas ao aeroporto, que não foram desapropriadas, tivessem seus valores decuplicados.

O presidente da Federação da Indústria do Rio Grande do Norte, Amaro Sales, em entrevista ao JH, sugeriu que as empresas locais se apressem em considerar projetos para se instalar na nova ZPE, enquanto ainda há disponibilidade.

“É um momento importante para todos, tendo em vista que foram as zonas de processamento de exportação as grandes responsáveis pelo desenvolvimento de países como a China e a Coréia, para não mencionar outros exemplos” lembrou Amaro Sales.

Pouco antes, o próprio Paes Landim disse que a ZPE, apesar de atrasada em sua instalação, deve mobilizar empresas, mas isso a partir de bons projetos. O presidente foi duro ao comparar o montante de recursos dedicados pelo BNDES aos estados do Centro-Sul em relação ao Nordeste. “Dos R$ 400 bilhões aplicados pela empresa no ano passado, só 10% desse montante beneficiaram o Nordeste”, afirmou Landim.

Marcado para as 11 horas da manhã, a assinatura do contrato de concessão como a administradora da ZPE aconteceu quase no mesmo instante em que, no auditório da Governadoria, acontecia a comunicação sobre as últimas previsões dos metereologistas para a quadra chuvosa.

A Prefeitura de Macaíba e a Administradora da Zona de Processamento e Exportação de Macaíba (Azmac), empresa constituída pela Prefeitura de Macaíba, Governo do Estado e Fiern, também assinaram o contrato com a empresa Unihope.

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