Governo Federal investe mais em estádios do que em educação pública

Financiamento para construção de estádios é maior do que os repasses para a educação nos últimos 4 anos

Em Natal, a construção da Arena das Dunas recebeu um financiamento de R$ 396 milhões, valor quase três vezes maior que o repassado pelo Governo Federal para a educação na capital potiguar em quatro anos: R$ 149 milhões. Foto: Wellington Rocha
Em Natal, a construção da Arena das Dunas recebeu um
financiamento de R$ 396 milhões, valor quase três vezes
maior que o repassado pelo Governo Federal para a educação
na capital potiguar em quatro anos: R$ 149 milhões. Foto: Wellington Rocha

Carolina Souza
acw.souza@gmail.com

Dados da Controladoria Geral da União, divulgados no Portal da Transparência e repercutidos em toda imprensa nacional, revelam que as prioridades de investimento do Governo Federal e as pretendidas pela população parecem não ser as mesmas. Um exemplo é o comparativo feito entre os financiamentos dos estádios para a Copa do Mundo e repasses para a educação pública. Em nove das 12 cidades-sede dos jogos, o financiamento federal para a construção e reforma dos estádios é maior do que os repasses da União para a educação nos últimos quatro anos.

Em Natal, por exemplo, a construção da Arena das Dunas recebeu um financiamento de R$ 396 milhões – quase três vezes mais do que o que o Governo Federal repassou para a educação na capital potiguar em quatro anos: R$ 149 milhões. Apenas Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo receberam mais dinheiro federal para a educação do que para as obras das arenas esportivas.

Em Brasília, o financiamento do Estádio Nacional foi zero, tendo em vista que a reforma foi custeada por verbas distritais. Para a educação, o governo destinou R$ 33 bilhões. No Rio de Janeiro foi concedido um financiamento para o Maracanã na ordem de R$ 400 milhões e a educação recebeu R$ 1,6 bilhões. Já na capital paulista, também foi financiado R$ 400 milhões para o Arena São Paulo, mas destinados R$ 465 milhões para a educação.

Diante do comparativo, o deputado estadual Fernando Mineiro (PT) destaca que os dados precisam ser revistos. “De fato, a educação em Natal e no Rio Grande do Norte precisa de muito mais investimento. Entretanto, não devemos comparar financiamento com repasse. O dinheiro para construção da Arena das Dunas se trata de um empréstimo. É uma Parceria Público-Privada, na qual a empresa responsável deverá pagar esse financiamento em até 20 anos. Isso não se trata de um repasse, como acontece com os investimentos em educação e saúde pública, por exemplo”, afirmou.

 

Pesquisa: brasileiros priorizam gastos com saúde e educação

Em pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Ibope, publicada no último mês de julho, cerca de sete mil entrevistados de 434 municípios apontaram como os setores mais críticos do país a saúde (desaprovada por 71% dos entrevistados) e a educação (desaprovada por 37%).

O total dos repasses do Governo Federal para saúde e educação entre os anos de 2010 e 2013 em Natal foram de R$ 1,1 bilhão e R$ 149 milhões, respectivamente. Os repasses para Brasília estão bem acima das demais cidades porque a União banca integralmente os gastos com saúde, educação e segurança pública da capital federal, enquanto as outras cidades contam com verbas estaduais e municipais para estas áreas.

Com relação às obras de mobilidade urbana, consideradas como principal legado para as cidades-sede, foi grande a redução do previsto na Matriz de Responsabilidade para a Copa do Mundo: em vez dos 50 empreendimentos previstos para o setor em 2010, apenas 35 intervenções urbanas permaneceram, incluindo obras destinadas a facilitar o acesso aos estádios. Algumas obras em todas as cidades foram desmembradas em intervenções menores. Até agora 24 obras de mobilidade urbana em 10 cidades-sede já caíram, entre elas a reestruturação da avenida Roberto Freie, em Natal, avaliada em R$ 221 milhões.

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