Governo do RN decide trocar imediatamente o comando do Itep

Nazareno de Deus, que passou quase três anos como diretor geral, disse hoje que já sabia que seria exonerado

Durante o tempo que permaneci diretor geral, fiz o que podia para melhorar a precária estrutura do órgão. Foto: Divulgação
Durante o tempo que permaneci diretor geral, fiz o que podia para melhorar a precária estrutura do órgão. Foto: Divulgação

O Instituto Técnico Científico de Polícia do Estado (Itep/RN), que recebeu destaque nos últimos meses por causa da greve dos servidores e dos inúmeros problemas estruturais e de recursos humanos, será dirigido agora pela ex-corregedora geral da Secretaria de Segurança Pública (Sesed), Raquel Taveira.  A mudança, confirmada hoje pela publicação da exoneração do ex-diretor Nazareno de Deus no Diário Oficial do Estado (DOE) e nomeação de Raquel, deve mudar a estrutura do órgão, que enfrenta uma nova ameaça de paralisação.

Nazareno de Deus, que passou quase três anos como diretor geral, disse hoje que já sabia que seria exonerado e que sai do órgão com a sensação de que fez tudo o que podia para melhorar a situação crítica pela qual o Itep/RN passa há vários anos. Com um orçamento de apenas R$ 700 mil ao ano para manter as unidades de Natal (sede), Caicó e Mossoró, ele afirmou que uma das maiores dificuldades que enfrentou foi a falta de um estatuto e de uma lei orgânica que regesse o órgão e o número insuficiente de funcionários para dar conta das escalas de trabalho.

“Sabia que seria exonerado e, ao contrário do que estão dizendo, não pedi para sair, até porque não cometi nenhuma ilegalidade ou coisa semelhante. Não tinha motivos para pedir a exoneração, apenas o Governo decidiu que eu não deveria mais ficar à frente do Itep. Durante o tempo que permaneci diretor geral, fiz o que podia para melhorar a precária estrutura do órgão, que é muito difícil de administrar, por interferências políticas, poucos recursos e a falta de uma lei orgânica e de um estatuto, que os servidores tanto lutam para conseguir”, explicou.

Nazareno disse ainda que outro grave problema enfrentado pelo órgão, e que está sendo comentado desde a semana passada pela imprensa potiguar, é o baixo número de profissionais em atuação, principalmente peritos e legistas. Ele afirmou que durante o tempo que passou no Itep, enviou inúmeros ofícios solicitando a realização de concurso público para a complementação do quadro, reposição dos servidores aposentados e/ou mortos e que, até hoje, nunca recebeu resposta do Governo do Estado.

“Além disso, deixo projetos de melhorias, como reformas e ampliações das três unidades; dois laboratórios, 15 novos veículos; equipamentos de última geração como três comparadores balísticos e um aparelho de grafotecnia e ainda um aparelho de Raios-X e um gabinete odontológico que estão há seis meses aguardando serem instalados em Mossoró porque o Governo ainda não enviou os recursos necessários para isso, entre outras benfeitorias”, desabafou.

Situação de caos

Descontrole absoluto de pessoal, acúmulo de laudos sem conclusão, prédios deteriorados e com riscos reais de incêndio, equipamentos de alta tecnologia sem técnicos capacitados e falta de local adequado para acomodação de cadáveres em decomposição e ossadas, que ficam amontoados ao ar livre. Esses e outros graves problemas foram encontrados no Itep/RN e listados no relatório apresentado no mês passado pela comissão formada por representantes da Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública (Sesed), Secretaria Estadual de Recursos Humanos, Ministério da Justiça, Ministério Público e Poder Judiciário.

O último problema detectado é a alteração da escala de serviço dos servidores técnico-especializados, que pode fazer com que alguns setores do órgão fiquem sem atendimento durante vários dias pelos próximos meses. Para tentar evitar essa situação, o que contribuiria para a paralisação de serviços como necropsias, conjunção carnal e até a remoção de cadáveres, o executivo estadual vem se reunindo desde a semana passada com os profissionais para discutir a elaboração da escala de serviços, sem sucesso.
Além disso, as necropsias também serão prejudicadas, já que com a adoção da nova escala a partir do próximo domingo, o orgão poderá ficar seis dias sem a realização dos exames e sem liberação dos corpos. Já o serviço de recolhimento de cadáver em local de crime, em Natal, ficará três dias totalmente parado. E o serviço de limpeza e desinfecção do necrotério da sede do Itep, na Ribeira, terá 24 dias em dezembro com as atividades suspensas, aumentando assim o já alto grau de insalubridade do local.

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