“Governo também não usa recursos federais para Educação e combate à seca”

Deputado federal afirma que devolução de recursos da Segurança não é um fato isolado e cobra transparência

Por isso, deputado Fernando Mineiro cobrou informações do Governo a respeito de outros repasses. Foto: Divulgação
Por isso, deputado Fernando Mineiro cobrou informações do Governo a respeito de outros repasses. Foto: Divulgação

Ciro Marques
Repórter de Política

O Governo do RN virou manchete nacional, mais uma vez negativa, por devolver recursos federais da Segurança Pública. O Rio Grande do Norte foi o segundo que mais devolveu verba do Ministério da Justiça pela falta de projetos para utilizá-lo. Surpresa? Nada disso. Para o deputado estadual Fernando Mineiro, do PT, a situação não surpreende porque, para quem acompanha as ações da administração da governadora Rosalba Ciarlini, do DEM, há mais tempo, sabe muito bem que isso é corriqueiro.

“Não é uma surpresa não. Existe uma série de recursos que o Governo do Estado recebe e não utiliza por uma série de fatores, dentre eles, a incompetência pela falta de projetos”, afirmou Fernando Mineiro, que em agosto do ano passado fez um ofício enviado a governadora e ao secretário de Planejamento e Finanças, Obery Rodrigues, para que fosse informado a situação dos convênios firmados com o Governo Federal e, até hoje, não teve retorno.

“Falta transparência aí, sem dúvida. Até porque o Portal da Transparência, se você for ver, tem informações totalmente desatualizadas, defasadas”, criticou o deputado petista. “Quando voltar aos trabalhos na Assembleia, farei uma nova solicitação a respeito desse assunto. O Governo não pode se negar a dar informações”, acrescentou.

Com relação aos recursos perdidos, apesar de não ter a informação oficial do Governo, Fernando Mineiro sabe que não foi só o caso da Segurança Pública. “Temos, por exemplo, os recursos de ações de combate à seca, como a da adutora de Campo Grande e de Baixa Verde. Para a instalação de poços e dessalinizadores. O Governo Federal disponibiliza o dinheiro, a população precisa da ação, mas a gestão estadual não consegue dar as respostas necessárias. Isso é mais uma prova que o Governo Rosalba chegou ao fundo do poço”, afirmou Mineiro.

O deputado petista também citou outros casos da não utilização de recursos federais disponibilizados. Segundo ele, o Brasil Profissionalizado havia sido assinado com o Governo do Estado, mas a falta de ação do Estado impede a utilização do projeto que visa fortalecer as redes estaduais de educação profissional e tecnológica. “Tem também alguns recursos que quase não são utilizados por falta de recursos, por falta de projetos, como a verba destinada para reformas de escolas estaduais”, acrescentou Mineiro.

JUSTIFICATIVA

É importante ressaltar que diante da matéria publicada pelo jornal O Globo, que mostrou os R$ 12 milhões devolvidos pelo Governo do RN por falta de projetos, a gestão Rosalba Ciarlini se manifestou e tentou explicar a “falha”, culpando a burocracia.

Segundo o secretário de Segurança Pública, Aldair da Rocha, “ao longo do período compreendido entre 2007 e 2010 a Secretaria celebrou cerca de  19 convênios  nas  diversas áreas da segurança  pública somando um montante de R$ 29 milhões. Ocorre que devido a fatores  burocráticos que ultrapassam os limites de atuação da Secretaria, tais como, regularização fundiária de imóveis, contra partidas de convênios, convênios vencidos de gestões anteriores, ações aguardando pronunciamentos judiciais, bem como prestações de contas de convênios anteriores, a secretaria teve que proceder a devolução de parte dos valores repassados”.

O secretário afirma que os valores foram devolvidos fracionadamente durante os anos de 2011, 2012 e 2013 totalizando o valor de R$ 10,4 milhões, dos quais, R$ 4 milhões foram provenientes dos rendimentos auferidos por aplicação obrigatória, ou seja, do valor real de R$ 29 milhões, apenas R$ 6,4 milhões é que foram realmente devolvidos, já que R$ 4 milhões são dividendos de aplicação.

“Do montante conveniado, a Secretaria de Segurança Publica e Defesa Social ao longo dessa gestão executou, ou ainda esta em execução, o montante de R$ 22,6 milhões em prol da modernização e aparelhamento do sistema  de segurança do Estado do Rio Grande do Norte”, acrescentou.

 

“Sociedade tem que acompanhar e cobrar convênios”

Os R$ 12 milhões para a Segurança Pública podem não ter sido as únicas verbas federais devolvidas pelo Governo do Estado por falta de projetos. Contudo, a expectativa do deputado estadual Fernando Mineiro é que elas sejam as últimas. Não por uma mudança da gestão Rosalba Ciarlini, mas sim por uma maior fiscalização das organizações sociais e da própria Assembleia Legislativa.

“Desde o início do ano, o Diário Oficial da União tem publicado uma série de convênios firmados entre Ministério da Justiça e o Governo do Estado que somam R$ 20 milhões. E mais recursos vão chegar do Brasil Mais Seguro. O que quero é que a população também passe a cobrar a aplicação desses recursos para que o governo não venha a perdê-los novamente por falta de ações”, afirmou Mineiro.

Segundo o deputado, o alerta é necessário porque a burocracia alegada pelo secretário de Segurança Pública, Aldair da Rocha, para justificar a perda dos recursos “é a mesma”. “É muita incompetência, então, não podemos ficar parados. Vou mandar esses convênios para as organizações sociais para que elas também fiquem de olho e cobrem ações do governo no sentido de viabilizar a utilização desses recursos. A insegurança cresce e é cada vez mais necessário ações nesse sentido. Não podemos desperdiçar recursos”, acrescentou.

É importante lembrar que, além do Governo do Estado, o Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, também assinou convênio para o incremento de diversas ações de combate a violência municipal. As verbas, num total de quase R$ 2 milhões, serão direcionadas para a Guarda Municipal de Natal e a implantação do Pelotão Escolar, dentro outras medidas.

 

“Acordo de PMDB e PSB de Wilma enfraquece chapa Dilma/Michel”

Além de comentar a situação do Governo do Estado, o deputado Fernando Mineiro, também, comentou a situação da política potiguar com vistas às eleições de 2014. Em entrevista ao programa apresentado pelo jornalista, Pinto Júnior na TV Bandeirantes, na manhã de hoje, Mineiro afirmou que se o PMDB decidir por uma composição política com o PSB na chapa majoritária, tendo a vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria como candidata ao Senado, enfraquecerá a chapa Dilma Rousseff/Michel Temer, no projeto nacional.

É importante lembrar que o Diretório Estadual do PT, seguindo recomendação nacional, não poderá “fortalecer palanques adversários”. Sendo assim, os petistas não poderão apoiar uma chapa com uma candidata do PSB na disputa, uma vez que o partido tem o nome do pré-candidato Eduardo Campos como oposição ao projeto de reeleição da Dilma Rousseff – e também do PMDB de Michel Temer.

É bem verdade que, além disso, o apoio à Wilma tira da deputada federal do PT, Fátima Bezerra, a chance de disputar o Senado Federal, principal meta do Diretório Estadual petista nas eleições de 2014. Segundo Mineiro, Fátima já se mostrou interessada na disputa majoritária nas eleições deste ano, trabalha essa possibilidade junto a correligionários e tem se comportado como candidata à senadora onde vai no interior do Estado e na capital. Por isso, esse é um assunto que deve ser resolvido nacionalmente.

Fernando Mineiro, que inicialmente teve seu nome cotado para ser candidato a governador pelo PT, diz que existe um vácuo na política local que deve ser ocupado, não só através de nomes, mas de propostas concretas e inovadoras para tirar o Rio Grande do Norte das dificuldades que vive no momento. “Existe também um esgotamento na política local, daí eu ter me apresentado no primeiro momento como alternativa para o Governo do Estado”, disse ele, acrescentando que “a estrutura do Estado está carcomida, daí a necessidade de mudanças”.

Concluindo, o deputado Fernando Mineiro afirma que chegou a hora da política mudar no Rio Grande do Norte, com a apresentação de projetos e não necessariamente de nomes, já que segundo ele, o Estado perdeu muito nos últimos anos em termos de políticas públicas. “Existe uma falência total”, ressaltou, defendendo em seguida, um consórcio entre os municípios, por entender que a reconstrução é obrigação de todos os entes federados. “Temos que enfrentar a situação e não ficar fazendo teatro”, ressaltou.

 

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