Greve começa tímida, mas servidores intensificam pressão contra Governo do RN

Grevistas foram à Assembleia Legislativa cobrar aprovação do Projeto de Lei que revisa Plano de Cargos

Cerca de 40% dos servidores do Centro de Reabilitação Infantil irão aderir à paralisação, segundo direção da unidade. Foto: José Aldenir
Cerca de 40% dos servidores do Centro de Reabilitação Infantil irão aderir à paralisação, segundo direção da unidade. Foto: José Aldenir

Roberto Campello

Roberto_campello1@yahoo.com.br

No segundo dia de greve, os servidores estaduais da saúde do Rio Grande do Norte foram até a Assembleia Legislativa, na manhã desta quinta-feira (20) cobrar dos deputados estaduais que intercedam junto ao Governo do Estado, para o envio do Projeto de Lei que revisa o Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações. Do outro lado, a movimentação no maior hospital do Estado, Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, estava tranquilo. No Centro de Referência Infantil do Rio Grande do Norte (CRI-RN), que durante a greve passada, teve seu atendimento comprometido quase que na totalidade, hoje manteve o atendimento regular a população.

A paralisação não conta com participação dos médicos, mas dos técnicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais e outros profissionais de Saúde. A pauta de reivindicações é extensa, mas a principal exigência é que o governo envie à Assembleia Legislativa do RN um projeto que deverá corrigir a tabela salarial dos servidores, cumprindo acordo firmado ainda na greve de 2013. “O governo quebrou esse acordo. Agora, a gente só vota pelo fim da greve quando o projeto for aprovado na Assembleia Legislativa”, afirmou a coordenadora geral do Sindicato dos Servidores da Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde-RN), Simone Dutra.

Os servidores estaduais da saúde esperam que o envio do Projeto de Lei seja feito ainda nesta semana, para que não comprometa a implantação neste ano e os prazos de pagamento. Nesta última quarta-feira (19), em reunião com o consultor-geral do Estado, José Marcelo Ferreira, foi informado de que o texto do projeto estava passando pela revisão final e seguiria para a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) e o Gabinete Civil no dia de hoje. Segundo o consultor, o conteúdo do projeto prevê a implantação da tabela do PCCR em abril, maio e junho, a garantia das gratificações para servidores dos oito hospitais municipalizados e a reabertura do enquadramento (adesão ao PCCR).

Hoje à tarde, uma comissão de servidores vai até à Sesap para uma audiência com o secretário Luiz Roberto Leite Fonseca. Na ocasião, serão discutidos o envio do Projeto de Lei e os pontos da pauta sobre os quais a Sesap possui autonomia e poder de decisão.

A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde Pública informou que representantes do Setor de Recursos Humanos da Sesap estiveram na manhã de hoje na Consultoria Geral do Estado para agilizar os tramites que garantirão o envio do projeto de lei que diz respeito à gratificação internível da categoria para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. A previsão é que este documento seja remetido para o poder legislativo estadual até sexta-feira (21).

O técnico de enfermagem do Hospital Walfredo Gurgel, Henrique Eduardo Pessoa da Silva, que trabalha na enfermaria do 5º andar da unidade, disse que o Hospital está cumprindo a Lei de greve, em que 30% do efetivo está trabalhando nas enfermarias e 50% no Pronto Socorro Clóvis Sarinho. “O servidor do Hospital Walfredo Gurgel aderiu a greve sim, mas o nosso efetivo é tão reduzido que tem setores que já funcionamos em estado de greve. Há um déficit muito grande em alguns setores. Se falam que pouca gente aderiu, é porque já temos poucos profissionais trabalhando. A nossa defasagem de profissionais é muito grande”, destacou o técnico.

No setor que o técnico de enfermagem Henrique Eduardo trabalha, por exemplo, são dois técnicos de enfermagem para 15 leitos. Esta, segundo ele, é a melhor situação do Hospital, que chega a ter setores com um técnico de enfermagem responsável por até 15 pacientes. “Isso acarreta uma sobrecarga de trabalho muito grande para os profissionais que atuam nesses setores. É muito alto o número de profissionais doentes, com atestados médicos ou faltando. Esse é o resultado do descaso desse governo com a saúde pública do nosso estado”, disse o técnico de enfermagem.

A direção do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel ainda não pode definir o percentual de adesão dos servidores à greve da saúde, pois ainda não houve nenhuma reclamação de pacientes ou acompanhantes que tenha chegado a direção relacionando a falta de assistência relacionado a greve dos servidores.

A diretora geral do Centro de Reabilitação Infantil do RN (CRI-RN), Marilene Soares, explicou que apenas cerca de 40% dos servidores da unidade vão aderir à paralisação, o que garantirá o atendimento a população durante todos os dias, mediante uma escala resumida de profissionais. “Todos os pacientes que chegarem serão atendidos. Claro que a demanda será menor, em função da greve, mas esperamos que o impacto negativo da greve aqui na unidade seja o menor possível”, afirmou a diretora.

Marilene Soares recomenda que os pais de pacientes que moram no interior do estado entrem em contato com o CRI-RN antes de se deslocarem para saber se o profissional responsável estará escalado. “Recomendo que as pessoas fiquem atentas aos informativos ou que liguem para cá antes de virem para saberem se os terapeutas responsáveis pelo acompanhamento dos filhos estão trabalhando. É uma forma de amenizar o transtorno do paciente, principalmente daqueles que moram no interior do Estado”, disse a diretora geral do CRI-RN.

Para a Sesap a manutenção dos serviços da Saúde é essencial para o efetivo avanço nas negociações. Segundo balanço da Secretaria de Saúde, no primeiro dia de greve os serviços da Rede Estadual não foram afetados. Apenas o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) diminuiu 50% nos atendimentos na Região Metropolitana de Natal, mantendo plenamente os atendimentos no interior do estado.

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