Greve dos rodoviários influencia e varejo potiguar tem retração nas vendas

O movimento de turistas em Natal, em virtude do os jogos da Copa do Mundo Fifa 2014 foi capaz de reverter prejuízos das quase duas semanas sem ônibus

th45h

Há cerca de um mês, quando saíram os números das vendas do comércio potiguar em maio, medidos pelo IBGE, o presidente da Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, deu a seguinte declaração à imprensa: “Temos uma expectativa muito grande para o número de junho. A Copa do Mundo Fifa 2014 deve ter influenciado positivamente alguns setores, mas a greve dos Rodoviários teve efeito negativo em muitos outros. O que o número do IBGE vai nos mostrar é até que ponto uma variável anulou a outra”. Pois bem. O número do IBGE foi divulgado nesta quinta-feira, 14, e mostra que os prejuízos causados pela paralisação de 13 dias dos Rodoviários na capital potiguar foram bem maiores que os impactos positivos da Copa no comércio da cidade. As vendas do comércio potiguar em junho registraram queda de 1,9%, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Com isso, o acumulado do ano, que estava em 4%, caiu para 3,2%.

A retração de junho é a segunda registrada este ano no RN (a primeira foi de 5,2%, em março) mas é mais preocupante. “Junho é um mês de boas vendas para o comércio.  Temos uma data forte, que é o Dia dos Namorados, e também o movimento típico das festas juninas. Mas, este ano, a combinação da abertura da Copa do Mundo ter caído justamente no Dia dos Namorados, com esta greve absurda e sem precendentes dos Rodoviários, cobrou um preço alto do nosso setor”, diz o presidente da Fecomércio RN.

É fato que a retração das vendas no mês de junho foi generalizada no país. De acordo com os dados do IBGE, no Brasil, houve queda de 6,1%.  O número ruim de junho é preocupante também porque ratifica a desaceleração do setor de comércio, que já começa a refletir o mau momento vivido pela economia como um todo.

 “Vimos falando disto há alguns meses. Mas vínhamos crescendo, embora em um ritmo menor. Com esta retração, o percentual de crescimento acumulado (3,2%) nas nossas vendas este ano já está muito abaixo dos 9,4% que tínhamos registrado no período de janeiro a junho de 2013. É uma queda muito aguda e, pior, sem perspectivas reais de ser revertida a curto prazo. Nossa projeção de crescimento das vendas para este ano como um todo, que vínhamos posicionando entre 4,5% e 5,5% já terá que ser revista, para baixo”, diz Queiroz.

Quando fala da falta de perspectivas reais de ser revertido este quadro, o presidente da Fecomércio está se referindo especificamente ao atual cenário econômico nacional. O que está posto é um quadro de inflação em alta (no teto da meta do Governo, que é de 6,5% ao ano), crédito mais caro (taxa média de juros ao consumidor acima dos 6% ao mês), inadimplência em alta (crescimento de 7,2% em julho) e previsão de crescimento mínimo para o PIB deste ano (alguns analistas já falam em menos de 0,8%).

“Todos estes fatores compõem um cenário preocupante. Os governos precisam agir, e urgentemente. E o caminho é investir no setor produtivo, repensar a nossa burocracia, promover as reformas constitucionais e apostar em projetos que gerem emprego e renda”, diz o presidente da Fecomércio RN.

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